Vozes e veredas do Senhor. De Isaías e seus discípulos até João Batista, numerosas e potentes foram as vozes dos profetas que contribuíram para preparar, aplainar ou redirecionar as veredas do Senhor. Até o dia em que Jesus, ele mesmo, torna-se «o caminho» para o Pai. Este domingo é como que um domingo de articulação: faz a passagem da vida escondida de Cristo, em Nazaré, à sua vida pública. Passagem importante: Cristo, nas águas do Jordão, nos foi apresentado como o Filho do Pai, enviado ao mundo para a libertação da humanidade. E, assim, ficamos sabendo que somos todos filhos e filhas de Deus.

Textos deste Domingo

1ª leitura: «Eis o meu servo: ele não clama nem levanta a voz; não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio ainda fumegante» (Isaías 42,1-4.6-7).

Leitura do Livro do profeta Isaías:
Assim fala o Senhor: ?Eis o meu servo ? eu o recebo; eis o meu eleito ? nele se compraz minh?alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações.
Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos.
Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas?.



2ª leitura: «Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder» (Atos 10,34-38).

Leitura dos Atos dos Apóstolos:
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: ?De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença.
Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.
Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele?.


Evangelho: «Enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus» (Lucas 3,15-16.21-22)

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: ?Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo?.
Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: ?Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer?.

O simbolismo do batismo
Estamos à primeira vista diante de uma incoerência: Jesus que se submete a um rito destinado a preparar a sua própria vinda. E mais, o batismo de João é «um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados» (Lucas 3,3). Quem, no entanto, pode reconhecer o Cristo como culpado de qualquer pecado? Para compreender isto, é preciso levar em conta o simbolismo do Batismo: a imersão na água, morta e mortífera, e o soerguimento para fora do «abismo», fazendo-nos repetir os cenários da nossa criação e do nosso nascimento, passando-se este por aquele. Também é preciso superpor a isto a nossa travessia da morte, através da Paixão e da Ressurreição do Cristo. Para resumir, Jesus se fez batizar por João porque acabara de se fazer solidário com os pecadores, prefigurando por meio deste rito a hora em que iria assumir a face das nossas dores e do nosso mal. «Deus o fez pecado», dirá Paulo (2 Coríntios 5,21). Eis, portanto, logo de início anunciado no Evangelho, o termo final de seu percurso.

"O céu se abriu"
Estivera, então, fechado o céu até aquele momento? Em certo sentido, sim. O que este «céu» representa somente vai abrir-se na Ascensão e na vinda do Espírito Santo que, naquele instante, descia sobre Jesus. As presenças simultâneas do Espírito e da água (batismal) remetem-nos mais uma vez aos primeiros versículos do Gênesis, em que o Espírito de Deus sobrevoa (a palavra hebraica evoca o voo de um pássaro) o abismo. «Deus criou o céu e a terra» como duas realidades separadas. Daí em diante, mesmo se céu e terra guardem entre si as suas diferenças, ambos foram postos em comunicação. Mas Jesus, em sua humanidade, só poderia ser declarado Filho depois de ter-se unido aos homens pecadores nas águas pascais. É característico que a citação do Salmo 2, «Eu hoje te gerei», seja usada ao mesmo tempo para o nascimento do Cristo, para o seu Batismo (segundo a versão mais provável) e para a Ressurreição (cf. Atos 13,33; Hebreus 1,5, etc.).

Um resumo do mistério
Paulo, em Romanos 1,4, dirá: «estabelecido Filho de Deus com poder por sua ressurreição dos mortos». Mas já não o era desde antes? Sim, só que foi preciso tornar-se Filho enquanto carregado de toda a nossa humanidade, na qual ele mesmo se enterrou, para fazer-nos atravessar as portas. Por ser o Filho desde toda a eternidade é que pode tornar-se o Filho na espessura do nosso tempo. Pelo motivo de seu Batismo recapitular toda a obra da salvação e de antecipar o seu final glorioso é que, desde o início, pode ser declarado Filho, o «Primogênito» dentre os mortos (Colossenses 1,18). A palavra do Pai, «Tu és meu Filho», foi dita com vistas a nós, que daí em diante temos de ver nele o Único, o depositário do Amor e do Espírito. Mas também foi dita para Ele, que desde então poderá se pôr a caminho para afrontar e superar todas as tentações do homem (Lucas 4). 

A PARTILHA DAS REFLEXÕES BÍBLICAS É UMA PARCERIA ENTRE
XICO LARA E O CENTRO ALCEU AMOROSO LIMA PARA A LIBERDADE/CAALL
NOTA: A partir de todas as terças feiras, as "Reflexões Bíblicas" semanais podem ser acessadas também no facebook "CentroAlceu Amoroso Lima

CENTRO ALCEU AMOROSO LIMA PARA A LIBERDADE/CAALL
Rua Mosela, 289 - Mosela - Petrópolis - RJ ? Brasil CEP 25675-481 Tel./Fax: 55 (24) 2242-6433