Resenha do XVII Encontro Nacional das Famílias dos Padres Casados
O XVII Encontro Nacional das Famílias dos Padres Casados, realizado no Centro de Treinamento Cristo Rei, em Camaragibe, município da Região Metropolitana do Recife, reuniu cerca de 100 participantes representando 13 estados brasileiros, entre os dias 10 e 13 de janeiro de 2008. Primando pela descontração e informalidade, o encontro foi um momento de fraterna comunhão entre os presentes, que foram brindados com ótimas reflexões feitas pelo bispo Dom Sebastitão Armando Gameleira, da Diocese Anglicana do Recife, pelo padre José Comblin e por Jorge Ponciano, de Brasília. Além das palestras, outro ponto forte do encontro foram as mesas-redondas, que contaram com depoimentos que enriqueceram bastante os presentes, com exemplos de vida e dedicação ao Povo de Deus..
Quinta-feira (10 de janeiro)
O encontro começou na noite da quinta-feira, 10 de janeiro, com a abertura dos trabalhos feita pelo presidente do encontro, Félix Batista Filho, do Recife, e do presidente nacional da Associação Rumos, Armando Holocheski, do Paraná. Infelizmente, o representante da CNBB - Regional Nordeste II, convidado e confirmado, não compareceu. Perdeu a oportuinidade de,como bispo, assistir o início de um belo encontro. Tudo por medo, segundo me informaram, do arcebispo de Olinda e Recife. É triste, mas é verdade.
Numa cerimônia simples, os 13 estados participantes foram representados por velas acesas colocadas na mesa principal, simbolizando a luz que iradiamos como movimento. Na abertura, tivemos também a presença do prefeito do município de Camaragibe, João Lemos, que é sobrinho do padre casado João Lemos, de Macéio. Félix destacou, ao dar as boas vindas aos participantes em nome do grupo do Recife, a luta pela justiça e liberdade enfrentada pelo povo pernambucano, presente em vários momentos da nossa história. Bem como da participação do clero nordestino, e particulamente de Pernambuco, nessa luta de libertação. Armando Holocheski deu as linhas de como o Movimento dos Padres Casados deve caminhar. Tudo era um ótimo prenúncio dos dias felizes que íamos viver ali, naquele antigo seminário.
Sexta-feira (11 de janeiro)
Na manhã da sexta-feira, sob a orientação de Mário Palumbo, a Meditação Cristã na Capela. ´Logo após, aconteceu a primeira mesa-redonda, com depoimentos sobre a participação política, social e familiar do padre casado. Destaque para o comovente depoimento de Cristiane Crespo, filha de Paulo Crespo, que descreveu de forma magnifíca como é ser filha de padre ( o texto completo está publicado no site Ora et Labora). Tivemos também outros depoimentos como o do padre Casado Jorge Barbieri, que é vereador do PT na cidade de Limoeiro, Agreste de Pernambuco. Também de Maurinho e Regina, de São Paulo, e Sofia e João Tavares,do Maranhão.
Á tarde, após o almoço, a primeira ação integradora do grupo. O passeio aos dois dos importantes centros culturais do Recife. Na primeira parada,a Oficina do artista plástico Ricardo Brennand. Lá, os participantes do encontro puderam conhecer toda a obra do artista,espalhada pela antiga fábrica de cerâmica que herdou da família, no bucólico bairro da Várzea. Local único no mundo, em meio a uma mata preservada e banhada pelo Rio Capibaribe, conhecer a Oficina Cerâmica de Brennand é, sem dúvida, uma passeio imperdível.
Em seguida, visitamos o Instituto Cultural Ricardo Brennand, que reune a maior coleção do artista Frans Post, pintor que integrou a comitiva do Principe Maurício de Nassau e retratou o chamado "Brasil Holandês". Além das exposições permanentes, o Instituto abriga ainda a maior coleção de armas brancas do mundo, adquirida pelo colecionador pernambucano Ricardo Brennand durante cinqüenta anos e exibida num verdadeiro castelo medieval, chamado Castelo São João.
À noite, para finalizar o dia, nossa homenagem ao ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, com a exibição do vídeo "O Dom da Paz", realizado para a TV Globo Recife, por ocasião das comemorações dos seus 90 anos, em 1999, pelo jornalista Félix Filho. Em seguida, lançamento de vários livros, entre eles "O Joaseiro Celeste", do colega Franciso Salatiel, de Brasília.
