Caros Colegas,
eleito presidente nacional da Associação Rumos/MPC no
último dia 13 de janeiro de 2008, ao final do XVII Encontro Nacional das
Famílias dos Padres Casados, realizado no
Recife, ainda com a surpresa da escolha, gostaria de
expor algumas coisas que ando pensando sobre o nosso mandato.
Primeiramente, gostaria de agradecer a todos os
colegas, presentes ao Encontro no Recife que, de maneira unânime, nos
conduziram à Presidência da Associação Rumos e do
Movimento dos Padres Casados.
Confesso que fiquei confuso e em dúvida quando Armando
apresentou a proposta para o grupo do Recife assumir a presidência do
movimento. Vínhamos da preparação do encontro e
estávamos cansados, querendo retornar a nossa rotina de reuniões, sem
preocupações maiores. O desafio de conduzir o movimento era e é muito
grande. A minha primeira reação foi um sonoro NÃO, como
muitos lembram. Mas depois, ponderando com o grupo do
Recife, resolvemos encarar mais uma missão dentro do MPC.
Assim, num encontro rápido enquanto os colegas decidiam
outros assuntos, resolvemos assumir, como grupo, a direção
nacional da AR/MPC. Levamos a nossa decisão ao plenário
que, de pronto, nos confirmou na presidência.
Assim, sem o apoio dos nossos colegas do Recife não
teria assumido essa tarefa.
Sem a ajuda de alguns companheiros e companheiras de
fora do Recife também seria quase impossível conduzir essa associação.
Assim destaco o trabalho de João Tavares e Sofia, como
moderadores do E-grupo padres casados. Disse ao João, durante o encontro no
Recife, que o trabalho de moderação é mais importante que a presidência.
João, sem dúvida, tem muitos mais contatos
e faz um belo trabalho de integração com os mais padres
casados dos mais distantes rincões desse país.
Outro destaque é para Mário e Margarida Palumbo, com o
"Ora et Labora". O que seria do nosso movimento sem o saite do
Palumbo? O pioneirismo de Mário fez do "ora et labora"
o nosso oficioso saite, com a sua permissão, claro. Mesmo com a entrada
no ar, em breve, do nosso saite, o "ora et labora" será
sempre também a nossa página na internet. Vamos trabalhar sempre juntos.
Também gostaria de registrar a bondade de Margarida
Palumbo em acolher, junto com Mário, o nosso próximo encontro nacional em
Ribeirão Preto. Portanto, desde agora já estaremos em contagem regressiva
rumo à Ribeirão Preto, em 2010.
Todos nós sabemos o trabalho que é fazer o nosso JORNAL
RUMOS. Muitos colegas já prestaram esse serviço ao movimento.
Agora, chegou a vez de Gilberto, de Santa Catarina, que
aceitou como missão a difícil tarefar de editar o Rumos.
Ao Gilberto, todos nós só podemos dizer um sincero
muito obrigado!
Esses colegas, e outros que ficaria cansado aqui citar,
trabalham de forma abnegada por ainda acreditarem no MPC, mesmo quando
parecemos remar contra a maré.
É por isso que ouso pensar alto. E conclamo todos os
meus colegas a transformar nossos sonhos em realidade. Precisamos caminhar.
Precisamos ousar. Precisamos ser profetas de um novo tempo, de uma nova
forma de ser Igreja, Povo de Deus.
Assim, neste pequeno espaço de tempo de um mandato,
podemos tentar realizar algumas pequenas coisa que são fundamentais para a
sobrevivência do nosso movimento.
1 - O MPC/RUMOS precisa de mais visibilidade. Devemos
ocupar todos os espaços disponíveis que a mídia nos oferece. A participação
deve ser de todos, e não somente da diretoria nacional. A imprensa, cada vez
mais, tem interesse e é uma aliada, na maioria das vezes, da nossa luta.
