TEOLOGIA FEMINISTA E PODER[1]

Elizabete Conceição Paiva de Oliveira[2]

 

Resumo:

Este artigo aborda novas possibilidades de leitura bíblica a partir da hermenêutica feminista tendo como categoria de análise o gênero como forma de desconstruir o discurso normatizado que nega a presença das mulheres como construtoras de um saber teológico. 

 

 

 

 

Introdução

A construção do individuo na sociedade é marcada por códigos, regras sentimentos, relações, cosmovisão, que nos identificam enquanto pessoas presente em um dado grupo social. Pensar teologia é remexer com estes conceitos, o que exige de todos nós uma abertura para olharmos a vida sob novas perspectivas fora das quais fomos educados.

A teologia feminista[3] é uma ferramenta indispensável para exercitar uma nova hermenêutica da Bíblia, especialmente dos textos já calcificados por interpretações teologicamente conservadoras e opressoras. Muitas mulheres, independentemente de classe social, idade e etnia, já estão envolvidas neste exercício da reflexão teológica e, assim, tomam para si o direito – e o dever - de refletir a partir de sua própria condição, situação e consciência como mulher, sobre a experiência peculiar da revelação de Deus na sua vida.

A partir desta perspectiva um desejo se manifesta: dialogar, trocar idéias e experiências, discutir e compreender melhor os valores, crenças e tradições que marcam nossa forma de viver e pensar o mundo, neste contexto de gênero, homem e mulher para a construção de uma sociedade menos desigual.

O instrumental metodológico de gênero nos possibilita fazer a leitura das Cartas Pastorais e refletir as construções que constituem o “ser” homem e mulher e seus papeis dentro da sociedade, no que toca a presença da mulher na Igreja primitiva e as relações de poder que se estabelece em diálogo com os apelos silenciosos estampados na realidade vivida pelas mulheres da atualidade, considerando os diferentes contextos nos quais estão inseridas, dando prioridade a questão étnica e econômica, que se revelam em vivências singulares.

 

Acertando os passos no caminho do pensar

As idéias expressam o que pensamos e como absorvemos o mundo. A capacidade de expressa-las em forma de linguagem nos possibilita comunicar como nos entendemos enquanto grupo social, assim sendo é necessário esclarecermos algumas idéias que pela sua capacidade de dizer o que pensamos se constituíram enquanto conceitos, tais como o androcentrismo, patriarcado e gênero. 

Toda leitura do mundo ocidental e em especial a cosmovisão cristã é marcada pelo androcentrismo. Entende-se androcentrismo como uma leitura da realidade onde o homem é a medida de todas as coisas. Enfoque de um estudo, análise ou investigação desde a perspectiva masculina unicamente, e utilização posterior dos resultados como válidos para a generalidade dos indivíduos homens e mulheres.

           Sobre o patriarcado, precisamos destacar o pensamento de três pontos de vista distintos, que, em alguns pontos, são divergentes e convergentes. Goldberg[4], por exemplo, define o patriarcado como qualquer sistema de organização(política, econômica, industrial, financeira, religiosa e social) onde a maioria dos postos na hierarquia estão ocupados por homens. Heidi Hartmann[5] o define como jogo de relações sociais entre os homens, relações que têm uma base material e, ainda que sejam hierárquicas, estabelecem e criam interdependência e solidariedade entre os homens que lhes permite dominar as mulheres. Já para Elizabeth S. Fiorenza define o patriarcado como “um sistema político-cultural-social de submissões e dominações graduadas” [6]. Para a autora, sexismo, racismo e imperialismo militares são as raízes e os pilares da sustentação do patriarcado.

A categoria GÊNERO inclui especialmente duas dimensões interligadas. A primeira afirma que a realidade biológica do ser humano não é suficiente para explicar o comportamento diferenciado do masculino e do feminino em sociedade.

Por isso o conceito gênero é introduzido para afirmar algo mais amplo que o sexo. O GÊNERO é um “produto social aprendido, representado, institucionalizado e transmitido de geração em geração”. Num sentido preciso, torna-se homem ou mulher depende de certas construções culturais e sociais.

