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NOSSA SENHORA DE ASSUNÇÃO - 15 DE AGOSTO

Qual o significado da Assunção para nós?

Toda vez que ocorre uma morte no Senhor se realiza uma ressurreição e assunção ao Céu.

A ressurreição de Cristo e Assunção de Maria abrem o caminho para nossa ressurreição e para nossa glória junto ao Pai.

Levantando os olhos para Maria sabemos que temos uma mãe que nos espera e a invocamos: SALVE MARIA, MÃE DE MISERICÓRDIA, NOSSA ESPERANÇA E AUXILIO AQUI NESTE VALE DE LAGRIMAS!

Papiro egizio, III séc.

 

SUB TUUM PRAESIDIUM CONFUGIMUS,

SANCTA DEI GENITRIX,       

NOSTRAS DEPRECATIONES IN NECESSITATIBUS

NOSTRIS NE DESPICIAS , SED A POERICULIS CUNTIS LIBERA NOS SEMPER,

VIRGO GLORIOSA ET BENEDICTA

 

 

A ll`ombra della tua misericórdia

Ci rifugiamo, o Madre di Dio.

Non ignorara le nostre suppliche nella tentazione,

Ma liberaci daí pericoli,

O sola pura, sola benedetta.

 

 

Na sombra da tua misericórdia,

O Mãe de Deus,

Não ignore nossas suplicas nas tentações,

Mas libera-nos do mal

O Virgem Santa

 

 DOGMA DE ASSUNÇÃO

A Assunção da Virgem em  corpo e alma,  após sua  morte preciosíssima é, hoje, um dogma de fé cristã.  Encontra-se contido em nossa página principal (em catecismo) detalhes explicativos sobre os dogmas que, resumidamente podem definir-se como verdades divinas propostas pela Igreja, e que devemos crer incondicionalmente, sob pena de cairmos em heresia.

                          Desta breve exposição se inclui que, nenhum católico poderá negar que a Virgem Mãe de Deus foi elevada ao céu em corpo e alma, após a morte. 

                        O Papa Pio XII , no dia 1o. de novembro de  1950, na Basílica de  São Pedro, dirigiu  a  cerimônia que ficou e ficará para sempre nos anais da Igreja Católica como a  mais solenes da era contemporânea,  o Dogma da Assunção da Virgem Mãe de Deus.  Vejamos a alocução de Sua Santidade firmada nessa cerimônia: 

 “Veneráveis irmãos e  amados filhos e  filhas que vos haveis  congregado em nossa  presença e  todos vós que nos ouvis nesta Santa Roma e  em todos os  lugares do mundo católico. 

 “Emocionados pela proclamação como um dogma de  fé da Assunção ao céu da Santíssima Virgem em corpo e alma, exultando de alegria que inunda os corações de todos os fiéis, agora satisfeitos em seus ardentes desejos, sentimos irresistível necessidade de elevar junto convosco o hino de graças à amada providência de Deus, que quis reservar para vós a alegria deste dia e a nós o conforto de colocar sobre a fronte da mãe de Deus e da nossa mãe  um brilhante diadema que coroa suas singulares prerrogativas.

 “ Por um inescrutável desígnio do destino, aos homens da atual geração tão atormentados e afligidos, perdidos e alucinados, mas também sadiamente em busca de  um grande Deus que foi perdido, abre-se uma parte luminosa dos céus, onde se senta, junto ao filho da justiça, a rainha mãe, Maria.

 “Implorando há longo tempo, finalmente nos chega este dia, o qual por fim, é nosso. A voz dos séculos – deveríamos dizer a  voz da eternidade – é nossa. É a voz que, com a ajuda do Espírito Santo, definiu solenemente  o alto privilégio da celestial Mãe. E vosso é o grito dos séculos. Como se  houvessem  sido sacudidos pelas batidas dos vossos  corações e  pelo balbuciar dos vossos  lábios, as  próprias pedras  desta patriarcal basílica vibram e juntamente com elas os inumeráveis antigos templos levantados em todas as partes em honra de Maria, monumentos de uma só fé e pedestais  terrenos do celestial trono da glória da Rainha do Universo, parecem exultar em pequenas batidas. E neste dia de alegria, desde este pedaço do céu, juntamente com a  evangélica onda de satisfação que se harmoniza com a onda de exultação de  toda a Igreja militante, não pode  deixar de descer sobre as almas uma torrente de  graças e ensinamentos, frutíferos despertadores de renovada santidade.   Por esta razão, para tão altíssima  criatura, levantamos, cheios de fé, os nossos  olhares da terra – nesta nossa época, entre a nossa  geração – e gritamos a todos:  “Levantai os vossos  corações”.

