19
Agosto

Angelus: é preciso coerência no ‘ser cristão’, diz Papa

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:01



Papa Francisco afirmou que dizer-se cristão não é o mesmo de ser cristãos
Dizer-se cristão é bom, mas é preciso ser cristão: palavras do Papa Francisco ao se reunir com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para o Angelus dominical.

O Pontífice comentou o trecho de São Lucas, no qual Jesus adverte os discípulos de que chegou o momento da decisão.

A sua vinda ao mundo, de fato, coincide com o tempo das escolhas decisivas: não se pode adiar a opção pelo Evangelho, explicou o Papa.

Abandonar a apatia para acolher o fogo do amor
Para exemplificar melhor esse chamado, Jesus utiliza a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer sobre a terra: Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso .

Essas palavras, prosseguiu Francisco, têm a finalidade de ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, de apatia, de indiferença e de fechamento para acolher o fogo do amor de Deus.

Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar sobre a terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e mediante o qual o homem é salvo.

O fogo do amor, aceso por Cristo no mundo por meio do Espírito Santo, é sem limites, universal, disse ainda o Papa.

Incêndio benéfico
Foi o que aconteceu desde os primeiros tempos do Cristianismo: o testemunho do Evangelho se propagou como um incêndio benéfico, superando toda divisão entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações.

Este testemunho queima toda forma de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com uma preferência pelos mais pobres e excluídos.

Aderir a este fogo significa duas coisas: adorar a Deus e a disponibilidade a servir o próximo. A primeira quer dizer aprender a oração da adoração, que com frequência esquecemos, afirmou o Papa, convidando os fiéis a descobrirem a beleza desta oração. Depois, estar disponível a servir o próximo e Francisco manifestou sua admiração a quem se dedica aos mais necessitados mesmo durante o período de férias.

Para viver segundo o espírito do Evangelho, é preciso que, diante das sempre novas necessidades que aparecem no mundo, hajam discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Assim, o Evangelho se manifesta realmente como fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.

Escolhas coerentes com o Evangelho
Assim se compreende outra afirmação de Jesus contida no trecho de Lucas, que numa primeira leitura pode chocar: «Cuidais vós que vim trazer paz à terra Não, vos digo, mas antes dissensão».

Isso significa que Jesus veio para separar com o fogo o bem do mal, o justo do injusto.

Neste sentido, Jesus veio para dividir, para colocar em crise mas de modo saudável a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo. O Pontífice advertiu que recorrer à cartomante é superstição, não é de Deus.

A adesão a este fogo requer deixar a hipocrisia de lado e estar dispostos a pagar o preço por escolhas coerentes com o Evangelho. Esta é a atitude que cada um deve buscar na vida: coerência, e pagar o preço por ela.

É bom dizer-se cristãos, mas é preciso antes de tudo ser cristãos nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos.

Francisco concluiu pedindo a Maria que nos ajude a deixar-nos purificar o coração pelo fogo trazido por Jesus, para propagá-lo com a nossa vida, mediante escolhas firmes e corajosas.

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19
Agosto

Sem fogo não é possível

POSTADO POR ADMIN ÀS 09:54



A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 12, 49-53, que corresponde ao 20° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. No Brasil celebra-se, neste domingo, a Solenidade da Assunção da Virgem Maria.

Eis o texto
Num estilo claramente profético, Jesus resume toda sua vida com umas palavras insólitas: Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso!. De que está a falar Jesus .O caráter enigmático da sua linguagem leva os exegetas a procurar a resposta em diferentes direções. De qualquer caso, a imagem do fogo convida-nos a nos aproximarmos do Seu mistério de forma mais ardente e apaixonada.

O fogo que arde no seu interior é a paixão por Deus e a compaixão pelos que sofrem. Jamais poderá ser revelado esse amor insondável que anima toda sua vida. Seu mistério nunca ficará encerrado em fórmulas dogmáticas nem em livros de sábios. Ninguém escreverá um livro definitivo sobre ele. Jesus atrai e queima, perturba e purifica. Ninguém poderá segui-lo com o coração apagado ou com piedade entediada.

Sua palavra faz arder os corações. Oferece-se amistosamente aos mais excluídos, desperta a esperança nas prostitutas e confia nos pecadores mais desprezados, luta contra tudo o que faz mal ao ser humano. Combate os formalismos religiosos, os rigores desumanos e as interpretações estreitas da lei. Nada nem ninguém podem acorrentar a sua liberdade para fazer o bem. Nunca poderemos segui-Lo, vivendo na rotina religiosa ou no convencionalismo do correto.

Jesus inflama conflitos, não os apaga. Não veio trazer falsa tranquilidade, mas tensões, confrontos e divisões. Na verdade, introduz o conflito no nosso próprio coração. Não podemos defender-nos da sua chamada por detrás do escudo dos ritos religiosos ou das práticas sociais. Nenhuma religião nos protegerá do seu olhar. Nenhum agnosticismo nos libertará de seu desafio. Jesus está a chamar-nos para viver em verdade e amar sem egoísmo.

