18
Outubro

Faíscas de Sabedoria

POSTADO POR ADMIN ÀS 11:02
Pincei estas frases da liturgia das horas de hj (18/10/2019)
"Quem não tem caridade para como próximo de modo algum deverá receber o ofício da pregação"
"O mundo está cheio de sacerdotes, 
(e Pastores) todavia, raramente se vê um operário na messe de Deus; porque aceitamos, sim, o ofício sacerdotal, mas não cumprimos o dever do ofício". 
 Fonte: Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa

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18
Outubro

Solidariedade e perseverança na construção da comunidade

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:50


Primeira Leitura (Êx 17,8-13)
Leitura do Livro do Êxodo:
Naqueles dias, 8os amalecitas vieram atacar Israel em Rafidim. 9Moisés disse a Josué: ?Escolhe alguns homens e vai combater contra os amalecitas. Amanhã estarei, de pé, no alto da colina, com a vara de Deus na mão?.
10Josué fez o que Moisés lhe tinha mandado e combateu os amalecitas. Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo da colina. 11E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec. 12Ora, as mãos de Moisés tornaram-se pesadas. Pegando então uma pedra, colocaram-na debaixo dele para que se sentasse, e Aarão e Ur, um de cada lado, sustentavam as mãos de Moisés. Assim, suas mãos não se fatigaram até ao pôr-do-sol, 13e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada.

I. Introdução geral
Moisés, Aarão e Ur formam uma unidade não somente de corpos reunidos e próximos. A unidade se realiza principalmente porque estão ao redor de um mesmo projeto, de um mesmo povo, de um mesmo Deus. Não desejam o sucesso pessoal nem muito menos avançar na vida subindo nas costas dos outros. Consideram a missão sempre como de todos e jamais veem as lutas e conflitos como se fossem desafios a enfrentar sozinhos. Juntos somam, divididos se enfraquecem; juntos perseveram e olham para o mesmo alvo. A perseverança, quando assumida pela comunidade, vai mais longe, projeta-se para o futuro e faz o que, sozinhos, nunca seria possível realizar.
1. I leitura (Ex 17,8-13): a solidariedade forma e salva a comunidade
Certa vez os amalecitas, inimigos tradicionais do povo de Deus, encontravam-se em Rafidim para combater contra Israel. Moisés deu ordens precisas de combate a Josué, que foi para o campo de batalha. Enquanto isso, Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo de uma colina. Ali, enquanto as mãos de Moisés permaneciam erguidas, Israel vencia; quando abaixava as mãos, os amalecitas venciam. Como interromper o ciclo de vitória e derrota causado pelo cansaço de Moisés, que não conseguia permanecer o tempo todo com as mãos erguidas? Nesse momento em que o povo de Deus enfrentava enorme dificuldade, a atitude de Aarão e Ur mostrou-se fundamental. Ao perceberem o cansaço de Moisés, fizeram-no sentar e, em seguida, agindo como fiéis escudeiros, um de cada lado, como se fossem uma única pessoa e um único projeto, cada qual passou a sustentar uma das mãos de Moisés, até que o inimigo fosse derrotado no campo de batalha. Pode-se dizer que a derrota dos amalecitas ocorreu não quando Josué investiu contra eles com um grupo de soldados, e sim desde o momento em que Moisés, Aarão e Ur subiram à colina.
Você já experimentou ficar com os braços levantados durante certo tempo? Começamos bem, mas aos poucos nossos braços também se tornam pesados e desmoronamos por completo. Moisés se esforçou sobremaneira, mas já não encontrava forças em si mesmo. Nesse momento ele contou com olhos perspicazes que a tudo observavam. Aarão e Ur vieram até ele e colocaram uma pedra para que pudesse sentar e, quem sabe dessa forma, recuperar a energia. A ideia, por um momento, parecia boa, mas não resolvia nada. Moisés não precisava de uma pedra. Precisava, antes, de companhia ou, por assim dizer, de outros braços. Quando Aarão e Ur se aproximaram dele, o braço de um tornou-se a extensão do braço do outro. Um apoiava o outro, e juntos conseguiam aquilo que não poderiam obter sozinhos.
O ensinamento é fundamental: a força não reside em apenas um. Ela está presente na unidade e no projeto comum a todos. A guerra não era de Moisés e não atingia apenas ele. O inimigo não se levantava contra um do povo de Deus, mas contra todo o povo. Moisés, Aarão e Ur, juntos, formavam uma unidade. Juntaram-se porque, separados, não possuíam força alguma. Devemos entender que, isolados, podemos obter uma vitória parcial aqui e outra ali, mas nunca obteremos a vitória definitiva. Quando nos voltamos para a comunidade é que podemos emprestar nossos braços a fim de construir a vitória. Qual braço alcançou a vitória nessa leitura? Sem sombra de dúvida, foi o braço da comunidade. As mãos erguidas converteram-se em símbolo não só da presença de Deus, mas também do seu apoio na batalha. Eles não estavam lutando sozinhos. Na verdade, aquele que os libertou da escravidão continuava lutando a seu lado, sem cessar. Moisés, Aarão e Ur trabalhavam em equipe. Não se viam isoladamente como melhores do que os outros ou superiores a todos, mas como pessoas que possuíam uma missão em comum. Ao formar uma equipe e pensar como uma, construíram uma unidade que dificilmente podia ser quebrada. A palavra de Deus proverbialmente nos ensina: ?O cordão de três dobras não se rompe com facilidade?. Juntos, eles não percebiam uns aos outros como inimigos e/ou competidores que deviam ser vencidos. Juntos, viam-se como comunidade, e por ela e a ela se dedicavam. Existem obstáculos que somente podem ser vencidos com a união e a unidade de todos.