            O segundo aspecto está ligado à noção de poder. Contata-se que o poder é distribuído de modo desigual entre os sexos: as mulheres ocupam em geral posições subalternas na organização mais ampla da vida social e também na organização das religiões no Ocidente. (Gebara,2000)

            

Então falar de gênero é falar das relações sócias de poder. O poder tem haver com o saber, com o controle da linguagem e com o corpo, mas é imperioso que se analise o poder também como relação numa cultura religiosa. As Cartas Pastorais, por exemplo, expressa o controle do corpo da mulher deliberado por um grupo de homens que controlam o poder. Se a essência humana baseia-se na liberdade em relação à dependência das vontades de outros, as escrituras vislumbram traçar um perfil onde as mulheres parecem não possuir esta “essência”.

Ao pensarmos a opressão das mulheres, temos que ter claro que elas não são somente uma conseqüência do controle dos homens sobre elas, ainda que isto seja um eixo. As mulheres também são privadas de controle e poder, não por nenhum homem em particular ou grupo de homens, mas sim por toda a estrutura da sociedade (salários menores, dupla jornada de trabalho, o efeito da socialização sobre as meninas e as mulheres: a relativa falta de poder na política  tradicional). Não podemos desconsiderar os estereótipos mentais que todos os homens e mulheres trazem dentro de si: somos, e agimos como tal, não apenas porque temos consciência de nossa existência, simplesmente, como se a nossa personalidade fosse uma conquista nossa. Somos o que somos porque um “outro”, fora de nós, diz o que somos: se agimos como homens ou mulheres são graças, também, à permissividade de um grupo social, que preestabelece os nossos papéis e nosso perfil como pessoas. A isso, a ciência denomina a alteridade: eu = eu + outro. 

 Associadas ao interior escuro, fechado e privado, as mulheres aprendem que do gênero feminino a sociedade espera o ser mãe, o cuidar, o maternar, a dependência (do pai, do irmão, do marido, dos filhos) o ser companheira do homem, a pureza, a docilidade.

Por outro lado, os homens, associados ao exterior, claro, aberto e público, aprende que a sociedade espera deles a virilidade, a racionalidade, a força, o controle, o enaltecimento do seu trabalho, sua profissão, a produção, sucessos aventuras, conquistas, o ser provedor da vida e do destino da família, além do controle das emoções, tidas como sinônimo de fragilidade. Trata-se de uma masculinidade hegemônica, em oposição à feminilidade.

A mediação de gênero nos leva a uma critica do universalismo das ciências humanas na bíblia podemos constatar que nossos olhos sempre foram e ainda é mais atenta aos eventos ligados a ação masculina do que à ação feminina. Na tradição da Igreja a presença dos padres é salientada, como se uma comunidade de crentes pudesse dispensar-se da presença das mães da Igreja.

 

 

 

 

Mudando o Olhar

 

 

FIORENZA,[7] propõe uma nova leitura bíblica, nos convidando  a pensar a teologia  a partir de uma hermenêutica da suspeita e da imaginação. A hermenêutica da suspeita é um exercício que confronta interpretações conservadoras; desconstrói paradigmas androcêntricos e patriarcais dos textos bíblicos e os reconstrói com referenciais libertadoras; pergunta pela ideologia que envolve o texto, os protótipos e estereótipos; pergunta pelo tipo de sociedade, pelas relações de poder entre homens e mulheres, das mulheres entre si, dos homens entre si. A hermenêutica da imaginação intui a possibilidade de uma imaginação criativa como uma regra metodológica fundamental no processo interpretativo. A imaginação criativa viabiliza a capacidade de pensar um mundo diferente e melhor.

Uma outra contribuição para a teoria da interpretação nos é dada por Tânia Sampaio[8], ao articular as contribuições da teoria de gênero para o processo interpretativo, considerando que, em uma hermenêutica de gênero, o processo de leitura do texto bíblico procura privilegiar os movimentos e momentos de encontro e diálogo entre as experiências de vida de quem procede à leitura e as pessoas identificadas no texto, em suas sucessivas realidades cotidianas. A concepção das relações sociais de gênero apresenta-se como um novo paradigma, capaz de não simplesmente visibilizar mulheres e /ou grupos oprimidos, mas iluminar as descobertas sobre estruturação das opressões e dos jogos de poder que organizam discursos normativos e estabelecem controles sociais.