 “As muitas intranqüilas e angustiosas almas, triste legado de  uma idade violenta e  turbulenta, almas oprimidas, porém não resignadas, que já não crêem na bondade da vida e aceitam-na somente  como se fossem obrigadas a aceitá-la, ela lhes abre as  mas altas visões e  as conforta para contemplar que destino e  que obras ela há sublimado, ela , que foi eleita por Deus para ser Mãe do mundo, feita em carne, recebeu docilmente a palavra do Senhor.

 “E vós, que estais  mais  particularmente próximo de nosso coração, vós pobres enfermos, vós  refugiados, vós prisioneiros, vós os perseguidos, vós com os braços em trabalho e o corpo sem abrigo, vós nos sofrimentos de toda índole e de  todas as nações, vós a quem a  passagem pela terra só parece dar lágrimas e privações, por mais esforços que se façam ou que se deverão fazer para acudir em vossa ajuda;  levantai vossos olhares para Ela que, antes de  vós, percorreu os caminhos da pobreza, do exílio e  da  dor;  para Ela,  cuja alma foi atravessada pela espada ao pé da cruz e que agora contempla, como olhar firme, desde a  luz eterna, este mundo sem paz, martirizado por desconfianças  recíprocas, pelas divisões, pelos conflitos, pelos  ódios  a tal ponto que se debilitou e se perdeu o sentido do temor em Cristo. Enquanto suplicamos com todo o ardor que a Virgem Maria possa assinalar o retorno do calor, do afeto e da vida aos corações humanos, não nos devemos  cansar de recordar que nada deve prevalecer sobre o fato, sobre a consciência de  sermos  todos filhos da mesma Mãe, laço é de união através do místico Corpo de Cristo, uma nova era e uma nova Mãe dos vivos, que quer conduzir  todos os  homens  à verdade e  à graça de seu divino Filho. E agora, oremos com devoção.”

M  A  G  N  I  F  I  C  A  T

"Maria de Nazaré o protótipo de todas as Mães"

 Lucas 1,1 diz: "MUITOS TENTARAM ESCREVER A NARRAÇÃO DOS ACONTECIMENTOS"

É evidente que os acontecimentos, por excelência dizem respeito à história de Cristo. Tudo que existe descreve a história de Deus. Todos celebramos, cada qual de sua maneira, a vida e seu Autor. É inexaurível! Já se disse: "De Maria nunquam satis": Nunca se elogiará o bastante a Maria. Nunca se dirá o bastante da vida, nunca se dirá o bastante de Deus.

         Um fervilhar, um borbulhar, escondido em baixo de quilômetros  de espessura da crosta terrestre força a saída, demora séculos, milênios, explode.

            Assim é do Eros, da Palavra, explode em big bang,  em VIDA! 

É a humilde violeta escondida no prado, é a luxuriante rosa, é o perfumado jasmim, o comum pardal, o sabiá a cantar nas notas e cores do pentagrama do arco-íris, são as montanhas que surgem e desaparecem, é o mar, a lua, o sol, as galáxias...

         Nunca se dirá o bastante da rosa, do jasmim, nunca se dirá o bastante de Maria...

A rosa, o jasmim, o sabiá,  são outros nomes de Deus!

No furacão vital, o milionésimo de grãonzinho de areia que são eu, insignificante, perdido na praia do cosmo, totalmente contingente, entra nesta história levado pelo turbilhão do Eros Divino e é considerado por Ele, como único!

Também em mim faz maravilhas e impulsiona o grãonzinho a fazer a leitura dos acontecimentos da rosa, do jasmim...do Zé marceneiro, da Maria, do SALVADOR!

