O Sínodo dos bispos em Roma reúne personalidades no mundo inteiro, ligadas a estudo e vivencia da palavra de Deus.
Fundamentalistas costumam absolutizar o valor da bíblia como forma exclusiva e incontestável da manifestação divina, esquecendo que o próprio livro santo contesta a rigorosa interpretação literária: “A letra mata, o Espírito vivifica”
A bíblia é uma das manifestações divinas entre tantas outras.
Se a bíblia fosse condição essencial e única para o relacionamento com Deus, só pouquíssimas pessoas poderiam ter acesso à divindade. Pois na história e também nos tempos modernos, poucas pessoas tem acesso à leitura.
Deus não pode ser aprisionado em um livro. Estamos constantemente mergulhados no divino: O Pai nos fala no silencio de uma flor, no esplendor quotidiano do nascer do sol, como na impetuosidade do vento, na maravilha da vida humana. Duas coisas encantavam o Emanuel Kant: o céu pontuado de estrelas e a lei moral escrita no coração do homem.
Deus fala através do exemplo e dos ensinamentos dos pais, da tradição cultural a quem cada pessoa pertence. Cabe aqui lembrar a palavra do apóstolo Paulo que diz que: “Deus fala em muitas maneira”
Bem foi lembrado no Sínodo que Cristo é a própria Palavra Viva, a ligação com o Pai: Cristo histórico, o Verbum Scriptum, a bíblia são caminhos que apontam o Pai, mas quem nos leva a Ele é o Cristo Ressuscitado, vivo no seu Espírito dentro do coração de cada um, vivo na sua Igreja que abrange a inteira humanidade.
Muitas pessoas podem não conhecer, ou nunca ter ouvido falar da pessoa de Jesus Cristo. Mas, Jesus é a personificação da própria vida e da verdade. Quem seguir a própria consciência, quem for coerente com a vida e com a verdade, mesmo não conhecendo a figura histórica de Jesus Cristo e nenhuma bíblia sagrada, esta pessoa está unida ao Cristo e por isso ao próprio Deus. A discussão e o estudo dos padres sinodais é sumamente interessante. Pois, são pessoas de profundo conhecimento e dedicação ao serviço da palavra de Deus. Eles sabem de não possuir o monopólio da sabedoria divina, e sabem que Deus de preferência manifesta-se aos pequeninos, aos rejeitados pela sociedade orgulhosa: “Te agradeço, o Pai, pois, escondestes estas coisas aos grandes e as revelastes aos humildes”.
A história da humanidade fornece muitos exemplos destas manifestações divinas, basta lembrar Francisco de Assis, Catarina da Siena, Gemma Calgani, Teresa de Lisieux, Irmã Dulce, Paulo Freire e muitos outros não necessariamente católicos, como Gandhi, Martim Luter King, Hebert de Souza, nosso Betinho, Dalai Lama, Xico Xavier, mesmo, todos, com suas limitações.
Em nosso site temos músicas do cantor José Vicente, que na simplicidade do ritmo nordestino, canta Deus e a sua palavra divina. Músicas simples que conduzem à contemplação de Deus e a aceitação do seu amor em nós. Cristo habita a liberdade, aliás Ele é a própria liberdade que nos permite espaçar no infinito do seu amor e afugenta o medo e todas as escravidões, inclusive a leitura fanática da bíblia.