Sábado ( 12 de janeiro)
Começamos o dia, como sempre, na capela do antigo seminário Cristo Rei. Local acolhedor que nos recebeu para a "Meditação Cristã", brilhantemente conduzida por Mário Palumbo. Quem não gostaria de ter ficado um pouquinho mais por lá, rezando e meditando? Mas, logo era a hora dos trabalhos. E desta vez quem estava conosco, para nos ajudar na reflexão, era o padre José Comblin, que dispensa qualquer apresentação.
Antes, porém, a mesa-redonda do dia com os depoimentos sobre nossa vivência de igreja.E qual não foi a surpresa de todos ao ouvirem os belos e corajosos depoimentos de Bernardo e Marta, Isaac e Socorro, casais do grupo do Recife que apresentaram suas experiências de engamento pastoral nas comunidades onde vivem. Tivemos ainda os depoimentos, não menos importantes, do bispo Edson Luiz, de Brasília, e de Joarez Virgolino, do Paraná.
O padre Comblin falou quase duas horas. Mas ninguém arredou o pé do salão. Fez uma oportuna reflexão sobre "Igreja, Povo de Deus".
Á tarde, após o almoço, nossos trabalhos continuaram com o debate sobre "A Missão do Padre Casado". E como foi bom ouvir as brilhantes e proféticas palavras do colega Jorge Ponciano, de Brasília. Ele discorreu, com muita propriedade e competência, sobre os problemas psicológicos que amarram muitos padres casados e o impedem de exercer, livremente, o ministério, quebrando os paradigmas da nossa formação. Seguiu-se um bom debate sobre nossa missão. E aqui um ponto que gostaria de destacar. Mesmo com posições divergentes, o clima no encontro foi muito bom. Não houve aquelas intermináveis querelas, nem muito menos agressões entre os colegas. Reinou um respeito pelas idéias e, principalmente, uma fraterna compreensão dos caminhos do MPC/Rumos.
O respeito, acima de tudo, prevaleceu. Acho que esse foi o grande amadurecimento do nosso movimento. A compreensão vital que o caminho pertence a cada um em particular e que cabe ao movimento, apenas, o incentivo e o encorajemento das diversas experiências vividas. Chegamos também a conclusão que podemos caminhar sem a hierarquia. Ela, muitas vezes, mais atrapalha que ajuda. Não queremos nos fechar como movimento - muito pelo contrário - mas entendemos que não precisamos do aval ou beneplácito de ninguém para anunciar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos livres, sem amarras, profetas do novo tempo. Lembro, aqui, uma importante conclusão deixada por Jorge Ponciano na tarde do sábado: o importante é cada um viver em paz com sua consciência , junto com sua família.
Na segunda parte da tarde, do sábado, teve início a Assembléia Geral da Associação Rumos, sob o comando do casal presidente Armando e Altiva. Foram feitas as modificações necessárias para modernização do estatuto da AR
Dentro do objetivo de integrar o grupo, a noite do sábado foi de festa. Preparamos para o grupo uma verdadeira FESTA PERNAMBUCANA. Com tudo o que eles tinham direito.
Primeiro, uma exibição de frevo. Alunos da Escola Municipal de Frevo, mantida pela Prefeitura da Cidade do Recife, apresentaram parte do espetáculo que conquistou, num festival em Nova Yorque, nos Estados Unidos, o segundo lugar em grupos folclóricos.
Não precisa dizer como foi rica a apresentação e da maestria dos passistas. Encantaram a todos os presentes.
Depois, nos jardins internos do centro de treinamento, uma exibição do Maracatu, outra manifestação genuinamente pernambucana. Teve gente até tentando ensaiar, timidamente, uns passos de maracatu. O grupo Bacnambuco, com 50 integrantes, apresentou esse ritmo forte e contagiante de Pernambuco. Um batuque que veio das senzalas dos engenhos pernambucanos.
E a festa continuou noite adentro com um conjunto, formada por seis músicos, tocando muito forró e músicas dos anos 60, que era para ninguém ficar parado.
Além da música, claro que ninguém é de ferro, uma mesa com as mais diversas especialidades da culinária pernambucana: Uma mesa que fez muita gente ganhar uns quilinhos a mais. Além da tapioca e do queijo assado na hora, uma variadede de bolos (bolo de rolo, pé-de-moleque, macaxeira, Souza Leão, etc), comidas como "escondidinho de carne-de-sol", arrumadinho de charque, entre outras. Para acompanhar, vinho pernambucano, produzido no Vale do São Francisco, em Petrolina.
