Por Mario Palumbo

 

Como cristão sinto me alcançado pelas ofensas a Cristo como a mim mesmo

Os ataques sacrílegos à pessoa de Cristo não são novidade. Desde o nascimento Cristo foi sinal de contradição: amado e odiado. Herodes sentiu-se ameaçado pelo recém-nascido. Não conseguindo matá-lo decidiu exterminar todas as crianças de Belém e da redondeza. O ódio gratuito contra Cristo culminou em frente a Póncio Pilatos com a gritaria da turba instigada pelo establishment religioso-político da época.

Antes de crucificá-lo foi caluniado, ironizado, torturado, recebeu bofetada cusparada na cara. Ao longo dos séculos continua sendo sinal de contradição amado e odiado em sua figura histórica e nos seus seguidores, sempre perseguidos,  odiados martirizados até o momento presente.

Cristo é símbolo da verdade ou melhor, ele é apropria verdade sempre ocultada e negada pela cegueira humana. Ele é o próprio amor substituído pelo egoísmo humano que é a negação do próprio amor

Porta dos Fundos ofende, mas não surpreende. Mesmo vivendo nuns pais de cultura cristã sofremos da eterna dicotomia do conflito entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, a paz e a guerra.

A ofensa a Cristo nos atingem até como pessoas humanas por isso devemos refletir sobre as causas próximas que promovem esses fatos sacrílegos.

Já são Paulo diz que o nome de Deus é blasfemado por culpa dos cristãos.

A isso faz eco a frase de Karl Marx quando se refere à religião como ?ópio povos?

É possível confutar São Paulo e Karl Marx? Quando o cristão ou a religião troca Deus pelo ego ou por interesse políticos- econômico passa a adorar um ídolo. A religião então torna-se fonte de riqueza para, efêmera euforia para o povo devoto que perde seu senso crítico e imerge na alienação. A blasfêmia e a revolta não são mais contra Deus, mas contra o ídolo vestido de deus e o nome dele é blasfemado e a religião se torna ópio dos povos, idolatria. Não mais adoração ao Deus vivo de Jesus Cristo. Do ídolo espera- se bem estar, riqueza e prazeres, milagres. Veja a ideologia da teologia da prosperidade.  Com o deus-ego  tudo torna-se licito até a profanação do santuário sagrado do corpo da mulher ou da criança (pedofilia). Quando a política se instala em forma de teocracia, divulga mentiras e ódio, elogia a ditadura e o extermínio do diferente, quando a política privilegia uma pequena oligarquia e condena ao desemprego e a fome a maioria, está preparando uma bomba relógio que antes ou depois deflagra em destruição e guerra como aconteceu ao longo da história e recentemente no Chile. A turba enfurece contra santuários e imagens sagradas como se fossem causa da miséria, da violência sexual praticada contra mulheres e crianças com o aval tácito do ditador. Veja a amizade de Pinochet e o sacerdote predador Karadima.   Miséria,  violência e guerras não são do verdadeiro Deus, mas da idolatria do dinheiro, da ganância e hegemonia do egoísmo e  prazer vestidos de religiosidade. Contra isso surge a teologia da libertação que respeitando templos e imagens, reconhece que o verdadeiro templo de Deus é a pessoa humana que deve ser, amparada e não crucificada,  pois quando se persegue ou se crucifica o homem é a Cristo que estamos novamente crucificando sobre todos os gólgotas da terra: ?Saulo, Saulo, por que me persegues?? Porta dos Fundos deve ser uma alerta para os cristãos a viver o verdadeiro cristianismo e não uma falsa religiosidade devocional alienante e alienante e separada do próximo.  Religião, "ópio dos povos" é quando vive abraçada ao déspota para oprimir o povo. É isso que provoca a blasfêmia e a sacrílega Porta dos Fundos. Mais cedo ou mais tarde, explode em revolta e destruição, como no Chile.