“Às pressas”, correndo com Maria, pelas montanhas, em socorro a Isabel, com Ela podemos cantar:

“MAGNIFICAT ANIMA MEA DOMINO” Lc 1:46

         A minha alma, a minha vida de milionésimo de um grãonzinho de areia, engrandece ao Senhor! Ou é Ele que engrandece este grãonzinho? Por acaso o cosmo, Deus precisam dele?

É Ele que escreve a história do grãonzinho de areia e o engrandece, porque o ama.  

“EXULTA O MEU ESPÍRITO, EM DEUS MEU SALVADOR! “Lc 1:47

O Espírito de Maria exulta, dança no corpo inteiro, pula de alegria: é a dança no ventre se expande para o ventre de Isabel, ao feto João e penetra as profundezas da terra.

O Espírito de Jesus exulta,  se estende em dança cósmica, paira sobre a terra árida, no seio estéril, no grãonzinho de areia e da luz, cor, som, beleza ao universo.

A sinfonia divina ao toque do Maestro,  atravessa os séculos e as galáxias

“PORQUE OLHOU PARA SUA HUMILDE SERVA!”  Lc 1:48

O Maestro olha todos os músicos, um por um, com exclusividade.

 O olhar do Maestro cria vida, a sinfonia e se funde no uníssono do Amor.

Todos tocam, cantam, se encantam, se inebriam. O som se reflete no som, a luz na luz! É a luz, o som do mar, da pedra, da rosa, do jasmim, da Maria.

Maria de Nazaré não difere, da Ana, da Cida, da Simone, da Patrícia de qualquer aldeia da Palestina ou do Brasil. Ela é trabalho, suspiros, expectativas. Como qualquer noiva. “prometida esposa do Zé marceneiro da casa de Daví”, anda pelas ruas da provinciana cidade de Nazaré à busca da água e ninguém, nem Ela, sabe que o Rei a veste de sol e uma coroa de estrelas enfeita a sua cabeça.

A história de qualquer grãonzinho de areia é forjada pelo Deus Amor, mas a história de Maria é especial :

“TODAS AS GERAÇÕES A CHAMAM DE BEM AVENTURADA,

BENDITA ENTRE AS MULHERES, POIS

REALIZOU  NELA MARAVILHAS AQUELE QUE É PODEROSO,

 CUJO NOME É SANTO”. Lc 1:49

Sim, se tudo canta a gloria de Deus, Maria de Nazaré, é com certeza, o soprano de maior destaque, “ la prima donna” . Sem Ela não haveria o concerto.

Sem entender muito do plano de Deus, realiza o mistério escondido há séculos no coração Dele.

A palavra é luz, resplandece em tudo, mas a Palavra que desce do silêncio de Deus, encontra o sim de Maria. No amplexo do Espírito, forma, da carne de Maria, do seu exclusivo DNA, a humanidade do VERBO .

        Por isso, de modo o único,

“TODAS AS GERAÇÕES A CHAMARÃO

BEM AVENTURADA, POIS ACREDITOU

E SE TORNOU PORTA DO CÉU”.

Após bater, delicadamente aquela Porta, o Poderoso entra na história na ponta dos pés  e torna-se servo. Nazaré é a destruição do ódio, do egoísmo, da morte.

É o sim ao serviço, o sim à vida:

“MANIFESTOU O PODER DO SEU BRAÇO:

DESCONCERTOU OS CORAÇÕES DOS SOBERBOS.

DERRUBOU DO TRONO OS PODEROSOS

E EXALTOU OS HUMILDES

E DESPEDIU DE MÃOS VAZIAS OS RICOS” Lc 1:52-53

 O Poderoso é Misericórdia, sente dor, se compadece, sofre com os injustiçados, esmagados, se solidariza com aqueles cujo sangue grita vingança aos céus!

 A misericórdia Dele é eterna: Ele é o Poderoso, Poderoso no Amor, no Perdão!

