21
Março

Brasil evolui para 'submissão explícita' aos Estados Unidos, diz Celso Amorim

POSTADO POR ADMIN ÀS 08:08

Em entrevista coletiva com o colega Donald Trump, Bolsonaro afirmou que Brasil viveu "décadas de presidentes antiamericanos". Para ex-ministro de Itamar, Lula e Dilma, trata-se de "bobagem conceitua".

A reportagem é de Eduardo Maretti, publicado por Rede Brasil Atual - RBA, 19-03-2019.

Na rápida entrevista coletiva dada pelos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro na Casa Branca, durante visita oficial, no início da tarde de hoje (19), o norte-americano disse que "Brasil e Estados Unidos nunca foram tão próximos quanto agora". Ele acrescentou que houve hostilidade de outros governos brasileiros aos Estados Unidos, sem explicitar quais, e, sobre a Venezuela, que "todas as opções estão na mesa". O colega brasileiro aproveitou para dizer sobre sua ?satisfação? de estar em solo estadunidense "Depois de algumas décadas de presidentes antiamericanos". Bolsonaro acrescentou: "Temos muita coisa a oferecer um ao outro para o bem dos nossos povos. Ele quer uma América grande e eu também quero um Brasil grande."

Donald Trump e Jair Bolsonaro na Casa Branca. Foto: Alan Santos | Presidência da República

Para o diplomata Celso Amorim, a afirmativa de Bolsonaro, de que sucede uma série de ex-presidentes antiamericanos, é "conceitualmente uma bobagem". Tendo ocupado cargos de embaixador no governo de Fernando Henrique Cardoso e de ministro de Itamar Franco, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ele destaca que em nenhum desses momentos houve "antiamericanismo" dos governos brasileiros.

"O que existe são disputas naturais. Tem que reconhecer as diferenças, até para se poder lidar com elas. A não ser que um dos países resolva abrir mão de todos os seus interesses. Está parecendo que é essa a direção que se está tomando", diz. "O Brasil evoluiu de um processo em que tinha uma certa independência, claro que com limitações, para, no governo Temer, uma certa subalternidade estratégica implícita, e agora para uma situação de submissão explícita."

A questão do chamado antiamericanismo de governos brasileiros anteriores foi muito difundida pela grande mídia, diz. Para ele, a discordância brasileira dos Estados Unidos, sobretudo em assuntos econômicos em que os interesses da imprensa estavam envolvidos de uma forma ou de outra, provocava esse tipo de avaliação."Mas é evidente que não era antiamericanismo", diz. Ele lembra de períodos como no governo José Sarney, quando houve uma disputa sobre informática com os EUA, ou as tentativas posteriores dos norte-americanos esvaziarem o Mercosul, com o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), recusado pela maioria dos governos latino-americanos, assim como as diferenças sobre a atitude americana no Iraque.

"Essas diferenças se mantiveram no governo Lula, mas nada disso impediu o diálogo. Lula esteve com George W. Bush em Camp David por cinco horas. Não vejo essa hostilidade de modo nenhum nos governos anteriores. Bush veio ao Brasil e colocou o capacete da Petrobras quando ela não estava sendo privatizada?, lembra. "O próprio Bush, uma vez, se dirigindo a Lula, disse que temos nossas diferenças, mas trataríamos daquilo que nos aproxima."

Embora seja tachado por setores conservadores, pejorativamente, como "petista", Amorim foi embaixador de Fernando Henrique Cardoso em três postos importantes: nas Nações Unidas, em organismos internacionais em Genebra (com destaque para a Organização Mundial do Comércio) e embaixador em Londres. "Nem sempre eu estava em concordância com tudo. O Brasil tinha posição contrária ao uso da força no Iraque e tive apoio do governo Fernando Henrique. Isso não quer dizer que não houvesse diálogo."

Alcântara, extra-Otan e Venezuela
Amorim destaca ainda, como preocupações, as questões de Alcântara, da Venezuela e da fala de Trump segundo o qual ele tem a intenção de designar o Brasil como um aliado extra-Otan, "ou talvez um aliado da Otan" ? em referência a aliados estratégicos que não são membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, mas têm relações com as Forças Armadas dos Estados Unidos.

"Isso nos causaria um problema internacional. O Brasil sempre foi membro dos grupos de não-alinhados na Conferência do Desarmamento, que presidi duas vezes. O Brasil era visto como um país não alinhado. Se é um aliado extra-Otan, já não é não-alinhado. A Argentina ficou nessa posição. Tinha um programa espacial importante, mais avançado que o brasileiro, que acabou. Isso beneficia as exportações americanas, mais do que o interesse brasileiro."

