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Fevereiro

Primeiro dia de desfiles no Rio: enredos engajados, Jesus negro e tensão

POSTADO POR ADMIN ÀS 09:46


O Carnaval na Sapucaí neste domingo teve as atuais campeã e vice na avenida e abordou intolerância religiosa, meio ambiente, preconceito, entre outros temas

Sete Escolas de Samba abriram os desfiles do grupo especial na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, neste domingo, 23, às 21h30. A disputa da elite do Carnaval carioca começou com a Estácio de Sá, seguida pela Viradouro, vice-campeã do ano passado. Passaram pela avenida também a Mangueira, atual vencedora, a Paraíso do Tuiuti, a Grande Rio, a União da Ilha e a Portela. Confira os temas, na ordem de ingresso na avenida:

Estácio de Sá

A vermelho e branco conquistou em 1992 seu único campeonato com Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil. A carnavalesca Rosa Magalhães, uma colecionadora de sete campeonatos por outras escolas, liderou a concepção do enredo Pedra, uma representação da permanência do tempo e também sobre a beleza a origem e a beleza das pedras.

De volta ao grupo especial, a agremiação do Morro São Carlos, na região central do Rio, antes mesmo de entrar na Marques de Sapucaí, homenageou Rosa, que comemora 50 anos de folia. O abre-alas, um dos carros mais bonitos, trouxe desenhos rupestres. A Estácio encerrou o desfile sem atrasos e esquentou a arquibancada para a Viradouro, a vice-campeã do ano passado.

Unidos da Viradouro

Uma das onze escolas a escolher um samba-enredo engajado, a Unidos do Viradouro, vice-campeão no ano passado após ter subido da Série A em 2018, foi a segunda agremiação a desfilar no Sambódromo Fluminense. A escola de Niterói, na região metropolitana do Rio, falou, no enredo Alma Lavada, sobre a vida das ganhadeiras de Itapuã, mulheres escravizadas até o final do século XIX e símbolo de resistência.

A bateria inovou e trouxe um tripé com duas percussionistas tocando timbau. A escola esquentou o setor 1, o mais popular da Avenida, desde que pisou no Sambódromo. A plateia cantou do inicio ao fim a história das aguadeiras baiana.

Forte concorrente ao título de campeã de 2020, a agremiação jogou cocadas ao público, que vibrou. O luxo das fantasias, no entanto, cobrou seu preço e uma baiana desmaiou ainda no início do percurso.

O quarto carro, ?Ciranda de Roda à beira do mar?, trouxe imagens de aguadeiras ainda em exercício e homenagens a outras mulheres que trabalharam em Itapuã. Muitas delas, aliás, estavam no sexto carro. Aos 30 minutos, o som foi interrompido por segundos, mas o público entoou os versos da canção a plenos pulmões.

Com a crise da Cedae no Rio, a escola utilizou água mineral em carros com atrações do tipo, como um aquário com sereias.

Mangueira

Sob os gritos de ?é campeã?, a Estação Primeira de Mangueira foi a terceira escola a desfilar no Sambódromo do Rio neste domingo 23, e acabou aplaudida de pé ao ser anunciada. Com grande expectativa do público e da crítica, a campeã de 2019 busca a liderança com o samba-enredo A Verdade vos Fará Livre, com aspectos da vida de Jesus.

O abre-alas da agremiação levou para a avenida um grupo de bailarinos que reconstruiu possíveis tensões e situações de vulnerabilidade que Jesus sofreria se tivesse nascido no Brasil de hoje. No primeiro carro, os cantores mangueirenses Alcione e Nelson Sargento representam Maria e José, respectivamente.

A verde e rosa mostrou o filho de Deus se insurgindo ?contra o comércio da fé e desafiou a hipocrisia dos líderes religiosos de seu tempo?. O carnavalesco Leandro Vieira, que já tem dois campeonatos pela escola, indicou no texto de apresentação do enredo as questões enfrentadas por Jesus. ?Questionou o poder do império romano e condenou a opressão. Seu comportamento pacifista e suas ideias revolucionárias inflamaram o discurso dos algozes que passaram a incitar o estado a decretar sua sentença. O fim todos sabemos: Foi torturado, padeceu e morreu?.

Para o carnavalesco, o enredo não é religioso e Jesus não pode ser representado de maneira única, quando preso à cruz. Cada setor da escola vai trazer uma representação diferente. ?Ser um, exclui os demais. Preso à cruz, ele é a extensão de tantos, inclusive daqueles que a escolha pelo modelo ?oficial? quis esconder. Sendo assim, sua imagem humana não pode ser apenas branca e masculina?, apontou.

