13
Maio

Os cristãos no mundo

POSTADO POR ADMIN ÀS 11:39


Da Carta a Diogneto

Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.

        Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira. Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito.

        São de carne, porém, não vivem segundo a carne. Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos. Condenam-nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida. São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância. São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras. Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida. Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio.

        Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo visível; todos veem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres.

        A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam. Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, veem seu número crescer dia a dia. Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar.

 FONTE: LITURGIA DAS HORAS

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08
Maio

O Ressuscitado é Caminho, Verdade e Vida

POSTADO POR ADMIN ÀS 11:24


I. Introdução geral

A liturgia deste domingo favorece profunda reflexão sobre a comunidade cristã e sobre a identidade de Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida. A primeira leitura ensina que a comunidade que permanece fiel ao mandato de Jesus, aberta ao Espírito Santo e perseverante na oração é capaz de resolver os conflitos que ameaçam a sua unidade, harmonizando o anúncio da Palavra com a atenção às pessoas mais necessitadas. A segunda leitura apresenta a Igreja como um edifício espiritual, tendo o Cristo ressuscitado como fundamento e todos os cristãos como pedras vivas dessa construção. No evangelho, o ponto alto é a apresentação de Jesus como o revelador do Pai por excelência e, por isso, o único caminho viável para a comunidade seguir.

Primeira Leitura (At 6,1-7)

Leitura dos Atos dos Apóstolos:

1Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário.

2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: ?Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra?.

5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

1. I leitura: At 6,1-7

Esta leitura recorda a primeira crise da comunidade cristã primitiva, fundada em Jerusalém, no dia de Pentecostes (cf. At 2). Até então, essa comunidade fora descrita somente com características positivas, beirando à perfeição, com destaque para a generosidade e a partilha, a perseverança e o entusiasmo (cf. At 2,42-47; 4,32-35). Pela primeira vez, o autor fala de um problema concreto, causado por um conflito envolvendo os dois grupos que formavam a comunidade: os cristãos de origem grega e os de origem hebraica. Ambos os grupos eram compostos de judeus convertidos ao cristianismo. Os de origem hebraica, oriundos do judaísmo tradicional, sempre viveram na Palestina, falavam aramaico e liam as Escrituras em hebraico; os de origem grega, por sua vez, provinham do judaísmo da diáspora, falavam e liam as Escrituras em grego, eram menos ortodoxos e mais abertos. O centro do relato, no entanto, não é o conflito em si, mas a capacidade de superação demonstrada pela comunidade, sob a liderança dos apóstolos.

O v. 1 já descreve o conflito e sua gravidade: surgiu uma tensão entre os fiéis de origem grega e os de origem hebraica, devido à falta de assistência às viúvas do primeiro grupo. Temos aqui uma denúncia grave, pois as viúvas, como uma das principais categorias de pessoas vulneráveis em Israel, deveriam ser assistidas com prioridade em suas necessidades mais básicas, como a alimentação; era inadmissível, portanto, que fossem negligenciadas na comunidade cristã, até pouco tempo descrita como modelo de solidariedade e partilha (cf. At 2,42-47; 4,32-35). Comprometidos, acima de tudo, com o anúncio da Palavra, os apóstolos reconhecem que o serviço das mesas também é essencial para a vida da Igreja, mostrando-se sensíveis às pessoas mais necessitadas. Por isso, sem impor nenhuma decisão, buscam a resolução do problema em comunhão com a comunidade (cf. v. 2), propondo a escolha de sete homens íntegros e dóceis ao Espírito Santo para o serviço das mesas (cf. v. 3). Os apóstolos não concentram todas as funções, mas fazem suscitar novos ministérios de acordo com as necessidades da comunidade; exercem a autoridade confiada por Jesus, mas sem autoritarismo. É a própria comunidade quem escolhe (cf. v. 5); os apóstolos confirmam as escolhas com a oração e o rito de imposição das mãos (cf. v. 6), e assim a Palavra continua se espalhando e a Igreja crescendo (cf. v. 7).

