18
Julho

Faísca de Sabedoria

POSTADO POR ADMIN ÀS 13:22



Desejo de agradar somente a DEUS

A primeira característica que, na personalidade de Bento, nos impressiona é sua excepcional seriedade.
O espírito beneditino é um espírito de maturidade e profundeza.
Mesmo quando criança, possuía Bento a sabedoria que, normalmente, só com a experiência de longos anos adquirimos.
Dotado de prudência sobrenatural, tinha penetrante intuição do nada das coisas mundanas, delas se afastando para consagrar a Vida ao Criador.
Toda a Vida de Bento pode ser resumida nas palavras com que S. Gregório o descreve no momento em que ele se retira para a gruta solitária de Subiaco: " no desejo de agradar somente a DEUS", soli DEO placere desiderans.

MERTON, T. A Vida Silenciosa
Petrópolis: Editora Vozes, 2002. P. 68
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18
Julho

Jovens de Patrocínio e região participaram do PHN na Canção Nova

POSTADO POR ADMIN ÀS 12:52



Nos dias 11 a 14 de julho adolescentes, jovens e adultos participaram do PHN (Por Hoje Não Vou Pecar) na Canção Nova.

O PHN (Por Hoje Não) é um movimento de combate ao pecado criado para jovens, que prega a luta pelas Coisas Divinas no dia após dia. Impulsionado pelo missionário e cantor da Comunidade Canção Nova, Dunga, o PHN, hoje, movimenta milhares de pessoas em todo o mundo.

Este ano foi um acampamento diferente segundo a juventude que participou muitos anos e os que participaram pela primeira vez.

O tema deste foi inspirado em uma frase do Santo Padre Papa João Paulo II "Jovem, não tenha medo de ser santo" e com esse tema teve como proposta preparar os jovens para serem verdadeiros guerreiros na luta contra o pecado.

Organizadas pelo tio Francisco da Renovação Carismática Católica, participaram excursões de Patrocínio e também Monte Carmelo e outras cidades mineiras e de todo Brasil e mesmo de outros países da América do Sul.

O evento teve a presença dos missionários da Canção Nova padre Adriano Zandoná, padre Bruno Costa, Alexandra Gonçalves, Cristiane Henrique, Emanuel Stênio, Pitter Di Laura, Thiago Tomé e dos convidados padre Mário Sartori, padre Marcelo Rossi, padre Paulo Ricardo, Astromar Braga e Dunga.

Toda a programação do encontro abordou o revestimento e o armamento que todo jovem cristão deve portar para não temer a luta contra o pecado e viver a busca pela santidade como um autêntico guerreiro.

A inspiração para as pregações do encontro está na Palavra de Deus, Efésios 6,13-17: "Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a Palavra de Deus." 
Durante o PHN aconteceram adorações ao Santíssimo Sacramento com os Padres e pregações.

Também tiveram grupos de orações onde os jovens tiveram momentos de muita espiritualidade.

Os jovens puderam contar com shows que acontecem no Centro de Evangelização, atividades paralelas: Adorações ao Santissímo Sacramento, Cine PHN, Catequese PHN, Pocket Show, Teatro, Feira Vocacional e Meditação da Via-sacra no caminho da Misericórdia.

Segundo o pregador Dunga A vida é um processo de santidade

Entendido isso podemos perceber várias situações da nossa vida que somos obrigados a viver esse processo. É como quando se faz um vestibular para faculdade e existem muitos mais candidatos do que vagas. Nessa situação, somos chamados a entregar mais esforço, para sermos selecionados, pois, se não fizermos isso, não conseguiremos a vaga.

Então, quando somos chamados a sermos santos, estamos sendo chamados a sermos protagonistas, de ser aquele que faz algo a mais para merecermos tal escolha. Não podemos ter medo de sermos escolhidos, porque se ficarmos amedrontados com a realidade, nada seremos. Muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos.
Para vivermos esse processo sem medo, São Paulo vem nos falar sobre três áreas da nossa vida: a pureza, a caridade e o trabalho. São essas 3 dimensões que precisamos entender.

A Santa Missa final do acampamento foi presidida pelo Padre Marcelo Rossi e concelebrada pelos padres Adriano Zandoná, Bruno Costa, dentre outros sacerdotes.

Infelizmente durante a Santa Missa como foi divulgado pelo POL uma mulher subiu ao palco e empurrou o padre Marcelo Rossi, porém este fato não tirou o brilho do evento só aumentou devido ter tido a intercessão de Maria.

O próprio padre divulgou o tema do ano 2020 Maria passa à frente e pisa na cabeça da serpente e segundo ele antes de ter acontecido o fato no mesmo dia ele havia começado uma novena onde pediu a todos para rezarem por ele.

O grupo de Oração da Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio Kerigma participou também do Acampamento.

O repórter fotográfico Jonata Ulisses de Patrocínio esteve presente ao evento e fez o registro em fotos com os padres e pregadores e também durante o evento com jovens de outros estados. 