A SUA  MISERICÓRDIA  SE ESTENDE DE GERAÇÃO

EM GERAÇÃO, SOBRE OS QUE O TEMEM.” Lc 1:50

 

O Poderoso da um basta e inverte o curso da história : Tira do trono qualquer vestígio de tirania, coloca no trono os humildes, manda embora de mãos vazias os ricos, sacia de bens os famintos, “ faz a estéril dar a luz sete vezes , levanta do pó o desvalido e do esterco eleva o indigente.”( 1 Re.2,8).

O Eros divino, assumindo o DNA de Maria, assume em si, toda indignação e a fúria dos profetas para destruir o mal, “esmagar na pedra a cabeça das criança dos inimigos.” (inimigo aqui é satanás, ou seja, qualquer mal).

A aspiração dos profetas e o vaticínio do poeta Virgílio sobre uma sociedade justa onde lobo e cordeiro pudessem viver em harmonia, estão presentes no cântico de Maria, como no Antigo Testamento, ou seja, com a punição severa dos soberbos e pecadores. 

Porém, uma leitura à luz da explosão da misericórdia de Cristo em favor de todos os homens, também de seus algozes, nos fez entender que a humanidade é  transformada em Israel  “puerum suum”, seu menino, sobre o qual o Pai derrama toda sua  “misericórdia como  prometera a Abraão e sua posteridade”.

Assim o hino de Maria anuncia “Terras Novas e Céus Novos”, uma nova sociedade, não mais baseada no lucro desenfreado e na procura da felicidade sem felicidade.

 Esta sociedade, sonho dos poetas e aspiração mais profunda dos povos, é o Reino do Filho de Maria, que se constrói no dia-a-dia no coração de milhares  de pessoas e lentamente fermenta a massa, se manifesta na fração e distribuição do pão da vida.

São pessoas, escondidas nas selvas de pedras,  ou nos barracos e favelas, que conhecem a gratuidade da doação e apenas visam difundir vida, saúde, amor, às custas  da própria vida, do próprio sangue, até a ultima gota, até a morte, como Gandhi, Martin Luter King, Madre Teresa de Calcutá, Betinho e tantos milhares de anônimos.

O Reino que Maria, imbuída do Espírito dos profetas e de seu Filho, anuncia e realiza, triunfa, apesar das aparências da vitória dos  Heródes, Hitler, Pinochet, que, aliás, também são  vítimas de estruturas ou efervescências de ondas de ignorâncias, de egoísmos que penetram o DNA das multidões. Destes, também e não do mal, o Deus de Abraão, o Deus  de Maria, o Deus de Jesus, o Deus  da nossa família, do drogado e do traficante  assassino, também tem vísceras de misericórdia para com eles.

É um Deus que sente dor nas entranhas, e para nós, pecadores, verte gotas de suor de sangue. Gotas que fazem germinar a ressurreição.

À primeira vista, o cântico de Maria, poderia aparecer uma lírica de algum militante esquerdista, tipo sem-terra, sem-teto, sem-nada... Fundamentalistas também poderiam cantar e colocar no paredão todos do contra, para iniciar uma sociedade onde quem governa, seriam eles, e sem sombra de dúvida colocariam justiça e equidade na face da terra...

Extremistas de todas as religiões, também podem escrever, nos cancioneiros deles,  a música de Míriam de Nazaré. À luz do Antigo Testamento, podem desejar que o Deus dos exércitos, moa os ossos dos capitalistas  e clérigos com todas púrpuras e mitras... A melodia de Maria não prenuncia os discursos demagógicos, nem os documentos eclesiásticos que pregam a caridade e deixam desamparado o padre da periferia.

Maria não discute, não faz reuniões, apenas impulsionada pelo Eros Divino, dá o primeiro passo. Levanta-se e de imediato vai para as montanhas até a casa de Zacarias .E saúda sua prima Isabel.                                                                                                                                                                                       Lc.1:40

Maria percebe que a prima  Isabel deve precisar de ajuda. Sem hesitar, a jovem grávida se aventura, sozinha, pelas montanhas de Judá.