A festa contagiou a todos e só terminou por volta das 11h30m
Domingo ( 13 de janeiro)
O dia começou com chuva. Fato muito incomum nesta época do ano no Recife. O normal é muito sol e poucas nuvens no céu, afinal estamos em pleno verão nordestino. Na sala de reunião do encontro, os participantes ultimavam as modificações no Estatuto da Associação Rumos. Aprovado o estatuto, era hora de escolher a nova diretoria de Rumos.
O grupo do Recife, depois de uma reunião interna, decidiu aceitar a indicação dos presentes ao encontro. Assim, por unanimidade, PERNAMBUCO foi aclamado e passou a sediar a nova diretoria da Associação Rumos/Movimento das Famílias dos Padres Casados. Á frente da nova diretoria, como presidente, o casal Félix e Fernanda Batista, tendo como vice o casal Francisco e Keity Rocha. Cristiane Crespo, filha de Paulo Crespo assumiu a secretaria. O casal Mateus e Regina Hande, são os novos tesoureiros, entre outros colegas do grupo de Pernambuco. Além desse grupo, também foram escolhidos outros colegas para atividades essenciais do movimento, como João Tavares, confirmado como moderador; o colega Gilberto como novo editor do Jornal Rumos, entre outros.
Ao final da assembléia todos se dirigiram para capela do seminário. Lá, num clima de concórdia, paz e fraternidade encerramos nosso encontro com uma celebração Eucarística. Simples e comovente. Dois destaques: a presença dos nossos filhos nos cantos da celebração. Meus filhos, Felipe Emanuel e Félix Neto, juntamente com Mateus, filho de Mateus e Regina, assumiram e ensaiaram todos os cantos da missa; e a reflexão feita pelo casal Bernardo e Marta, sobre as bem-aventuranças ( o texto completo está publicado no site Ora et Labora). Ao final, todos de mãos dadas e dançando uma ciranda no meio da igreja, cantamos que "Deus chama a gente para um momento novo", música do poeta cearense Zé Vicente.
Á tarde, após o almoço, o passeio de encerramento do encontro, para os que quiseram ou puderam participar. No início do passeio uma parada surpresa na Igreja das Fronteiras, na frente da pequena casinha - nos fundos da igreja - onde viveu e morreu Dom Hélder Câmara. Lá pudemos admirar a simplicidade de um arcebispo que deixou o Palácio Episcopal para morar nos fundos de uma igreja, numa casa simples, quase sem janelas.
Depois, seguimos o roteiro: Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado de Pernambuco, construido em 1841 no mesmo local onde o Princípe Maurício de Nassau mandou fazer o seu Palácio de Friburgo. Em seguida, um inesquecível passeio pelo Rio Capibaribe, admirando as pontes que ligam as duas ilhas que formam o centro da cidade - verdadeiro cartão postal - e que dão ao Recife o título de Veneza Americana ou Brasileira.
Por fim, fomos conhecer o bairro histórico do Recife Antigo, onde a cidade começou, com direito a acompanhar rapidamente um bloco de carnaval que estava passando na Rua do Bom Jesus, antiga dos Judeus, além de visitar o Paço Alfândega, um shopping construído num prédio histórico do século XVIII, totalmente recuperado.
Este é um breve resumo do que foi nosso encontro no Recife. Muito se pode escrever,ainda, para narrar os dias maravilhos que, creio, todos viveram ali, no Centro de Treinamento Cristo Rei, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. O encontro da VIRADA como tantos colegas, carinhosamente, o chamaram. E, acredito, que o Espírito Santo esteve por lá, sempre presente, para nos indicar o nosso caminho e fortalecer a nossa caminhada. Foram tempos tão fortes que, emocionados, esquecemos de fazer um documento. Nem precisava! Afinal, foram todos os outros documentos feitos nos encontros anteriores foram ignorados pela hierarquia. O que vale são os nossos depoimentos sobre o encontro. Esses, sim, são os verdadeiros documentos. Documentos vivos que, mais que palavras, falam da nossa vida.
Félix e Fernanda Batista
Presidente do XVII Encontro Nacional das Famílias dos Padres Casados
Presidente Nacional da Associação Rumos/MPC