O fotojornalista Sebastião Salgado afirmou, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que as comunidades indígenas correm risco de extermínio por culpa da pandemia do coronavírus. Durante a quarentena, ele foi o responsável por redigir uma carta aberta aos três Poderes brasileiros alertando sobre os perigos ao povo indígena. "Temos um risco muito grande de um genocídio acontecer. Olha, na época da descoberta do Brasil, os cientistas calculam que deviam ter entre quatro e cinco milhões de indígenas na Amazônia. Hoje, essa população é de 300 mil pessoas. Esses indígenas desapareceram através de doenças de brancos, que praticamente os dizimaram", analisou
"Se o coronavírus entrar nessa comunidade nós temos um risco brutal de extermínio de uma grande parte das comunidades indígenas do Brasil", completou Sebastião, que participou do programa em uma videoconferência direto da França. Para o fotojornalista, que mora em Paris, o dia em que o presidente Emmanuel Macron decretou a quarentena foi comparável com a sensação de uma zona de guerra, "quando a facção inimiga ia atacar, bombardear e a gente tinha certeza que várias pessoas da comunidade que estávamos não estariam depois do ataque, que morreriam". Sebastião ainda crê que o mundo vai mudar após a pandemia, uma oportunidade para pensar no essencial e discutir o "consumo levado ao máximo". "Existe uma espécie de vazio. Esse vazio eu senti com a chegada do coronavírus. Uma parte do sistema produtivo foi paralisado, uma boa parte não essencial. Por exemplo, a indústria automobilística foi paralisada, mas será que precisamos de carros novos? Então talvez essa produção não é tão essencial assim", disse. "Me pergunto se também o coronavírus não é uma oportunidade para a gente pensar no essencial. Será que não seria o momento de se discutir esse consumo levado ao extremo? Então eu acho que é uma oportunidade, esse isolamento é uma grande oportunidade de todos juntos repensarmos o planeta que estamos fazendo", completou.

Fonte: UOL