O desfile figurou um Jesus mulher e outro negro, com sua biografia como se tivesse nascido em uma comunidade carioca. A escolha foi aprovada pelo público. ?Jesus também é Carnaval, apesar de o nosso prefeito achar que não. Estou completamente de acordo com o enredo. A gente vai vencer com o amor ao próximo?, disse o carioca Carlos Arcanjo, de 28 anos, que também assina embaixo do trecho ?não existe messias de arma na mão?.

O empresário Mauro Pinheiro, de 47 anos, gostou da atitude. ?O tema é super apropriado. Considerando a região em que Jesus nasceu, é mais provável que ele fosse negro mesmo?, opinou. Para a gaúcha Marilene Borba, de 63 anos, a homenagem está à altura do homenageado. ?É a primeira vez que vejo falarem de Jesus com alegria. Na verdade, ele era negro mesmo. O povo é que botou branco de olho azul?, disse.

Paraíso do Tuiuti

Com o enredo O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião, a azul e amarelo do Morro do Tuiuti homenageou o padroeiro do Rio de Janeiro em desfile que começou com atraso. O enredo tratou da ligação entre o mártir venerado por religiões cristãs e de matriz africana com o lendário rei de Portugal, tratado com reverência em terras lusitanas. O carnavalesco João Vitor Araújo, que esteve à frente de escolas da Série A, teve a responsabilidade de desenvolver a canção.

O desfile abordou a diversidade religiosa ao representar o santo como Oxóssi, como é conhecido no candomblé e na umbanda. Entre as alas, também havia referências ao catolicismo, como um bispo. A escola que nos últimos anos marcou os seus desfiles por questões políticas, em 2020, quis mais descontração.

Grande Rio

A vermelho, verde e branco de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, vem perseguindo o título há muito tempo e, neste ano, renova as esperanças com Tata Londirá ? O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxia. O enredo, contra a intolerância religiosa, faz homenagem a Joãozinho da Gomeia.

Nascido na Bahia, o dançarino conhecido como o Rei do Candomblé, fixou seu terreiro em Caxias, um dos mais respeitados na cultura de origem africana. Lá recebeu até políticos e lutava contra a intolerância religiosa.

O enredo desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que também são do grupo de estreantes na elite do carnaval carioca, destaca ainda a participação de Joãozinho na luta contra os preconceitos.

O desfile teve momentos tensos logo no início. O quarto carro que homenageava os orixás ocupou espaço a mais na avenida e quebrou a grade que separava o grupo da escola. Duas repórteres da VEJA foram machucadas no braço e na perna. A escola não as procurou para oferecer ajuda. Ambas foram retiradas da avenida com a ajuda de Bombeiros. Em 2017, uma jornalista morreu imprensada por um carro da Tuiuti em local muito próximo ao ponto onde as repórteres foram feridas.

A agremiação entrou empolgando o público, mas logo nos primeiros quatro minutos deixou um buraco. O terceiro carro não conseguiu fazer a manobra para entrar na avenida. Um bombeiro disse a VEJA que a alegoria era grande demais e que isso dificultou a operação. A agremiação deve ser penalizada nos quesitos harmonia e evolução. O erro foi corrigido apenas cinco minutos após o incidente. Aos 13 minutos, teve início um segundo buraco, também resolvido. À frente da bateria, a apresentadora Antonia Fontenelle mostrou samba no pé.

União da Ilha

A azul, vermelho e branco da Ilha do Governador, a sexta a entrar na passarela do samba, costuma fazer desfiles descontraídos e empolgados. Neste ano, passou na avenida com um enredo de nome comprido: Nas encruzilhadas da vida; entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: Salve-se quem puder. Os carnavalescos são os experientes Fran-Sérgio, que por muitos anos esteve na Beija-Flor, e Cahê Rodrigues, que veio da Grande Rio e da Imperatriz Leopoldinense.

Depois do atraso da Grande Rio, a União da Ilha também teve dificuldades para colocar suas alegorias na Marquês de Sapucaí. O carro abre-alas, que representa uma comunidade, teve que ser manobrado na entrada da avenida, já com o tempo correndo. Mais tarde, outro carro com um problema no motor gerou um ?buraco? na apresentação da escola e fez com que o desfile durasse um minuto a mais do que o permitido ? o que significa que a escola perderá 0,1 pontos na contagem final.

Portela

A azul e branco de Madureira e Oswaldo Cruz, escola do Rio com o maior número de títulos (22), encerra o primeiro dia de desfiles e traz o enredo Guajupiá, Terra Sem Males, uma crítica ao homem que não soube dar valor às bênçãos criadas por Monã, o deus dos Tupinambás.