Segunda Leitura (2Tm 3,14-4,2)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:
Caríssimo: 14Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, 17a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra.
4,1Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: 2proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina.

II leitura (2Tm 3,14-4,2): aprender, crescer e permanecer firme na fé
A exortação feita a Timóteo para que permaneça fiel aos ensinamentos recebidos é enfatizada com rápida alusão a quem transmitiu tais ensinamentos. A expressão que pode ser traduzida como ?Sagradas Letras? (v. 15) se refere aos livros que conhecemos como Antigo Testamento, certamente na versão dos Setenta, usada pelos judeus na diáspora, tal como se percebe em 1 Macabeus 12,9 e em Romanos 1,2 com a denominação de Escrituras Sagradas. A primeira afirmação sobre a finalidade dessas Escrituras é que elas não se relacionam com meros conceitos, mas sim com algo realmente vital, denominado no texto como ?salvação?, mediante a aceitação pessoal de Jesus Cristo. Há, pois, uma relação entre Sagradas Letras e salvação mediante a fé em Jesus, implicando que o Antigo Testamento também estaria direcionado para Jesus. O apóstolo Paulo exorta Timóteo a ficar firme na fé aprendida desde a infância com a mãe e a avó. Ponto central e determinante na exortação paulina é o aprendizado da Sagrada Escritura, que, inspirada por Deus, transmite segurança e prepara o fiel para toda boa obra. A perenidade e atualidade da Palavra são acentuadas com o tema da aparição de Jesus. Nesse contexto da vinda de Jesus para o julgamento, a Palavra exerce uma função admirável, por isso a orientação imperativa para que Timóteo ?proclame a Palavra, insista em tempo oportuno, convença, repreenda, encoraje com toda paciência e doutrina? (v. 2).

Anúncio do Evangelho (Lc 18,1-8)
 O Senhor esteja convosco.
 Ele está no meio de nós.
 PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
 Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo:
2?Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ?Faze-me justiça contra o meu adversário!?
4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ?Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!??
6E o Senhor acrescentou: ?Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar?
8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra??

Evangelho (Lc 18,1-8): a perseverança na oração
Existe, de fato, a necessidade de rezar sempre e nunca desanimar? Para exemplificar sua mensagem, Jesus insere na parábola duas figuras conhecidas na época: um juiz sem escrúpulos e uma viúva pobre, símbolo de todos os pobres e indefesos. Trata-se de personagens atualíssimos numa época em que os pobres não tinham quem os defendesse. Contudo, o sofrimento da viúva não é passivo. Ela não se conforma com a injustiça diária e interminável que sofre. E a insatisfação e a não conformidade geram nela a perseverança. Ela vai ao juiz até que este atenda à sua demanda. O juiz injusto é vencido pela perseverança da viúva pobre. ?E Deus não fará justiça a seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Irá demorar para atendê-los?? (v. 7). O chamado à perseverança na oração faz referência à tradição de um Deus que escuta o clamor de seu povo. A experiência fundamental de libertação no êxodo acontece, de fato e de verdade, pela oração/clamor. Quando os escravos clamam a Deus desde seu ambiente marcado pela degradação da vida, são os ouvidos de Deus, em primeiro lugar, que entram em ação para que a realidade que machuca e oprime seja alterada. Não nos cansemos de orar e nunca nos faltará a fé; e, depois de haver ofertado a Deus nossas orações e pedidos, acrescentemos humildemente a oração perfeita: seja feita a tua vontade.