Esse exercício hermenêutico de gênero pergunta pelas relações de poder presentes no texto ou no contexto; pelo exercício de poder de cada pessoa e sob que base estrutural social, religiosa, cultural e econômica ela se comporta, assumindo determinados papéis.  A indagação pelo status do poder observa as categorias de classe, gênero etnia, geração... E com isto confronta o paradigma biológico de interpretação das relações e suas conseqüências para cada pessoa.

A pergunta pelo movimento que acontece no texto é decisiva. Esta “pede a identificação do lugar em que estavam tanto as mulheres como os homens, visando a reflexão sobre pessoas concretas e não apenas sobre os discursos teológicos contidos no texto bíblico”. A partir da identificação do movimento, do lugar, o cotidiano se define como um espaço primordial de observação e interpretação das relações e como palco das cenas mais completas de luta, sofrimento, realidade e transformação social.

Anete Roese em sua obra cita que:

A hermenêutica feminista tem, também, como regra metodológica, a investigação crítica da imagem de Deus que o texto bíblico apresenta ou supõe. Confronta essa imagem com a experiência cotidiana de pessoas mais oprimidas na busca por imagens libertadoras, novas possibilidades de aproximação com o divino e experiência com o transcendente.

A hermenêutica feminista incorpora também na sua leitura a pergunta pela dimensão corpórea, pela energia vital da qual somos formadas, numa tentativa de suplantar os dualismos da história cristã, que ignorou a corporeidade e demonizou o corpo, sobretudo o corpo da mulher.[9]

 

As Leituras sobre as Cartas Pastorais

O texto bíblico em 1 Tm. 2,9-15 incluído nas cartas pastorais, também nos ajudará a entendera construção dos papeis sociais entre homens e mulheres. Vejamos o texto:

“ Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças ou com ouro ou pérolas ou vestidos preciosos, mas (como convém há mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda em silêncio, com toda sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, em use de autoridade sobre o marido mas que esteja em silêncio porque primeiro foi formado Adão depois Eva. E Adão não foi enganado mas a mulher, sendo enganada caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos,se permanecer com modéstia na fé no amor e na santificação.

Neste texto, o corpo se torna um eixo hermenêutico importante e o controle dos corpos aparece como parte constitutiva do exercício do poder, bem como da produção do saber.

 A concepção grega de corpo que herdamos foi construída a partir de concepções binárias de separação da vida em esferas dualistas e contrapostas: alma - corpo, espírito – matéria, corpo - mente cabeça - corpo. Nessa concepção, o interesse é pelo corpo que se tem e pelo o que o corpo contém. Na teologia tradicional o ser corpo é secundário; importa é salvar a sua alma. E assim, nós, homens e mulheres, nos tornamos alienados, no sentido de que criamos distâncias entre nosso próprio ser (self) e o que compreendemos como corpo.

Nas pastorais, a preocupação principal recai sobre a normatização dos saberes e do próprio acesso ao saber e a delimitação dos espaços de exercício do poder para as mulheres. Isto se apresenta com muita força por meio do controle dos seus corpos.

Falar do corpo na perspectiva feminista é falar dos corpos de mulheres  na história e em seu cotidiano, de corpos subordinados, manipulados, mas também  incorporados em movimentos de subversão e transformação.

Michel Foucault, filósofo contemporâneo, representa uma contribuição significativa a partir e por meio da analítica do poder. Entender o poder como algo que não é singular e único, mas como uma rede que circula por toda a sociedade, é fundamental na aproximação ao discurso das cartas pastorais. O poder está em toda parte porque provém de todos os lugares, declara Michel Foucault, e é compreendido como a multiplicidade de correlações de forças. No processo interpretativo, juntamente com a pergunta sobre como o poder é exercido, é necessário perguntar: que experiências  e que resistências o discurso está tentando invisibilizar e quais ele está propondo normatizar? Isto ajuda a descobrir a história das resistências, o exercício das resistências concomitante ao exercício do poder normativo e que também são distribuídas dentro de um conjunto de redes sociais.

A desconstrução dos discursos e da história oficial, apresentada nos textos, buscada por meio de linhas subterrâneas, pode significar uma aproximação à historia de mulheres e homens que não contribuíram a eclesiologia oficial exclusivista e que representam as resistências.