Os carnavalescos Renato e Márcia Lage, experientes no Grupo Especial, estreante na Portela com enredo que tem muita relação com o meio ambiente. A escola tradicional do carnaval do Rio mostra o nascimento de um tupinambá, com seus ritos e tradições que deveriam garantir bons presságios. O berço em estilo de rede, ornamentado com unhas de onça e garras de águia, foi elaborado com a intenção de que nada de mal lhe acontecesse. Tudo acontece na Karióka, que conforme o texto de apresentação do enredo, é a lendária taba tupinambá, erguida ao lado da ?paradisíaca baía de kûánãpará?, o seu Guajupiá. Depois, conhecida como Baía de Guanabara.

O enredo diz ainda que ?os tupinambás acreditavam que o homem tinha duas substâncias essenciais: uma eterna e outra transitória e ambas, o corpo e a alma, estavam ligadas?. A sabedoria era dos mais velhos que tinham a responsabilidade de repassar ?oralmente as histórias, o saber, e as orientações do que deveriam fazer, aos ainda jovens, em cada fase de sua vida?. A canção questiona ainda o que o homem fez do seu Guajupiá.

FONTE: VEJA 

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27
Fevereiro

Do Sr. Guedes ao Sr. Park: Parasita e a Sincronicidade

POSTADO POR ADMIN ÀS 09:37


Sincronicidade é um dos conceitos mais interessantes da obra de Carl Gustav Jung. Ele observou tanto em sua prática clínica, quanto em seu próprio trabalho de autoanálise que há momentos na vida em que alguns acontecimentos se superpõem no tempo e no espaço sem que necessariamente um seja a causa do outro. O que difere esse tipo de acontecimento de uma simples coincidência é o seu alto grau de significado e impacto emocional para a pessoa que o percebe, gerando grande abertura para enxergar os acontecimentos por uma perspectiva ampliada.

A semana que passou foi marcada por uma forte sincronicidade envolvendo a palavra parasita. Parasita foi o nome do filme sul-coreano grande ganhador do Oscar com quatro estatuetas, incluindo a de roteiro original e melhor filme. Paralelamente, parasita foi a palavra escolhida pelo ministro Paulo Guedes para referir-se aos funcionários públicos brasileiros. Na mesma semana, essa palavra tão pouco usual saiu do seu contexto biológico específico, para servir a duas metáforas muito distintas: uma no cinema e outra na economia.

Parasita é um filme que critica a irracionalidade que o capitalismo atingiu nesse início de século XXI, com recordes paradoxais de produção e concentração de renda, de avanço científico e exclusão social, de explosão de soluções tecnológicas e acentuada desvalorização da vida humana. Parasita explora com profunda sensibilidade um dos aspectos mais brutais do techno-capitalismo sul coreano: a invisibilidade dos mais pobres. As tragédias cotidianas, o modo de vida sofrido e a própria presença, a própria existência do indivíduo, não é sequer notada pelas pessoas nos escalões mais altos da sociedade.

Para o Sr. Park, empresário que representa a elite econômica sul-coreana, um dos traços mais louvados em relação a seus subordinados é saber ?jamais ultrapassar os limites?. Ressalto essa passagem pois a sincronicidade aqui, não se resume ao uso da palavra parasita, ela vai mais além e é reforçada por outra fala do ministro Paulo Guedes: a de que o dólar alto é bom, pois com o dólar baixo "tinha empregada doméstica indo para a Disney", uma bagunça, segundo o ministro.

Tanto para Sr. Park quanto para o Sr. Guedes, é importante que os subordinados, ?aquelas pessoas que frequentam o metrô?, jamais ultrapassem os limites. É preciso que saibam qual é o seu lugar. Lembrei imediatamente de outro filme magistral ?A que horas ela volta? e da frase de Val a personagem interpretada por Regina Casé: ?A pessoa nasce sabendo o que pode e o que não pode? Não pode ir para a Disney, segundo nosso ministro, não pode almejar nada além do ?seu lugar?. Que lugar seria este?

Ouvi de alguns, que a fala do ministro teria sido infeliz e por isso ele pedira desculpas, assim como havia pedido desculpas meses antes por ter dito que não seria surpresa se um novo AI-5 estivesse a caminho. Tamanha consistência em ?falas infelizes? revela que infelizes mesmo não são as falas, mas o modo de enxergar o seu próprio povo. O modo de ver de cima para baixo as pessoas, deixando no ar a sugestão de que essa assimetria de olhar e de lugar é uma realidade imutável.

O artista tem uma conexão mais próxima com o inconsciente coletivo do que a média das pessoas em uma sociedade. Os artistas captam antes dos demais os movimentos subterrâneos da alma humana. Parasita, Coringa, Bacurau, para ficar em exemplos recentes, captam esse profundo mal estar contemporâneo, uma tensão social que marginaliza, escanteia e empurra as pessoas em direção à desesperança e ao abismo. Não é à toa que as crises de ansiedade e a depressão ganham dimensões epidêmicas nesse início de século. São adoecimentos coletivos que têm a marca do desamparo e da da desesperança.

