Saúde diz respeito à plenitude da vida. A paz é a tranqüilidade da ordem. A fruição de ambas constitui o bem-estar. Saúde e paz representam o anseio principal de cada pessoa e dos povos.
Mas quais os caminhos para atingir tais objetivos e o que eles realmente significam? Já diziam os romanos: “Si vis pacem, para bellum – Se quiser a paz, prepara a guerra”. Era a filosofia pragmática do Império. Para manter a “tranqüilidade da ordem” foram construídas as famosas vias romanas que alem de tudo fazer confluir para a Urbe, (grãos, escravos ouro e obras de arte) constituíam o meio indispensável da manutenção da segurança.
Pelas vias romanas corriam (correios) as mensagens, as leis, ordens, os decretos. Por estas mesmas vias se deslocavam rapidamente as legiões para coibir qualquer tentativa de insurreição ”subversiva”.
Assim se mantinha a paz. Nesta paz romana nasceu Jesus Cristo. Parece absurdo, mas a finalidade da guerra, dos conflitos é a paz.
O século que há pouco findou, é caracterizado por centenas de guerras: duas mundiais, em seguida a guerra fria que nunca acabou e mantém a humanidade em pânico, pois qualquer pequeno déspota tem poder de provocar a destruição total da vida na terra.
Não menos nefastos são os conflitos comerciais das nações e das multinacionais que imolam no altar do lucro indivíduos e provocam autênticos genocídios. Veja os laboratórios de indústrias farmacêuticas que não permitem a entrada dos remédios genéricos para manter os exorbitantes lucros (África do Sul).
Nosso bom povo brasileiro vive alegre o carnaval da “nova paz romana” do mais moderno e ortodoxo neoliberalismo, enquanto assiste inerte, à dizimação dos seus jovens vítimas do narcotráfico.
Na nona potência industrial, crassam doenças endêmicas e uma boa parte de sua gente mal vegetam em estado de miserabilidade.
Tudo indica que há milênios a humanidade continua no caminho da paz romana, sem encontrar nem saúde nem a verdadeira paz!
Quem tenta uma solução social ou psicológica, muitas vezes, acaba na tentativa quixotesca da solução a mão armada, ou se isola em misticismos diversos fecha-se em restrita cerca de amigos, ou mergulha sozinho na própria esquizofrenia.
A grande maioria vive morrendo na mais absoluta inconsciência de um “carpe diem” da sobrevivência do dia a dia, hipnotizado pelo último capítulo da novela, ou da cervejinha pós-meridiana.
Cinco séculos antes da nossa era, Buda busca a paz no esquecimento da dor, da emoção e de si próprio, para comungar com a totalidade do ser e do cosmo. Sócrates procura a verdade do homem no homem e morre vitima do homem. Outros entendem que a solução reside na educação para conduzir o homem, mas para onde?
Neste triste pesadelo, como nos contos de fadas, existiria um príncipe encantado, que com um beijo possa dar vida?
Seria o Cristo o verdadeiro Príncipe da paz? Após dois milênios de cristianismo não parece existir a paz anunciada nem a prometida vida plena. Gandhi, místico hindu, desapegado de si e dos bens materiais, lamentava que os cristãos não viviam a boa nova do Nazareno.
A autoridade clerical, muitas vezes, mais preocupada com espúrios conúbios com o poder do que com o serviço, perde-se em elaborações de teologias apologéticas em defesa do monopólio da divindade e de sua mal explicada infalibilidade.
A própria louvável teologia da libertação, no afã de traduzir na prática o evangelho, concentrando-se no serviço do próximo, na tentativa de eliminar as causas das gritantes injustiças sociais, às vezes, esquece-se da raiz do cristianismo.
Apesar de todas as perversidades humanas, das quais ninguém está livre, o Espírito de Cristo nunca deixou de pairar sobre a terra árida da humanidade, que é o seu Reino.
Lentamente, mas inexoravelmente, como a semente que morre na terra, o Verbo, a Palavra irrompe da terra e germina em salvação, vida e paz. Surgem assim Teresa de Calcutá, Herbert de Souza, o Betinho, Irmã Dulce, Luter King e milhares de pessoas famosas ou escondidas no anonimato do terrível quotidiano.
Tudo isso é poesia? Exceções perdidas no oceano da catástrofe humana?
Qualquer tentativa ou esforço humano seria inútil, sem Aquele que edifica a paz, o único que pode dar saúde total e vida em abundância! O que é impossível para o homem, é possível para Deus! Trata-se apenas de deixar ao Espírito de Cristo agir. Só assim é viável a reconquista do cristianismo perdido.
Permitindo ao Espírito de Cristo penetrar nas entranhas do nosso ser será possível o esvaziamento budista, o desapego do Gandhi o milagre da perfeita letícia de Francisco de Assis que realiza o conúbio do pequeno ser humano com o Ser Maior e Absoluto e Nele com o cosmo na fraternidade universal.
Sem esta abertura ao divino, a renúncia a si mesmo e o desapego aos bens materiais, haverá a continuidade da “paz romana”, o homem será sempre lobo para o homem. O mais forte esmagará o mais fraco. As religiões continuarão a se digladiar na disputa do monopólio do divino. A “sagrada fome do ouro” (droga), continuará a dizimar nossa juventude.
Permitindo a habitação do Espírito de Deus em nós, nosso ser será invadido pelo amor. O amor é o verdadeiro nome de Deus e tem o poder de restabelecer a saúde e a paz. Passaremos a pertencer a Cristo e com Ele, conquistaremos a terra. Tudo será nosso. O outro não será mais inferno, mas irmão, pois estará inserido no Outro Maior, que é a essência do nosso pequeno ser, a Vida Plena, a Saúde Total e Paz!
*Data de Publicação no Ora et Labora.