 É neste contexto que explode o MAGNIFICAT!  Em Cana a intuição e fineza feminina de Maria se antecede ao perigo iminente da frustração dos familiares, dos esposos pela falta do vinho e ninguém percebe até onde chega a ternura de Maria. Bem disse Dante que a benignidade de Maria não socorre apenas aqueles que a Ela recorrem mas, “ molte fiate liberamente al dimandar precorre” (muitas vezes livremente se antecipa ao pedido).

Se a rosa é uma rosa e reflete o seu Criador, Maria, nisso,  supera tudo e todos.  Louvá-La, então, é enaltecer Espírito de Deus, que assume a feminilidade dela, para revelar-nos, o quanto Ele, Pai, é também nossa enternecida Mãezinha. Com sua canção Maria nos demonstra o zelo e atitude de quem não fica no muro. Mas, dá preferência aos mais frágeis. Com lógica inconfundível de quem não conhece jeitinho,não manipula os outros com demagogias, compromissos espúrios ou meias palavra.

Maria, dá a carne ao Verbo, encarna o Espírito Dele e o torna fato, SALVAÇÃO!

Se as palavras do hino repetem o refrão dos antigos profetas, o sentido é totalmente novo. O “dispersa os soberbos, derruba os potentes, despede os ricos”, vale para os orgulhosos ricos de si e que excluem os demais. O rico pode ter grandes posses e ser desapegados, aberto para os semelhantes, o pobre pode ser o rico do canto de Maria. Quem exclui do banquete do convívio do amor o seu próximo  é excluído do convívio do Poderoso. Grandes e pequenas ofensas contra os irmãos nascem no coração:

                 “Quem chamar de inútil  a seu irmão já é condenável.” Mt 5:22 

O filho de Maria corta pela raiz o mal. O crime mais hediondo nasce do fechamento no próprio egoísmo, da pequena ofensa, da crítica amarga, da alfinetada, do sorriso sarcástico. Este fere profundamente e mais o seu autor.

 Maria, espelho de Deus, despede, derruba, dispersa e esmaga sob seu calcanhar    todos estes males.

Quando ofendemos o próximo, nós nos colocamos do lado dos ricos da canção de Maria e negamos a presença de Cristo que estamos condenando junto ao Sinédrio.

Se ao cantar do galo, as lágrimas de arrependimento surgirem, com certeza o olhar do Filho de Maria nos alcançará na sua misericórdia, e com Ela poderemos cantar:

“ACOLHE A ISRAEL , SEU SERVO, RECORDANDO DA SUA

MISERICÓRDIA, CONFORME PROMETERA A

NOSSOS  PAIS EM FAVOR DE  ABRAÃO

E A SUA POSTERIDADE, PARA SEMPRE.” Lc 1:53-54

Os Evangelistas nos fazem perceber a solicitude de Maria em favor dos mais aflitos. Tudo dá para intuir que Maria deve ter enxugado as lagrimas do primeiro Papa, após o canto do galo, assim como socorre qualquer amigo de seu Filho.

Dante Alighieri bem resume a tradição da fé do povo cristão a respeito de Maria:

Vergine madre, figlia del tuo figlio                     umile e alta piú che creatura,                                     termine fisso d’eterno consiglio                          

Tu se colei che I’umana natura                              nobilitasti si, che ‘I suo fattore                                 non disdegnò di farsi sua fattura.                      

Nel ventre tuo si raccese l’amore                                  per lo cui caldo nell’etterna pace                                  così è germinato questo fiore.                              

Qui se’a noi meridiana face                                        di caritade, e giuso, intra i mortali,                        se’speranza fontana vivace                                 

Donna, se’tanto grande e tanto vali,                         che qual vuol grazia ed a te non ricorrre,                 sua disianza vuol volar sanz’ali.                         

La tua benignità non pur soccorre                               a chi domanda, ma molte fiate                                        liberamente al dimandar precorre                     

In te miserecordia, in pietate,                                      in te magnificenza, in te s’aduna                                    quantunque in creatura è di bontate

 Divina Comédia, Dante Alighieri, Canto 23

"Ó Virgem Mãe, filha de Teu Filho,            mais alta humilde que qualquer criatura           dos eternos desígnios termo e brilho!    