Seu fogo não se extinguiu após mergulhar nas águas profundas da morte. Ressuscitado para uma vida nova, seu Espírito continua a arder ao longo da história. Os discípulos de Emaús sentem arder nos seus corações quando ouvem suas palavras enquanto caminham junto a eles.

Onde é possível sentir hoje esse fogo de Jesus? Onde podemos experimentar a força de sua liberdade criadora? Quando ardem os nossos corações ao acolher seu evangelho? Onde se vive de forma apaixonada seguindo seus passos? Embora a fé cristã parecesse extinguir-se hoje entre nós, o fogo trazido por Jesus ao mundo continua a arder sob as cinzas. Não podemos deixar que se apague. Sem fogo no coração, não é possível seguir Jesus.

Fonte: Ihu
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19
Agosto

Assunção: vida plena antecipada

POSTADO POR ADMIN ÀS 09:48




Então Maria se levantou e se dirigiu apressadamente à serra, a um povoado da Judéia? (Lc1,39)

A reflexão bíblica é elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o evangelho da Solenidade da Assunção de Maria - Ciclo C (18/08/2019) que corresponde ao texto bíblico de Lucas 1,39-56.
O mistério da Assunção desperta imagens de movimento, de atração para cima, de impulso ascensional; nosso olhar é atraído para a altura e vemos a Maria elevada para a plenitude que chamamos céu?.

Ao falar da Assunção nos referimos ao cume do processo vital de Maria, o resultado final da obra que Deus realizou naquela que não colocou nenhuma resistência à sua ação: Faça-se em mim....

A proclamação do dogma da Assunção foi uma maneira de revelar que a salvação de Maria foi absoluta e total, ou seja, que alcançou sua plenitude. Essa plenitude só pode consistir em uma unificação e identificação absoluta com Deus. Maria foi aspirada? para dentro de Deus.

Ela terminou o ciclo de seu processo de maturação terrena e chegou à sua plenitude, através do processo interno de identificação com Deus. Mas, ao ser assunta ao céu, Maria não se afastou de sua condição de mulher do povo, pobre e despojada.

Nessa identificação com Deus não cabe mais nada. Chegou ao limite de suas possibilidades. Porque ?assumiu Deus em sua vida, Maria foi assumida? totalmente por Deus; ela deixou Deus ser grande na sua vida; por isso, Deus a engrandeceu plenamente.

Sabemos que, para chegar à Assunção, Maria viveu um longo caminho de des-centramento, de saída de si, de esvaziamento, para que Deus realizasse maravilhas nela. Maria foi assunta ao céu? porque ?desceu em direção aos outros, revelando-se como a mulher do serviço solidário.

O evangelho deste domingo nos apresenta Maria caminhando depressa, desde Nazaré da Galiléia até às montanhas da Judéia, para chegar à casa de sua prima Isabel; naquela primeira meta?de sua corrida, recebeu dos lábios de Isabel a primeira bem-aventurança: Feliz és tu que acreditaste... Esta expressão foi a antecipação da felicitação que Maria vai receber no final definitivo de sua trajetória. Toda a vida de Maria consistiu em dirigir-se apaixonadamente para essa meta definitiva, profundamente associada à vida e missão do seu próprio Filho.

Maria, a mãe que cuidou de Jesus, agora cuida com carinho e preocupação materna deste mundo ferido. Assim como chorou com o coração trespassado a morte de Jesus, assim também agora Se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo exterminadas pelo poder humano. Ela vive, com Jesus, completamente transfigurada, e todas as criaturas cantam a sua beleza. É a Mulher «vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça» (Ap 12, 1). Elevada ao céu, é Mãe e Rainha de toda a criação. No seu corpo glorificado, juntamente com Cristo ressuscitado, parte da criação alcançou toda a plenitude da sua beleza. Maria não só conserva no seu coração toda a vida de Jesus, que «guardava» cuidadosamente (cf.Lc 2, 51), mas agora compreende também o sentido de todas as coisas. Por isso, podemos pedir-Lhe que nos ajude a contemplar este mundo com um olhar mais sapiente? (Laudato sii 241)

Estas palavras do Papa Francisco nos situam frente ao mistério da Assunção da Virgem Maria aos céus. Maria revela, à Igreja e à humanidade, o final da vida do ser humano, o sentido da peregrinação desta vida, os motivos de esperança. Em um mundo que bloqueia cada dia mais o horizonte de sua transcendência, em um mundo onde cada dia se faz mais asfixiante o clima do sem sentido e a falta de esperança, em um mundo onde cada dia temos mais motivos para o pessimismo..., este mistério da Assunção de Maria nos abre a uma dimensão mais profunda da vida, ou seja, nos capacita a perceber um novo sentido sobre a nossa peregrinação terrestre. Trata-se de um convite a uma certeza e a uma visão mais otimista sobre a humanidade e seu futuro. 

Este Mistério nos recorda que o verdadeiro ser humano ainda não está em casa. Estamos todos a caminho. A luz do mais além ilumina nossa atualidade; a certeza de futuro dá sentido e consistência ao presente.

