“É preciso que o bispo seja sóbrio, ponderado, educado, hospitaleiro, apto para o ensino; que não seja dado ao vinho e nem violento; pelo contrário, que seja manso, pacato, não cobiçoso”.
Estas qualidades elencadas pelo Apóstolo encontram-se na maioria dos nossos bispos, padres e diáconos.
Há exceções que nos tempos modernos parecem em franco aumento.
Qual seriam as causas?
Ao nosso modesto ver, as causas podem ser encontradas na formação e escolha do clero
Adolescentes e jovens, de boa índole e com tendências religiosas, ignaros da vida, sem nenhuma experiência de luta pelo pão de cada dia, são colocados em seminários, hoje com disciplinas bem mais abertas e menos severas do que trinta, quarenta anos atrás. Estes jovens são fortalecidos em seus ideais de religiosidade, através de conteúdo literários, sem uma verdadeira experiência de vida, chegam às ordens com as melhores das intenções, que, muitas vezes, camuflam o verdadeiro fundamento do apostolado e da vida cristã que consiste no despojamento de si mesmo, na aceitação da cruz para o autêntico seguimento de Jesus.
Isso vale também para religiosos e religiosas.
A vontade do ideal, nos casos negativos, esconde verdadeira idolatria ao próprio ego que suplanta o culto a Deus com conseqüências nefastas para o próprio povo de Deus. Feitas as devidas exceções, muitos padres, recém formados, estão mais preocupados, com seus carros O Km, apartamentos, onde ninguém os possam perturbar...
Assim explicam-se os desvios clericais, seus excessos de autoritarismo, individualismo, má educação, insobriedade, violência disfarçada com devocionismos, cobiça, apego demasiado aos bens materiais, sem falar dos desvios sexuais, hoje amplamente conhecidos.
“É preciso que seja apto para o ensino...”
Não se trata de transmitir uma informação, ou um teorema, mas o amor, a vida e isso só são transmissíveis por pessoa viva e que viva.
Se em lugar desta formação artificial, voltássemos a seguir as orientações de 1Timóteo 3,1-7, nas quais o Apóstolo claramente sugere que os presbíteros sejam escolhidos entre pessoas experimentadas por um longo período de casamento bem sucedidos, talvez fossemos mais sérios.
O bispo, presbítero, ou diaconisa conforme o Apóstolo devem ser bem casados e “saber governar a própria casa, pois, se não souberem governar a própria casa, são palavras do Apóstolo, como poderão cuidar da igreja de Deus?”
“Que não seja um neófito, continua São Paulo, para não acontecer que ensoberbeça e incorra na mesma condenação que atingiu o diabo”.
Quantas vezes paróquias são dirigidas por jovenzinhos, cheios de autoritarismo e infalibilidade melíflua que para eles seriam de origem divina, quando na verdade, não passam de puro narcisismo, por causa de uma bagagem abstrata e apenas intelectualizada, carente da formação do coração, forjada em um diuturno serviço aos irmãos.
Obedecendo à ordem divina, nos templos, elevam-se constantes orações, para que o Dono da messe envie operários. Isso é louvável, não seria também louvável, que cada paróquia escolhesse e apresentasse ministros e presbíteros conforme os critérios paulinos? As missas dominicais no Brasil, geralmente são bem freqüentadas, com certeza em cada missa poderíamos escolher ao menos um(a) vocacionado(a) para o presbiterado conforme a orientação paulina. Não seria assim, resolvido a escassez do clero e missionários?
Se o texto paulino, não for taxado de apócrifo, parece estar em sintonia da modernidade que caminha para ampliar a participação popular na gestão da coisa pública. É melhor voltar ao texto:
“É preciso, que ele (bispo ou padre) receba testemunho favorável dos que não pertencem à comunidade, para que não venha a cair em descrédito e no laço do diabo”.
Daí fica claro que, se até os que não pertencem à comunidade cristã, direta, ou indiretamente devem, de qualquer maneira, participar na escolha dos bispos (presbíteros), quanto mais esta participação não deveria ser um direito da própria comunidade? A volta às origens é sempre medida sábia. É certo que Espírito do Fundador paira sobre a terra árida, mas sabemos também, que é obrigação da igreja - Povo de Deus - alertar o Pedro (Papa) sobre os problemas criados por imposições, nada bíblicas, comparáveis com as leis da circuncisão que os primeiros cristãos vindos do judaísmo queriam impor aos cristãos não israelitas.
O aumento dos diáconos permanentes, talvez seja premonitor e sintomático Já aumenta o numero de bispos que tem coragem de falar disso à Pedro e à Comunidade. Afinal de quem é a Igreja? O que é a Igreja? Não é a união do povo com o Pai, Filho e Espírito Santo? Com certeza a nossa Santa Mãe Igreja escutará o Espírito Santo que fala nas Escrituras e no clamor silencioso do POVO DE DEUS que tem sede da Palavra e da dádiva dos Sacramentos.