Pouco antes do encontro assisti na televisão três reportagens, exibidas para
todo o Brasil, sobre o problema do celibato obrigatório. E vejam que nós
somos sempre procurados pela imprensa. Poucas vezes a iniciativa é
nossa. Esse assunto vai crescer, não tenho dúvidas. É bom sempre falar do
nosso movimento e Associação. Ocupar espaços, sejam eles eclesiais ou não.
Só assim seremos mais respeitados e ouvidos.
2 - Precisamos estar antenados com os novos tempos e
não podemos ficar fora da grande rede mundial de computadores. Torna-se
URGENTE e PRIORITÁRIO a construção de uma
página do movimento na internet. Esse será nosso primeiro desafio. Em breve,
se Deus quiser, ela estará no ar. E continuaremos parceiro do saite "Ora et
Labora".
3 - Precisamos, também, aumentar o número de endereços
eletrônicos (e-mails) do nosso grupo de padres casados na Internet. Vamos
ajudar o João Tavares nessa tarefa, identificando e enviando os novos
contatos.
4 - Melhorar e fortalecer o jornal, importante
instrumento de comunicação da Associação Rumos. Para isso, também,
precisamos de apoio dos colegas não só renovando suas assinaturas ou
contribuindo para Associação Rumos,mas trazendo novos colegas assinantes.
5 - Voltar a fortalecer os grupos locais. Sem os grupos
locais o nosso movimento vai se enfraquecendo. Precisamos retomar a mística
dos primeiros tempos, dos encontros mensais, das reuniões em família. Aqui
no Recife, durante todos esses anos, nunca deixamos de nos encontrar todos
os últimos domingos de cada mês.
É um trabalho para todos. Para vitalidade do nosso
movimento, creio, devemos retomar a idéia das seccionais da AR, dos
encontros regionais etc.
Precisamos identificar os coordenadores de cada região
ou estado. Só assim tem sentido uma presidência nacional.
6 - O êxodo continua. Muitos padres estão deixando o
ministério sacerdotal para casar.
Nosso movimento não consegue chegar até eles. Poucos
nos procuram. O que está havendo? Vamos tentar identificar os motivos porque
os padres mais jovens não se interessam pelo MPC/Rumos? É nossa tarefa, em
cada cidade ou estado, identificar e convidar os jovens padres, que estão
deixando o ministério, para conhecer o MPC. O desconhecimento sobre o
movimento é grande. Daí, como falei acima, precisamos de mais visibilidade.
Se até os nossos não nos conhecem.......
7 - Nosso movimento deve ser plural e
ecumênico. Respeito, acima de tudo, por todas as opções, por todos os
caminhos realizados. O importante é caminhar, não ficar parado. Cada um é
responsável por sua decisão. Viver o sacerdócio na família, no trabalho, na
Igreja, nos espaços que foram conquistados ou que se coloquem à nossa
frente. No Encontro do Recife um ponto ficou bastante claro: a opção deve
ser pessoal, de cada família. O movimento, como um todo, respeita, encoraja
e apóia todas as iniciativas. Congrega todos em busca de um único objetivo
que é o de servir ao Povo de Deus, vivendo a vocação para a qual foram
chamados como batisados.
8 - Por fim, o desafio de conduzir a Associação Rumos e
o Movimento dos Padres Casados para além das nossas fronteiras. Dar rumos
novos ao nosso movimento. Lutar contra toda forma de discriminação,
isolamento e preconceito contra o padre casado. Precisamos quebrar as
amarras que seguraram nosso MPC por 30 anos. Em busca do novo, do desafio de
ser Igreja, Povo de Deus. O desafio de viver nossos carismas na liberdade de
filhos de Deus. Na certeza que o nosso sacerdócio só tem sentido enquanto
serviço, doação, sem necessidade de títulos ou poder, mas na simplicidade de
um pai. Na certeza, como ficou claro aqui no Recife, que o ministério está
vivo em nós!
Recife, 30 de janeiro de 2008
Félix Batista Filho
Presidente Nacional da AR/MPC