O Ora et Labora não pode deixar passar em branco esta data tão importante, não
apenas para o monarquismo, mas para toda a civilização cristã.
A espiritualidade de são bento é baseada na simplicidade da mensagem: ora et
labora reza e trabalha. Lema que nós emprestamos Dele. Não vamos nos deter
sobre a influência deste Santo em nossa civilização. Ele que foi chamado o último
dos grandes romanos. Apenas queremos, neste dia, sublinhar o fato de que a vida
dele incomodou monges e vigários.
São Bento, na sua regra, prescreve o não matar. É de estranhar que uma regra
escrita para monges tenha este mandamento. Será que pessoas que dedicam suas
vidas totalmente à religião, seriam capazes de matar alguém? Infelizmente a
história e a própria vida do Santo respondem que sim.
Por três anos viveu escondido na gruta de Subiaco. Seu biógrafo, São Gregório
Magno, disse que no eremitério habitou consigo. Fugindo dos atrativos mundanos
de Roma, encontrou a si mesmo no silêncio da oração. A luz que se acendeu em seu
coração não podia ficar escondida. Brilhou! O povo humilde descobriu-o e começou
a procurá-lo. Assim também fizeram os monges de Vicovaro, que insistiram que
fosse o abade deles. Bento resistiu, mas cedeu aos pedidos. 
Quando iniciou a tarefa de orientar e indicar os caminhos ascéticos do combate
aos vícios do egoísmo, do orgulho e da avareza, aqueles monges sentiram-se
incomodados. Tentaram matá-lo oferecendo vinho envenenado. Ao sinal da cruz, o
copo quebrou-se como se o Santo lhe tivesse jogado uma pedra. Depois disso, o
Santo saiu daquele mosteiro e continuou sua vida de procura de Deus na oração e
no trabalho.
Em outra ocasião recebeu de religiosos um pão envenenado. O santo chamou um
corvo que levou embora o pão. Nas suas andanças, foi procurado por jovens que
queriam imitá-lo na vida de oração e trabalho. Fundou então doze pequenos
mosteiros.
O afluxo dos fiéis aos mosteiros provocou o ciúme do pároco do local que via
seus fiéis darem preferência às liturgias celebradas nos mosteiros. O vigário
promoveu uma cilada que tocou profundamente o Santo: enviou meninas seminuas
em volta dos pequenos mosteiros, para aliciar os jovens monges. 
Depois disso, Bento, percebendo que estava incomodando o vigário, e para
salvaguardar seus discípulos, abandonou o local. Deixou Mauro como responsável
pelos mosteiros. Em seguida foi para Monte Cassino, onde fundou o mosteiro no
qual escreveu a sua famosa regra, e prescreveu: Não Matarás.
Será que ainda hoje podem acontecer homicídios em lugares sagrados? 


12 DE JULHO, DIA DE SÃO JOÃO GUALBERTO.
É conhecido como herói do perdão. Ao encontrar o assassino do próprio irmão
em lugar de vingar-se, o abraçou e o levou à igreja. Mais heroica ainda foi a vida
dele. Corajosamente enfrentou abades, bispos, o direito canônico e o próprio
papa, a fim de purificar o vulto da esposa de Cristo, a igreja. Por isso foi apedrejado,
sofreu exclusões. Teve invasões no mosteiro, onde foram mortos vários
monges. Mas os assassinos não atingiram o alvo desejado, João Gualberto.
Naquela época o abade de São Miniato e o bispo de Florença, compraram do
imperador a encomenda dos respectivos mosteiros e diocese. João Gualberto,
monge daquele mosteiro ao descobrir isso, denunciou o crime no mercado de
Florença, mas teve que fugir, pois, os sicários do bispo apedrejaram-no. João se
salvou fugindo para a selva de Vallombrosa, aonde depois veio a fundar aquela
gloriosa abadia. 
No ano 1051 dedicou o altar a Nossa Senhora da Assunção. A montanha de
Vallombrosa tornou-se o forte contra a Simonia e o Nicolaísmo que devastava a fé
cristã e os costumes do clero. Gregório VII chamou João Gualberto de pai na fé.
Para libertar Florença e a abadia de São Miniato da praga da Simonia, enviou
uma delegação de monges até o Vaticano para resolver o problema, mas os monges
não acostumados aos meandros da burocracia e política, foram rechaçados
violentamente pelo Cardeal Pier Damião como linguarudos e locustas da igreja. 
Os ingênuos monges voltaram deprimidos para Vallombrosa. O santo não tendo
mais a quem recorrer, apelou à prova do fogo, não se preocupou com a proibição do
direito canônico da época. Convocou o povo de Florença em plena praça pública,
mandou fazer uma comprida e alta fogueira, onde o seu discípulo Pedro passou por
vários metros encobertos pelas chamas e saiu delas sem qualquer queimadura nas
vestimentas. Diante deste espetáculo o povo obrigou o bispo simoníaco a sair de
Florença. E assim a cidade ficou livre da heresia da Simonia como também a
Toscana e a Lombardia.
Não seria oportuno pedir a São João Gualberto a coragem de obedecer mais ao
Espírito do que às regrinhas humanas que muitas vezes criam obstáculos até para o
nascer da fé? Cristo não foi o grande transgressor?
São João Gualberto é padroeiro das florestas da Itália e do Estado de São
Paulo. 
Poucas pessoas devem saber disso. Os monges de Vallombrosa iniciaram o
estudo cientifico das florestas. Sempre tiveram um cuidado e respeito pela
natureza. Serve a citação de um fato histórico. Proprietária de uma grande floresta
que se estendia até Florença, em 1200 a abadia teve que vender uma parte de sua
propriedade. O comprador começou a cortar árvores. 
Contam os anais do mosteiro, que os monges, juntamente com o abade,
dirigiram-se até àquela pessoa, e ajoelhados, imploraram que não cortasse as
árvores!
Em 1951*,o escrevente Mario Palumbo era noviço a Vallombrosa. O então abade,
dom Emiliano Lucchesi, para salvar as florestas da Itália iniciou um trabalho de
plantio de árvores pelas montanhas, juntamente com alunos das escolas italianas e
conseguiu que Pio XII declarasse João Gualberto padroeiro das florestas da Itália, e
do Estado de São Paulo.
O abade Lucchesi estendeu este trabalho de conscientização ecológica para o
Estado São Paulo. Conseguiu do prefeito de Florença, Giorgio la Pira, uma estátua
de mármore de Carrara que doou à cidade de São Paulo e que está agora no horto
florestal. Na ocasião proferiu um discurso profético. Contou do estado lastimável
que a guerra provocou nas florestas da Itália. Disse que o Brasil estava em
condições ecológicas excelentes, mas que deveria cuidar dos seus bosques, caso
contrário haveríamos de nos arrepender.
*Neste mesmo ano, 1951, celebrou-se o nono centenário da consagração do altar
de Vallombrosa dedicado à Nossa Senhora da Assunção. Pela ocasião o abade dom
Emiliano Lucchesi mandou fazer uma belíssima estátua em lenho inspirada à obra
do Tiziano. Esta estátua foi posteriormente doada à igreja do mosteiro de Pirituba
de São Paulo.