Há poucos dias estive em Roma para visitar minha irmã freira prestes a entrar no nonagésimo ano de vida 70 do quais dedicados a assistência de famílias necessitadas.
Ganhei das irmãs o livro " Il vangelo guancia a guancia" de Paola Bergamini. A autora descreve em estilo agil a vida de Estevão Pernet fundador das Irmãzinhas da Assunção
O que logo surpreende é que o prefacio é doPapa Francisco.
Para os nossos amigos postamos aqui a tradução do prefacio do Papa
Mario Palumbo


Prefácio do Papa Francisco
Não tinha nem um dia de vida, quando Antonia, uma jovem noviça das Irmãzinhas da Assunção fundada pelo Padre Estevao Pernet, veio à nossa casa, no bairro de Flores, em Buenos Aires, e pegou-me em seus braços.  Fiquei em contato com essa irmã durante toda a vida, até que ela foi para o céu alguns anos atrás. Tenho tantas lembranças relacionadas a essas religiosas que como anjos silenciosos, entram nas casas dos necessitados, trabalham com paciência, cuidam, ajudam e depois retornam silenciosamente ao convento. Seguem sua Regra, oram e depois saem para alcançar as casas dos necessitados. Fazem serviços de enfermagem, de governantes, acompanham as crianças à escola e preparam a comida.
Meu pai( diz o Papa) tinha vários companheiros de trabalho que chegaram à Argentina após a guerra civil espanhola e todos eram anticlericais.
 Um deles, um dia, ficou gravemente doente Aquele homem teve seu corpo coberto de feridas, e sofria muito. Tinha três filhos. A mulher  devia trabalhar e, portanto, ficar longe de casa o dia todo. Quando souberam disso, as Irmanzinhas da Assunção enviaram uma delas para sua casa.
Em se tratando de um caso difícil, a própria superiora foi lá, pois o colega do meu pai era um convicto anticlerical que via como fumaça nos olhos  qualquer abatina.  A freira disse: "Eu vou lá!". Deixo-lhe imaginar o que o homem pude ter dito a essa mulher: palavrões e expressões de baixo calom. Mas ela estava tranquila, fazia o seu  trabalho, cuidava das feridas, levava as crianças para  a escolar, preparava o almoço, limpava a casa. Depois de mais de um mês aquele homem estava curado e  pode voltar à vida normal e ao trabalho. Dias depois,  junto a três ou quatro  companheiros ferrenhos anticlericais como ele, viram passar duas freiras. Um de seus amigos xingou com palavrões as freiras. Então, o colega de trabalho do meu pai primeiro lhe deu um soco  depois disse-lhe: "Sobre  padres e Deus pode dizer qualquer coisas que quiser, mas contra Nossa Senhora e as irmãs nada! ». Imagine? Era um ateu, um anticlerical a defender as freiras. Por que fez isso? Simplesmente porque havia  conhecido o rosto materno da Igreja, viu o   sorriso  de Maria no vulto daquela superiora, aquela irmã paciente que ia cuidar dele, apesar de suas maldições. Aquela mulher consagrada que cuidou de suas feridas, trabalhou como empregada doméstica na casa dele, levou as crianças para a escola e as pegava  de volta. 
 Graças a este livro, ágil, mas cheio de histórias de vida, você pode aprender sobre o trabalho do Padre Estevão Pernet : declarado venerável pelo meu antecessor São João Paolo II em 1983. É uma história feita de rostos, dedicação, gestos de caridade, de pura gratuidade. Uma história que não perdeu seu frescor e sua atualidade. Ainda hoje vivemos um tempo em que a evangelização passa pelo testemunho, de proximidade e caridade. Através do testemunho do rosto misericordioso de Deus, a evangelização nos leva também a apoiar nossa bochecha  à bochecha daqueles que sofrem, de corpo e espírito. Com seu trabalho escondido e silencioso, essas mulheres consagradas seguiram e seguem a inspiração de seu fundador que, em 7 de março de 1867, no mosteiro dos Religiosos da Assunção de Auteuil, disse: «Os pobres, quando adoecem,  estão completamente abandonados, ninguém os ajuda. Por isso, nos oferecemos ao Senhor para que os pobres tenham uma religiosa para fornecer ajuda material. Mas isso não é suficiente para as Irmãzinhas. Vejam, nos tempos em que vivemos, o homem do povo, os operários, homens e mulheres, muitas vezes. são arruinados pelas  más companhias,  por más leituras e, portanto, se afastam de Deus. Nesta situação,  um padre, mesmo quando  quer trazer alívio espiritual para quem está doente  é visto como um pesadelo, um mensageiro da morte. Por outro lado, o que ele pode fazer além de confortar  com as palavras? Mas eles não querem ouvir. Das irmãzinhas, eles não têm medo. Com sua maneira educada de agir, são olhadas com gratidão, e confiam nelas. Com simples gestos de limpeza e medicação, as freiras pregam Jesus Cristo melhor do que qualquer sermão. Sua presença é suficiente. Com paciência, trazem de volta a oração  e as práticas  cristã nessas famílias "(pp. 78-79). Servindo, com paciência e confiando apenas no Senhor, pode acontecer que até os corações das pessoas mais afastadas sejam tocados. Como Maria,  nossa Mãe
nos ensina: a unica força capaz de  conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus. É  isso que encanta e atrai,  que abre e solta as correntes não é a força dos instrumentos ou da dureza da lei, mas a fraqueza  onipotente do amor divino: a força irresistível da doçura  e a promessa  irreversível da sua misericórdia. Aquela doçura  e aquela misericórdia que o Padre Pernet testemunhou  durante toda a sua vida e que as suas Irmanzinhas em tantos países  do mundo continuam a reverberar .
                                            Francisco