 A palavra-chave neste texto é a submissão. Ela geralmente é entendida no sentido de renúncia a um comportamento independente ou de manter-se sobre a ordem ou autoridade de outras pessoas. A prática histórica das mulheres cristãs primitivas não confirma este fato, em outras passagens do Novo Testamento (1Co.11; Rm16; At 16; Lc 10): há os papéis diferentes e mais ativos. A tentativa de manter as mulheres em silêncio significa que, além de não poderem falar na assembléia, não podem fazer a articulação de um pensamento teológico próprio.

As pessoas que aparecem como encarregadas do ensino nas pastorais são os bispos e as presbíteras. Elas são chamadas a atuar como mestras do bem (Tt.2,4). A exortação que segue a esse versículo traduz o conteúdo do ensino das presbíteras, que devem ensinar as mulheres jovens a se casarem, amarem os maridos, terem filhos e administrarem bem a casa, serem sujeitas ao marido para que a Palavra de Deus não seja difamada (Tt 24,5). Estes conselhos expressam o pensamento patriarcal.

Em 1 Tm 2:11-12, o autor proíbe explicitamente “Eu não permito  que as mulheres façam oração pública e ensinem”. Essa injunção é uma evidência de que as mulheres estavam orando e ensinando publicamente. O excessivo espaço dado nas cartas para apresentar formas de “corrigir” o comportamento de determinadas pessoas e grupos nas comunidades representa um indicativo de que essas eram as forças ativas contra as quais o autor está reagindo.

Ensinar é exercitar poder. E o poder não deve ser exercitado pelas mulheres, segundo a visão do autor. Uma das formas de retirar o poder das mulheres é retirar delas a palavra. O poder político apodera-se das palavras. As palavras e os silêncios são uma parte da substância a que recorre o poder. Na história da humanidade, uma das formas mais cruéis de opressão contra as mulheres foi a imposição do silêncio: mulheres silenciosas, silenciadas, histórias e vidas silenciadas, gritos de socorros silenciados - silenciadas nos textos, pelos textos e seus intérpretes, por fogos, facas, lâminas e guilhotinas, para fazer calar a fala das mulheres e aprisionar seus corpos.

Um conhecimento que despreza a contribuição das mulheres não é apenas um conhecimento limitado e parcial, mas um conhecimento que mantém um caráter de exclusão. É um conhecimento que reduz o outro a si mesmo, que nem se quer coloca a questão da contribuição dos diferentes como importante. A partir da questão do gênero, o cotidiano aparecerá na ciência chamada universal para lembrar-lhe o concreto, as coisas que são necessárias à vida ou a sobrevivência. O doméstico não está separado das grandes questões sócio-econômicas, nem dos grandes desafios da cultura. (Gebara, 2000)

No texto de 1Tm. O saber deve ser avaliado, controlado e substituído por um saber formal da doutrina correta. A questão da doutrina saudável está vinculada à saúde e cura em outros textos neotestamentários. Poderíamos pensar que a comunidade que assume seu ensino como cura é uma comunidade terapêutica. No entanto, no caso das Pastorais, trata-se de um ensino que conforma os corpos dentro de uma determinada compreensão de corpo, saber e poder e em inter-relação com uma estrutura patriarcal, hierárquica e centralizadora.

O ordenamento da comunidade na perspectiva patriarcal corresponderia, segundo a compreensão de poder de Foucault, a parte de uma luta constante e ao emprego do poder como ação estratégica. O poder acontece numa correlação de multiplicidade de forças e em pontos de resistência que se encontra em toda rede de poder e que representam o outro termo nas relações de poder. E se o potencial do poder é o saber, é compreensível que a articulação do saber está sendo alvo de desqualificação e deslegitimização na tentativa de retirar das mulheres a possibilidade do exercício do poder.Não existe saber que não pressuponha simultaneamente relações. Então a questão fundamental na leitura das Pastorais é a pergunta pelo saber e o não-saber, o poder e o não-poder das mulheres. Saberes conformados, corpos formatados e poderes reordenados é a preocupação do autor das Pastorais.

A partir desse movimento para a desqualificação do saber e da relativização do poder das mulheres nas Pastorais, podemos concluir que elas são ativas e engajadas na vida cultual, na liderança eclesiástica, na liderança e no ensino em toda a sua potencialidade.