Com a ressalva de que não leu o tratado que permite aos Estados Unidos atuarem em Alcântara, Amorim acredita que os interesses deles estão "disfarçados com linguagem". Por exemplo, os americanos não dirão que brasileiro não pode entrar em Alcântara, o que seria ofensivo à soberania nacional, mas poderão condicionar a presença de qualquer um a uma credencial de segurança. Como os os Estados Unidos terão poder de veto, hipoteticamente, um engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais pode ser vetado se for considerado capaz de apreender a tecnologia deles.

"Não se pode basear um programa espacial, assim como nas áreas nuclear e cibernética, no fato de alugar serviços. Isso não existe. A China não fez isso, a Rússia, a Índia, obviamente os Estados Unidos não fizeram isso, ou a França, só para falar de países que têm programa espacial. Soberania é uma coisa que custa caro." Ele lembra que tal tratado terá que ir ao Congresso ."Não tenho confiança no nacionalismo desse Congresso, mas pelo menos vai permitir uma discussão pública maior."

Sobre a Venezuela, diante da frase de Trump na coletiva, de que ?todas as opções estão na mesa", Amorim reafirma a posição de que há motivo para preocupações. "Se você combina a frase do Trump com a frase da véspera de Bolsonaro, de que confiamos na capacidade bélica dos Estados Unidos, é pra ficar muito preocupado."

"Sabemos que nossos militares têm agido com bom senso nesse aspecto, mas às vezes há um limite a partir do qual não se pode mais controlar. Fico muito preocupado, acho que o problema na Venezuela só se resolve com diálogo. Juan Guaidó é um títere, não simboliza nada. Não tem legitimidade nem como líder da oposição, diferente de (Henrique) Capriles e outros", diz o ex-ministro.

Fonte: IHU
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20
Março

Através de figuras, Israel aprendia a temer a Deus e a perseverar em seu serviço

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:08

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo
Desde o princípio Deus criou o homem para lhe comunicar seus dons; escolheu os patriarcas, para lhes dar a salvação; ia formando um povo,para ensinar os ignorantes a seguir a Deus; preparava os profetas, para acostumar os homens a serem morada do Espírito e a viverem em comunhão com Deus. Ele, que não precisava de nada, oferecia a comunhão aos que dele precisavam. Para os que lhe eram agradáveis, desenhava, qual um arquiteto, o edifício da salvação; aos que nada viam no Egito, ele mesmo servia de guia; aos que andavam errantes no deserto, dava uma lei perfeita; aos que entravam na terra prometida, concedia uma herança; enfim, para os que voltavam à casa do Pai, matava o vitelo gordo e dava a melhor roupa. Assim, de muitas maneiras, Deus ia preparando o gênero humano em vista da salvação futura.

Eis por que João diz no Apocalipse: Sua voz era como o fragor de muitas águas (Ap 1,15). Na verdade, são muitas as águas do Espírito de Deus, porque é muita a riqueza e grandeza do Pai. E, passando através de todas elas, o Verbo concedia generosamente o seu auxílio a quantos lhe estavam submetidos, prescrevendo uma lei adaptada e adequada a cada criatura.

Deste modo, dava ao povo as leis relativas à construção do tabernáculo, à edificação do templo, à escolha dos levitas, aos sacrifícios e oblações, às purificações e a todo o restante do serviço do altar.

Deus não precisava de nada disso, pois é desde sempre rico de todos os bens, e contém em si mesmo a suavidade de todos os aromas e de todos os perfumes, mesmo antes de Moisés existir. Mas educava um povo sempre inclinado a voltar aos ídolos, dispondo-o, através de muitas etapas, a perseverar no serviço de Deus. Por meio das coisas secundárias chamava-o às principais, isto é, pelas figuras à realidade, pelas temporais, às eternas, pelas carnais, às espirituais, pelas terenas, às celestes, tal como foi dito a Moisés: Farás tudo segundo o modelo das coisas que viste na montanha (Ex 25,40).

Durante quarenta dias, com efeito, Moisés aprendeu a guardar as palavras de Deus, os sinais celestes, as imagens espirituais e as figuras das coisas futuras. Paulo também disse: Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava ? e esse rochedo era Cristo (1Cor 10,4). E acrescenta ainda, depois de ter falado dos acontecimentos referidos na Lei: Estas coisas lhes aconteciam em figura e foram escritas para nos admoestar e instruir, a nós que já chegamos ao fim dos tempos (1Cor 10,11).

Por meio dessas figuras, portanto, eles aprendiam a temer a Deus e a perseverar em seu serviço. E assim a Lei era para eles, ao mesmo tempo, norma de vida e profecia das realidades futuras.

Fonte: Oficio das Leituras
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19
Março

Guarda fiel e providente

POSTADO POR ADMIN ÀS 12:09

Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero

É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.

Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse: Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).

Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem especialmente escolhido,por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo de modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São José uma singular graça e reverência.

Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido.

E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou. Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.

Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.

Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
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