A maneira participativa e descentralizada pela qual a comunidade resolveu a sua primeira grave crise revela como os apóstolos assimilaram Jesus Cristo ressuscitado como o Caminho, a Verdade e a Vida, colocando-o como o centro da vida da Igreja. De fato, os apóstolos e todas as demais lideranças não são mais que instrumentos que ajudam a manter a centralidade do Ressuscitado na comunidade cristã.

Segunda Leitura (1Pd 2,4-9)

Leitura da Primeira Carta de São Pedro:

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 6Com efeito, nas Escrituras se lê: ?Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido?.

7A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas para os que não creem, ?a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8pedra de tropeço e rocha que faz cair?. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

2. II leitura: 1Pd 2,4-9

A segunda leitura desta liturgia ainda é retirada da primeira carta de Pedro, cuja contextualização fizemos brevemente no comentário do último domingo. No trecho lido neste dia, o autor apresenta a comunidade cristã como um edifício espiritual (cf. v. 5) cujo fundamento é o Cristo ressuscitado, designado como a ?pedra angular? (vv. 4.6-7), e os tijolos são todos os batizados e batizadas (cf. v. 5). O construtor é o próprio Deus, o Pai. A imagem da pedra angular, aplicada a Jesus, remete a Is 28,16 e ao Sl 118,22.

Aos cristãos perseguidos ? os destinatários primeiros do texto ?, o autor faz um convite carregado de esperança e válido para todas as épocas: ?aproximai-vos do Senhor? (v. 4). Muitos cristãos eram hostilizados na época exatamente porque tinham adotado o estilo de vida de Jesus. Paralelamente ao convite, vem a recordação de que também Jesus, constituído como o fundamento da grande construção de Deus, foi rejeitado e descartado pelos construtores, isto é, pelas autoridades políticas e religiosas que o crucificaram (cf. vv. 6-7). Com a ressurreição, no entanto, ele tornou-se a pedra angular. Como é próprio de Deus tornar forte o que a humanidade descarta, também os cristãos que perseveram na fé (cf. v. 7) são incorporados ao Cristo ressuscitado na edificação da Igreja, como pedras vivas.

Assim, o antigo templo de pedras é substituído pelo templo vivo que é a Igreja, enquanto comunidade dos que creem e acolhem a Palavra, formando um povo todo sacerdotal e capaz de fazer da própria vida uma oferta perene e agradável a Deus.

Anúncio do Evangelho (Jo 14,1-12)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1?Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho?. 5Tomé disse a Jesus: ?Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?? 6Jesus respondeu: ?Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes?.

8Disse Felipe: ?Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!? 9Jesus respondeu: ?Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ?Mostra-nos o Pai?? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai?.

3. Evangelho: Jo 14,1-12

O evangelho apresenta Jesus no cenáculo, durante a última ceia com seus discípulos. Todos têm consciência de que é chegada a fase final da sua vida terrena. Por isso, a cena é marcada, inicialmente, por um clima de angústia, medo e incertezas que, aos poucos, será transformado pelas palavras esclarecedoras e esperançosas de Jesus. Assim, de despedida dramática, a ceia se torna um momento privilegiado da autorrevelação de Jesus, gerando a certeza de que a sua partida, em vez de gerar ausência, é a garantia da sua presença perene no seio da comunidade cristã, após a ressurreição.

Antes de tudo, Jesus ensina aos discípulos que, para superar os medos e angústias na comunidade, é necessário ter fé (cf. v. 1); em seguida, anuncia que na casa do Pai há muitas moradas, preparadas por ele, graças à morte e ressurreição, e destinadas a toda a comunidade de discípulos (cf. v. 2). Em um movimento de partida-retorno, Jesus garante aos discípulos que estará sempre com eles, habitando as mesmas moradas que eles na casa do Pai (cf. v. 3). Ao contrário de como vem geralmente interpretado, a casa do Pai aqui não significa os céus, mas a própria comunidade cristã, e as muitas moradas são a diversidade de dons e carismas, serviços e ministérios que a compõem e são indispensáveis para a sua existência. Temos aqui uma mudança radical de paradigma: o Pai já não habita no templo de pedras, como acreditavam os judeus, mas na comunidade cristã e no coração de quem aceita seguir o caminho que é Jesus.