 

Propostas para uma mudança na luta das mulheres de hoje

É importante salientar que a estrutura patriarcal isolou as conquistas e lutas políticas das mulheres, que são, de modo geral, omitidas do registro histórico e ocupam pouco espaço nas consciências de homens e mulheres. Dessa forma não é fácil as mulheres conscientizarem-se de uma solidariedade em relação a outras mulheres, ou entre mulheres e homens: “A supressão dos movimentos de mulheres na história isola toda mulher; não há nada em relação a que ela possa se orientar para dotar sua experiência pessoal de continuidade em comparação com o passado”.[10]

Resgatar o movimento das mulheres no cristianismo primitivo é encontrar a história subversiva de mulheres que ao se identificar com o projeto do cristianismo de igualdade e fraternidade ousaram ampliar seu espaço privado para a discussão, reflexão de uma vivencia cristã  que as incluísse como seres capazes de construir um pensamento sobre suas experiências, numa maior interação do saber , essas mulheres questionaram a estrutura hierárquica que as poucos foi  moldando o cristianismo enquanto instituição. “O patriarcado está entronizado nas nossas práticas sociais, nas nossas formas de nos posicionar e de nos relacionar uns com os outros e nos recursos que utilizamos para dar sentido uns aos outros”. (Shotter l993, p.92.) Daí a importância de novas praticas ao mesmo tempo em que fazemos uso  dos recursos que incorporamos às antigas , neste sentido é importante desconstruir nosso eu patriarcal, nossa herança e nossas instituições  de maneira tal, que nossos filhos e filhas possam vislumbrar  novos significados para sua ação na sociedade em sintonia com a história silenciada, mas não perdida pois ela ressoa em vidas que continuam a buscar formas alternativas de se estar no mundo.

Precisamos recuperar e explorar os aspectos das relações sociais que tem sido suprimido, desarticulados ou negados dentro de perspectivas dominantes (masculinas). Precisamos recuperar e escrever as histórias de mulheres bem como nossas atividades nos relatos e narrativas que as culturas contam sobre elas mesmas. Tendo claro que, assim como os homens, nós interiorizamos as concepções de gênero dominante quanto à masculinidade e feminilidade, desenvolvendo desta forma uma intolerância quanto a diferenças, ambigüidades e conflitos que as experiências de outros e outras nos trazem. (Flax,1991)[11]

Na teologia a mulher tem se destacado buscando desenvolver um pensamento próprio que responda as inquietações que marcam o seu cotidiano, questionando a teologia tradicional que insiste em posiciona – lá a margem das relações de poder desconsiderando sua colaboração no cristianismo histórico. 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

DAHLERUP, Drude. Conceptos confusos. Realidade confusa: uma discusión teórica sobre el Estado patriarcal. In: SASSOON, Anne (org) Las mujeres y el Estado. Madrid. Vindicación Feminista. 1987.

 

FIORENZA, Elisabeth Schüssler, Sexismo como pecado estrutural e o discipulado feminino e masculino de iguais como lugar da experiência de Deus, em: Pecado e graça na teologia feminista. Editora Vozes. São Paulo: 1997 p. 87.

 

FIORENZA, Elisabeth Schüssler. As origens cristãs a partir da mulher: uma nova hermenêutica. Paulinas. São Paulo: 1992.

 

FLAX,Jane.Pós-modernismo e as relações de gênero na teoria feminista.In.HOLLANDA,Heloiza(org) Pós-modernismo e política.Rio de Janeiro:Rocco.1991.

GEBARA, Ivone. Rompendo o silêncio: uma fenomenologia do mal. Vozes. Petrópolis: 2000

Jansen-Jurrreit, 1982, p.33. In: SHOTTER, J & LOGAN, S. A penetração do patriarcado: sobre a descoberta de uma voz diferente. In: GERGEN, M. McCaney. O pensamento feminista e a estrutura do conhecimento. EDUMB/Rosa dos Tempos. Brasília: 1993. p. 91-109.

 

MORENO, Amparo. El arquétipo viril protagonista de la história. Ejercicios de lectura no androcéntrica.  Cuadernos Inacabados. Barcelona: La Sal, 1987.  

 

ROESE, Anete. Corporeidade no espaço relacional: interpretações a partir do acompanhamento pastoral terapêutico feminista. In: STRÖHER, Marga J; DEIFELT, Wanda & MUSSKPF, André S (org). A flor da pele: ensaio sobre gênero e corporeidade. Siniodal. São Leopoldo: 2004.