O Sr. Park, que valorizava os limites bem estabelecidos entre pessoas de diferentes classes, se incomodava sobretudo com o cheiro ?dessas pessoas?. Um cheiro desagradável que invadia os limites rígidos da distância social e adentrava suas narinas. Um cheiro que não sabia seu lugar. O cinema tem apontando o dedo para o verdadeiro mau cheiro contemporâneo: a indiferença e a insensibilidade das elites políticas e econômicas, seu total descolamento da realidade da população que governam e empregam.

A arte não apenas denuncia a insanidade coletiva que assola o início do século XXI, mas também tem deixando pistas a respeito dos possíveis desfechos para esse roteiro com direito a Oscar de pior direção. Já o grande vencedor do Oscar deste ano deixa em aberto para cada espectador a resposta para uma importante questão: quem são os parasitas, na tela e na vida?

FONTE: JORNAL DO BRASIL

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26
Fevereiro

Mangueira levou para a avenida o “Jesus da Gente”, não o do ódio fundamentalista. Por Joaquim de Carvalho

POSTADO POR ADMIN ÀS 13:05


Mangueira fez um desfile tecnicamente irrepreensível no início da madrugada desta segunda-feira.

Ela colocou na avenida Jesus da Gente, identificado com o povo oprimido, como descrito na Bíblia.

Na adaptação para os dias de hoje, logo na comissão de frente uma cruz era transportada por passistas que interpretavam pessoas que normalmente são vítimas da truculência policial.

Cristo, como retratado no Ocidente, branco, com barba e cabelos longos, acompanhava o grupo que apanhava de policiais. Cristo também apanhava.

Na sequência, um Cristo negro, na pessoa do mestre-sala, que segurava a mão da porta-bandeira, simbolizando o povo.

A cantora Alcione, negra, apareceu no papel de Maria, ao lado de José, também negro.

Pela escola, desfilaram os escribas, centuriões romanos, sempre com referência a autoridades de hoje.

Na avenida, Jesus foi retratado também como índios, mulheres, gays e outras vítimas da opressão.

Na ala Bandido Bom É Bandido Morto, Jesus apareceu como um jovem negro crucificado, uma referência a quem mais é assassinado por policiais: negros, pobres e com menos de 30 anos de idade.

Há mais verdade do enredo da escola de samba do que na pregação de qualquer pastor neopentecostal.

Líderes de mais de 20 religiões, entre católicos, protestantes, espíritas, do candomblé, judeus, budistas, participaram do desfile.

O representante do candomblé, falando em nome do grupo, declarou: ?A mensagem é: independente da sua fé, o respeito deve prevalecer. O diálogo é fundamental para a democracia, o respeito à liberdade e o respeito aos direitos humanos. São lideranças religiosas que têm isso como ponto fundamental, do entendimento e do diálogo, não do ódio, não do racismo, não do preconceito.

A Mangueira fez o que dela se esperava e é uma forte candidata ao bicampeonato em 2020.

Há mais verdade do enredo da escola de samba do que na pregação de qualquer pastor neopentecostal.

A letra do samba-enredo diz tudo:

Senhor, tenha piedade

Olhai para a terra

Veja quanta maldade

Senhor, tenha piedade

Olhai para a terra

Veja quanta maldade?.

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher

Moleque pelintra no buraco quente

Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado

Meu pai carpinteiro, desempregado

Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira

Me encontro no amor que não encontra fronteira

Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado

Em cordéis e corcovados

Mas será que todo povo entendeu o meu recado?

Porque, de novo, cravejaram o meu corpo

Os profetas da intolerância

Sem saber que a esperança

Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão

Não tem futuro sem partilha

Nem messias de arma na mão

Favela, pega a visão

Eu faço fé na minha gente

Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir

O desabafo sincopado da cidade

Quarei tambor, da cruz fiz esplendor

E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher

Moleque pelintra no buraco quente

Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado

Meu pai carpinteiro, desempregado

Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira

Me encontro no amor que não encontra fronteira

Procura por mim nas fileiras contra a opressão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado

Em cordéis e corcovados

Mas será que todo povo entendeu o meu recado?

Porque, de novo, cravejaram o meu corpo

Os profetas da intolerância

Sem saber que a esperança

Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão

Não tem futuro sem partilha

Nem messias de arma na mão

Favela, pega a visão

Eu faço fé na minha gente

Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir

O desabafo sincopado da cidade

Quarei tambor, da cruz fiz esplendor

E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza

Pela força que ele tem

Mangueira

Vão te inventar mil pecados

Mas eu estou do seu lado

E do lado do samba também

FONTE: DCM


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