Esta plenitude à qual chegou Maria, nos abre a esperança de seguir seus passos. E os passos de Maria são os passos da Visitação, daquela que faz de sua vida um serviço por pura gratuidade. 

O texto de Lucas sobre a Visitação está carregado de símbolos. A primeira palavra em grego é anastasa, que significa levantar-se, surgir, e que na tradução oficial passou por alto. É o verbo que o mesmo Lucas emprega para indicar a ressurreição. Significa que Maria ressuscita a uma nova vida, e sobe à ?montanha?, o espaço do divino. Maria foi assunta porque subiu em direção ao serviço.

A visita de Maria à sua prima simboliza a visita de Deus a Israel. A subida da Galiléia à Judéia nos está adiantando a trajetória da vida pública de Jesus. O Emanuel se manifesta no sinal mais simples, uma visita. Tudo acontece fora da esfera da religião oficial. A partir de agora, devemos encontrar a Deus no cotidiano das casas, onde se desenvolve a vida. Jesus, já desde o ventre de sua mãe, começa sua missão de levar aos outros a salvação e a alegria.

Todos sabemos que quando os seres humanos se encontram, acontece uma mudança, uma transformação. Lucas nos recorda isso tantas vezes em seu Evangelho, sobretudo no relato do ícone da Visitação.

Maria se faz caminho para visitar a sua prima Isabel e revelar o verdadeiro sentido do encontro.

O encontro muda nossa vida. Além disso, um encontro não vem sozinho: tem o efeito cascata, pois nos move a fazer o estupendo percurso que nos leva do eu ao tu esvaziando-nos de toda auto-referencialidade, que é o real impedimento do autêntico do encontro; assim, chegamos ao fecundo nós, criando uma rede de solidariedade.

Em todo encontro revelamos nossa verdadeira identidade; nele, nos reconhecemos diferentes, e a diversidade nos enriquece. Isso ocorre, sobretudo, quando do encontro passamos à convivência, à companhia, à colaboração e à corresponsabilidade.

A cultura do encontro é nossa maneira de ser e fazer Igreja, de construir a comunhão, de visibilizar a caridade, de exercer a misericórdia.

Trata-se de caminhar para um novo paradigma, que nos leve da acolhida ao encontro, do encontro ao cuidado. Esta nova sensibilidade nos abre à acolhida da vida descartada, excluída, enferma e muitas vezes fracassada, para ser lugar e espaço de humanização.

Nos encontros, a vida de cada pessoa é ativada, enriquecida, potencializada. Quem se experimenta a si mesmo como ?vida? é já uma pessoa ?assunta ao céu?. A Vida definitiva já está ?pairando? sobre nossa vida. Por isso, Assunção é vida plena antecipada, é um contínuo renascer, uma nova criação.

Vivemos já a Assunção quando não nos deixamos determinar por uma vida estreita e atrofiada, presa pelos apegos... Somos ?assuntos? quando sonhamos, buscamos e ativamos todos os dinamismos humanos de crescimento e de expansão em direção aos outros. Nós nos ?elevamos? quando ?descemos? em direção à humanidade ferida e excluída. O ?subir? até Deus passa pelo ?descer? até às profundezas da realidade pessoal e social, sendo presença servidora.

?Viver a assunção? implica esvaziar-nos do ?ego?, para deixar transparecer o que há de mais divino em nós. Não há maior glorificação. Este esvaziamento não implica a nossa anulação enquanto ?pessoa?, mas nossa potenciação. Na medida que os aspectos que a limitam diminuem, aumenta o que há de plenitude.

Com razão, viu S. Inácio no ?sair do próprio amor, querer e interesse? o termômetro de toda vida espiritual, a chave de toda existência que queira deixar transparecer o ser e o agir de Deus em nós.

O ?sair do próprio amor? significa que o centro da vida seja ocupado não pelo ego com suas velhas pulsões de cobiça, honra vã e soberba, mas por Deus. Significa que, a partir desse lugar de adoração e de encontro, nosso eu se abra às preferências de Deus, deixando ?Deus ser Deus? em nossa interioridade.

Assim, na nossa peregrinação, já temos o privilégio de ?saborear? antecipadamente o dom da Assunção.

Para meditar na oração
Na oração: Contra uma concepção cada vez mais ?econômica? do mundo, contra o triunfo do possuir, do ter,
do prestígio, o Magnificat exalta a alegria do partilhar, do perder para encontrar, do acolher, do admirar, da felicidade da gratuidade, da contemplação, da doação...

O ser humano, e todo o seu ser, transforma-se então em louvor a Deus. Nenhum outro texto nos revela de maneira tão densa e tão profunda a vida interior de Maria, os pensamentos e os sentimentos que invadem sua alma, a consciência de sua missão, sua fé e sua esperança, sua experiência de Deus, enfim.

Rezar as ?marcas salvíficas? de Deus na sua história pessoal; quê maravilhas o Senhor tem feito em sua vida?

Fonte: Ihu
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