Por ti se enobreceu tanto a natureza                 humana que o Criador não desdenhou           tomar a forma de criatura.

No teu seio fugiu o doce amor a cuja luz intensa e resplendente germinou    a eterna flor.

Aqui és para nós a transparente                    face da caridade; e da esperança,                 entre os mortais és fonte permanente.

Tamanha é nestes céus, tua pujança                   que quem o bem, sem ti busca, hesitante,           como que a voar sem asas se abalança.

Não só a quem te invoca, suplicante,                    brilha o fulgor de tua caridade,                            senão que às vezes vem do rogo adiante.

Em ti todo o perdão, toda piedade,                      toda a doçura, no perdão supremo                      confluem da mais ínclita bondade.

Tradução de Hernani Donato

Virgem, mãe, que habitas, com teu Filho o coração do Pai com o mesmo teu corpo com o qual, o Suspiro Divino,  Espírito Santo, formou o Corpo carnal do Verbo,te imploro para os filhos de todas as mães. Com teu braço forte, disperse o orgulho, derrube a prepotência, retire de nós,  o egoísmo cretino que nos torna obstinados pela ilusão de possuir, de ser ricos, superiores aos outros e no final estamos de mãos vazias. Maria, faz nos entender que o amor ao próximo,  é  imperativo sociológico e psicológico, condição “sine qua non”, para a preservação da  saúde física e psíquica do indivíduo e da sobrevivência humana. Irrompa em nós a alegria do sim para a Vida, para o serviço, para a abertura para os irmãos.                           

Faça florescer  em nós a alegria do sim para a Vida, para o serviço, para a abertura para os irmãos. Dê nos a graça de entender que o Pai quer nos dar a felicidade de compartilhar da criação.

Dá nos a coragem de oferecer generosamente  nosso tempo, nossa força a quem de nos precisar.

Ajuda-nos a transmitir a gratuidade da vida e mais ainda, de ver no vulto transfigurado de todos os sofredores e criminosos, o Vulto Santo do “Ecce Homo”  Eis o homem, que as covardias de todos os Pilatos oferecem à selvageria humana sem que  ninguém  se incomode.

 Ensina-nos que a verdadeira vingança é o perdão, dar a vida.

Que os pastores da igreja de Jesus se vistam de simplicidade, saibam usar  o avental do serviço, não apenas nas cerimônias da quinta-feira santa.

Que saibam não apenas reconhecer as falhas de séculos passados, mas que, fitando o olhar nos olhos do Salvador, saibam reconhecer e chorar pelos pesos que, hoje, impõem inutilmente ao povo de Deus. 

Que deixem de lado triunfalismos e a orgulhosa infalibilidade para viver com e para o povo humilde.

Com Antonio Bello, bispo de Molfeta, cidade da Itália pobre, permito-me implorar:

“Santa Maria, mulher que participa, nós te imploramos pela Igreja, que, ao contrário de ti, ainda demora tanto, para juntar-se corajosamente com os pobres. Na teoria declara a “opção preferencial” em favor deles. Mas, na prática, muitas vezes, se deixa seduzir pelas manobras dos poderosos.

Nas formulações de seus projetos pastorais decide de apoiar os últimos. Nos percursos de seus itinerários se mantém prudentemente ao coberto, abraçada aos poderosos, aos ricos  e a eles se mantém abraçada. Ajuda-a, o Mãe de Deus, a sair de sua medrosa neutralidade...”

E quando tudo nos parece perdido, tudo inútil e sem sentido, quando crucificados pelas vicissitudes humanas, sem nada poder fazer, ao ver um nosso irmão pregado na cruz ao nosso lado, lhe oferecermos um olhar de amizade que signifique: "Pai perdoe: Hoje inicia a festa.

Amanhã estaremos no Paraíso. Na plenitude da festa eterna de Deus".

Maria, ensina-nos a cantar, dançar e viver o teu antigo e sempre novo CD e assim:

                              NOSSA ALMA PROCLAMARÁ A GRANDEZA DO SENHOR.

                                     E NOSSO ESPÍRITO  FESTEJARÁ A DEUS,

                                         NOSSO SALVADOR!   AMÉM.