Em gesto dramático depois de um retiro espiritual sem precedentes no Vaticano, o Papa Francisco ajoelhou-se para beijar os pés de líderes do Sudão do Sul que viviam em guerra pelo controle do país. O Pontífice apelou que eles não voltassem a travar uma guerra civil pelo poder.

Franciscou pediu ao presidente Salva Kiir, seu ex-vice que virou líder rebelde Riek Machar e três outros vice-presidentes que respeitem o cessar-fogo que assinaram e se comprometam a formar um governo de união no próximo mês.

Eu peço a vocês, como irmão, que fiquem em paz. Estou pedindo com meu coração, vamos em frente. Haverá muitos problemas, mas eles não vai nos superar. Resolvam seus problemas ? destacou o Papa, em declarações de improviso durante a reunião.

Os líderes pareceram surpresos quando o argentino de 82 anos, ajudado por seus assessores, ajoelhou-se diante de cada um e beijou seus sapatos.

Francisco confirmou o desejo de visitar o Sudão do Sul.

? Penso incessantemente nessas almas sofredoras e imploro que o fogo da guerra se apague uma vez por todas ? disse o Papa.

As palavras do Papa ganharam força no momento em que a ansiedade cresce no Sudão do Sul por conta do golpe de Estado no vizinho Sudão. O temor é de que a transição de poder logo ao lado coloque em xeque o frágil acordo de paz que pôs fim a uma sangrenta guerra civil entre os territórios.

O Vaticano reuniu líderes do Sudão do Sul para 24 horas de orações na residência do Papa, em uma tentativa de amenizar as divergências locais um mês antes de a data marcada para o país abalado pelo histórico de guerra estabelecer um governo.