FONTE DA LEITURA: CANCAONOVA
FONTE DOS COMENTÁRIOS: VIDAPASTORAL

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18
Outubro

EUCARISTÍA SILÊNCIOSA

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:06




PUBLICADO NA REVISTA DA LITÚRGIA

Por Aloysius Pieris SJ

                                                  EUCARISTÍA SILÊNCIOSA NA LITÚRGIA CATÓLICA

                                                                                                                                                Por Aloysius Pieris SJ*

 

  "A Liturgia é índice infalível do dinamismo interno de uma igreja". Assim escreveu o jesuíta indiano Aloysius Pieris em um artigo sobre a celebração eucarística. O que ele defende é um estilo de celebrar a eucaristia inculturada à tradição e à alma asiática. Não pode ser executada tal qual no Brasil. Mas pode nos ajudar a enriquecer principalmente se levarmos em conta a diversidade de nossas assembléias eucarísticas. Se queremos aprofundar uma inculturação que não seja apenas adaptação mimética do estilo tradicional romano para o nosso jeito de ser, se desejamos viver a atualização do mistério pascal unindo a tradição litúrgica das Igrejas e o espírito do nosso povo, essa experiência pode suscitar boas reflexões. Eis um resumo que Pieris faz rito e o comentário no qual ele explica alguns princípios que fundamentam este jeito de celebrar. Damos a palavra a Aloysius Pieris: 1. Gênese de uma eucaristia asiática Esta é uma forma específica de eucaristia - uma entre muitas - que vem sendo celebrada hoje por pequenos grupos em algumas partes da Ásia. Essa nova liturgia foi comunicada aos participantes do Curso de Renovação que aconteceu no East Asian Pastoral Institute (EAPI), em Manila, que representa muitas culturas e nações da Ásia e da Oceania. Esse jeito de celebrar nasceu da minha experiência pessoal no caminho budista à paz interior. Tive o privilégio de ser batizado nas águas da interioridade budista, aos cuidados de um monge. As missas que eu e outros celebramos nestes anos de prática intensa de atenção (sathi-patthana) foram evoluindo lentamente para uma repetição silenciosa, e lenta do drama da salvação, um anúncio sem palavras do evento da Palavra. Durante os 23 anos que administro cursos neste instituto, também coloquei alguns exercícios de atenção e mostrei como celebrar a eucaristia em um clima de consciência intensa. Algumas pessoas captaram o sentido e criaram algo sintonizado com suas próprias culturas. Os vários nomes adotados pelos participantes - missa contemplativa, eucaristia silenciosa - indicam que eles acolheram pelo menos uma dimensão importante, esquecida pelo atual ritual da missa: a consciência, isto é, o conhecimento de tudo o que acontece na ação litúrgica, a consciência das coisas, das pessoas, do mistério pascal que celebramos. A prática da consciência é um elemento-chave do budismo e da melhor espiritualidade cristã. Prefiro essa palavra do que "contemplação". No idioma pali, a palavra que traduz consciência significa literalmente "memória", "lembrança" ou "atenção". Que tipo de "memorial" a eucaristia pode ser se é simplesmente ritualizada, sem atenção? Uma celebração atenta do memorial pascal ajuda muito a uma nova compreensão do mistério do Cristo. E tem mais. O objeto primário da nossa atenção é a transformação eucarística, não somente do pão e do vinho colocados sobre a mesa, mas também das pessoas que estão sentadas em torno. Somos o corpo de Cristo. A atenção deve ir mais além: criar um costume no qual os participantes se apropriem profundamente, em nível subconsciente, de tudo que tal transformação implica para os cristãos asiáticos. Somos chamados a ser uma Igreja livre da dominação, uma comunidade de pequenos, um grupo de discípulos iguais que dê testemunho do Deus uno e trino, à imagem do qual fomos criados. Aqui

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