Depois de tanto tempo junto aos discípulos, Jesus esperava que eles já conhecessem o caminho a percorrer após a sua partida (cf. v. 4). Da ignorância deles nasce rico diálogo, iniciado por uma pergunta de Tomé a respeito do destino de Jesus e do caminho que eles devem seguir (cf. v. 5), cuja resposta é uma das mais profundas revelações de Jesus em todo o evangelho: ?Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida? (v. 6a), além de reforçar sua condição de único mediador entre a humanidade e o Pai (cf. v. 6b). Com essa resposta, Jesus diz que é tudo para a comunidade; essa não necessita de nada que não esteja relacionado à sua pessoa. O itinerário que a comunidade deve percorrer é a sua própria trajetória de vida, por isso ele é o Caminho; tudo o que a comunidade deve anunciar é o que ele mesmo ensinou com palavras e sinais, por isso ele é a Verdade; e a vida a ser vivida é conforme aquela que Jesus doa em abundância, por amor, e por isso ele é a própria Vida. A expressão ?Caminho, Verdade e Vida?, portanto, é a síntese da pessoa de Jesus e de tudo o que a comunidade necessita para ser a verdadeira casa do Pai.

O diálogo continua com uma intervenção de Filipe, pedindo que Jesus mostre o Pai (cf. v. 8). A resposta de Jesus soa como um lamento, pois, àquela altura, desconhecer o Pai significa não ter ainda assimilado os seus ensinamentos e a sua própria pessoa, uma vez que ambos vivem em perfeita unidade (cf. vv. 9-11). O conhecimento do Pai passa, portanto, pela escuta e pelo seguimento de Jesus, e é disso que a comunidade necessita para fazer a sua obra de amor continuar crescendo (cf. v. 12), à luz da ressurreição, em uma dimensão ainda maior.

III. Pistas para reflexão

A certeza de que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida significa que ele deve ser o referencial para todas as dimensões da vida eclesial. Quando a comunidade absorve essa certeza, torna-se a casa do Pai, com moradas suficientes para todas as pessoas mediante a diversidade de carismas e serviços, que visam sempre ao bem comum. A atenção aos mais necessitados é um dos sinais que indicam se uma comunidade é realmente casa do Pai, uma construção viva, que tem o Cristo ressuscitado como pedra angular.

FONTE: LITURGIA DIARIA  ; VIDA PASTORAL 

        

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04
Maio

Nota de esclarecimento e desculpas

POSTADO POR ADMIN ÀS 12:40

 Alguns amigos do Ora et Labora se queixam das críticas que fazemos da atuação do governo. 
 Frisamos que desejamos que ele acerte, pois atitudes e legislação provocam morte ou vida.  No que se refere à conduta e disposições acerca da pandemia  do coronavírus ninguém tem absoluta certeza de como agir. A ciência e os médicos lutam para manter vivos os doentes e a população. Existe também  a catástrofe da economia.  Que fazer? Encontrar um meio termo?  A conduta e declarações de autoridades minimizando a  possível hecatombe nos parece leviana e assassina e contra a dura experiência de outros países que foram surpreendidos por esta nova peste!  Nosso Pais foi avisado em tempo para se preparar.  Governadores e prefeitos não ligaram e permitiram aglomerações e carnavais, mas a tal de "gripisinha" se alastra e como deus é dos brasileiros, ficamos fingindo de governar o país e provocamos uma terrível crise política, pois em lugar da conciliação dos opostos como seria uma boa definição da política, colecionam-se, como nunca, adversários entre os próprios amigos e apoiadores e assim só se acirra a luta fraterna apelando claramente à impossibilidade de governar. Cegos frente à própria incapacidade  de gestar, tudo da para pensar que estamos perto da sonhada e elogiada ditadura até com direito à  tortura e execução apregoada desde a campanha eleitoral e  desprezando o juramento de obedecer à Constituição. Nos parece que estamos com uma epidemia de distúrbios mentais, quando se renuncia à ciência e ao bom senso. O Deus verdadeiro que não é religioso salve o Brasil.  Oxalá que estivéssemos errados! Perdoem, se assim pensamos

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irene cacais - 06/05/2020 - Parabéns Mário, muito bem dito.
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