 

SAMPAIO, Tânia Maria. Considerações para uma hermenêutica de gênero do texto bíblico. In: ___________, O gênero no cotidiano. Revista Ribla, n. 37, p. 7-14, Petrópolis; São Leopoldo: Vozes; Sinodal, 2000/3, p.7.

 


 

[1] Este texto foi apresentado no VI Encontro de Padres Casados do Brasil, no período de 12 a 14 de janeiro de 2006 em Salvador (Ba).

[2] Teóloga e Pedagoga. Professora da Faculdade Teológica de Valença - FACTIVA, do Seminário Batista da Bahia - SBB, do Instituto de Educação Teológica da Bahia - ITEBA. Assessora do setor de mulheres do Instituto Social Pastoral de Ação Catequética ISPAC. Educadoras do Projeto de orientação para adolescentes em situação de vulnerabilidade social - Irmãs Providencia.  

[3] A teologia feminista propõe a elaboração de um discurso teológico próprio isto é, referido, mas diretamente as questões levantadas pelo movimento feminista, que está marcada pela história de luta das mulheres. Um movimento que se inicia, enquanto realidade coletiva, na revolução francesa buscando a igualdade entre os sexos, reivindicando seus direitos de cidadania enquanto mulher. Entre em pauta temas relativos ao trabalho, a desigualdade legal, a participação política  entre outros. As mulheres desejaram com isso reverter a exclusão social e econômica na qual estavam inseridas. Enquanto a palavra feminista esta carregada pelo sentido de luta, a palavra feminina, por sua vez, foi pensada para manter as mulheres enquadradas em um estereotipo de submissão, negação da condição de mulher enquanto ser racional, livre e dona da sua história, negando, assim, a complexidade humana.

[4] S. Goldberg, Male dominance the inevitability of patriarchy: (London: 1979), pg. 25. In: DAHLERUP, Drude. Conceptos confusos. Realidade confusa: uma discusión teórica sobre el Estado patriarcal. In: SASSOON, Anne (org) Las mujeres y el Estado. Madrid. Vindicación Feminista. 1987.

 

[5] Heidi Hartmann, “The unhappy marriage of Marxism and Feminism: towards a more progressive union”. En Women and revolution, Lydia Sargent (ed.) (Boston: South End Press 1981), p. 14. In: DAHLERUP, Drude. Conceptos confusos. Realidade confusa: uma discusión teórica sobre el Estado patriarcal. In: SASSOON, Anne (org) Las mujeres y el Estado. Madrid. Vindicación Feminista. 1987.

[6]FIORENZA, Elisabeth Schüssler, Sexismo como pecado estrutural e o discipulado feminino e masculino de iguais como lugar da experiência de Deus, em: Pecado e graça na teologia feminista. Editora Vozes. São Paulo: 1997, p. 87.

[7] FIORENZA, Elisabeth Schüssler. As origens cristãs a partir da mulher: uma nova hermenêutica. Paulinas. São Paulo: 1992. Teóloga feminista alemã, residente nos EUA, autora de diversos livros sobre o assunto.

[8] SAMPAIO, Tânia Maria. Considerações para uma hermenêutica de gênero do texto bíblico. In: ___________, O gênero no cotidiano. Revista Ribla, n. 37, p. 7-14, Petrópolis; São Leopoldo: Vozes; Sinodal, 2000/3, p.7.

[9] ROESE, Anete. Corporeidade no espaço relacional: interpretações a partir do acompanhamento pastoral terapêutico feminista. In: STRÖHER, Marga J; DEIFELT, Wanda & MUSSKPF, André S (org). A flor da pele: ensaio sobre gênero e corporeidade. Siniodal. São Leopoldo: 2004.

[10] Jansen-Jurrreit, 1982, p.33. In: SHOTTER, J & LOGAN, S. A penetração do patriarcado: sobre a descoberta de uma voz diferente. In: GERGEN, M. McCaney. O pensamento feminista e a estrutura do conhecimento. EDUMB/Rosa dos Tempos. Brasília: 1993. p. 91-109.

[11] FLAX, Jane. Pós-modernismo e as relações de gênero na teoria feminista. In: HOLLANDA, Heloiza (org). Pós-modernismo e política. Rocco. Rio de Janeiro:1991.