FONTE: POL
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12
Julho

15º Domingo do Tempo Comum

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:32


Amar a Deus e o próximo e agir com misericórdia

I. Introdução geral

Nesta liturgia, o tema central é o amor e a misericórdia. Em Dt 30,10-14, o amor se revela na fidelidade de Deus, que acolhe o povo desviado do caminho. Não basta, porém, desejar retornar ao Senhor, é necessário estar disposto a uma mudança de mentalidade, a uma transformação (I leitura), possível por meio da observância da Lei. Essa Lei, expressão da aliança entre Deus e o povo, não é difícil nem está distante, conforme afirma o autor, mas está ao alcance de quem ama a Deus: está em sua boca e em seu coração. A Lei como expressão da vontade de Deus está ao nosso alcance e pode ser sintetizada no amor a Deus e ao próximo (evangelho) -sobretudo ao irmão que necessita de nossa ajuda, de nossa compaixão, de nossa misericórdia. Para isso, contudo, é necessário que Cristo seja central em nossa vida, ele que é o primogênito da criação, o mediador da redenção, por reconciliar tudo por meio de sua entrega por amor ao projeto do Pai (II leitura).

Primeira Leitura (Dt 30,10-14)

Leitura do Livro do Deuteronômio:
Moisés falou ao povo, dizendo: Ouve a voz do Senhor, teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma.
Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance. Não está no céu, para que possas dizer: "Quem subirá ao céu por nós para apanhá-lo" Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?"
Nem está do outro lado do mar, para que possas alegar: "Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?"
Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir.

I leitura: Dt 30,10-14

Dt 30,10-14 pertence ao terceiro discurso de Moisés (cf. Dt 29-30), no qual o autor contrapõe a aliança e a fidelidade de Deus às infidelidades do povo. Deus, porém, sempre acolhe e concede a vida, se o povo estiver disposto a voltar-se, a converter-se.
Para o autor deuteronomista (do século VIII-VI a.C.), a Lei de Moisés era fundamental e era fonte de sabedoria, por ser a expressão da aliança estabelecida entre Deus e o povo. Ela era fruto do amor e da eleição da parte de Deus. O texto da liturgia deste dia nasceu, provavelmente, antes do exílio, no Reino do Norte, mas depois foi levado para o Reino do Sul. Em seguida, foi relido e modificado após a experiência do exílio, considerada pelos autores deuteronomistas como resultado da infidelidade do povo e dos seus líderes. Em Dt 30,10-14, o povo é exortado a não ser infiel à Lei, considerando-a difícil e não acessível, pois ela está ao alcance de quem ama a Deus.
O v. 10 é a conclusão do discurso apresentado nos vv. 1-9. Nele, Moisés exorta o povo a retornar ao Senhor (cf. vv. 1-2), por ele ser a origem da vida. Nesse sentido, Moisés afirma que o agir divino abraça todos os âmbitos da história do povo (cf. vv. 3-7.9) e lhe concede a vida, a fecundidade, a prosperidade, a posse da terra, a segurança com relação aos inimigos. Apesar da infidelidade, Deus está disposto a acolher o povo. O autor deixa claro, contudo, que não basta voltar-se para Deus, é necessária uma transformação do coração e da alma (cf. v. 10), isto é, uma conversão que abarque a totalidade da pessoa.
A expressão "com todo o coração e com toda a alma" reporta-se ao texto do Shemah, que recomenda ao povo amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a força (cf. Dt 6,4). O v. 10 finaliza a seção anterior, que tinha como tema a bênção futura, e segue apresentando a proximidade da Lei, da Palavra de Deus. Nota-se que os termos "mandamento" (v. 11) e "palavra" (v. 14) são sinônimos neste texto, pois ainda que o primeiro sublinhe o aspecto da normatividade, que tem como mediador Moisés, e o segundo acentue a revelação de Deus, ambos os termos manifestam a vontade divina.
Os vv. 11-14, de caráter sapiencial, afirmam que a vida está no cumprimento da Lei e que afastar-se desta é a mesma coisa que morrer. A Lei não é constituída de prescrições, mas é a síntese de todas as experiências vitais importantes que o povo de Deus fez ao longo de sua caminhada; é expressão do amor de Deus, que é fonte de vida. Por isso, aderir à Lei é a mesma coisa que amar a vida, buscá-la e promovê-la.
O autor enfatiza duas expressões negativas no v. 11: "não é difícil" e "não é distante". A palavra traduzida por "difícil", em português, tem em hebraico o sentido de "extraordinário", como algo inatingível, imperscrutável, incompreensível para a mente humana. A negação dessa condição aponta a acessibilidade da Lei e a possibilidade de uma compreensão imediata. A segunda expressão está ligada a Dt 5,27, que denota que aproximar-se da divindade significa pôr em risco a vida. Contrariamente, nesse v. 11, o autor afirma que aproximar-se da Lei é aproximar-se da fonte da vida.
O autor nega as justificativas que o povo pode apresentar para não cumprir a Lei (cf. vv. 12-13), afirmando que ela não está no céu nem do outro lado do mar - numa alusão ao movimento vertical e horizontal para indicar o máximo de afastamento possível (cf. Dt 29,28)-, mas está ao alcance de todos aqueles que estão dispostos a promover a vida. Também não é necessário haver alguém que a ensine, pois, como dizem os profetas, essa aliança está inscrita no coração (cf. Jr 31,31-34 e Ez 11,19; 36,36). Essa passagem supera a distância entre Deus e o ser humano. Assim, se a pessoa não pode se aproximar de Deus, este se aproxima dela. A palavra/ordem se torna mediadora da presença de Deus, sendo também a mediação de seus dons e de seus benefícios. Por meio dela, Israel estabelece e vive o ligame profundo com seu Deus. Para indicar essa proximidade da Palavra, o autor utiliza duas expressões: "na boca" e "no coração" (v. 14). A referência a "estar na boca" enfatiza a possibilidade de essa Palavra ser proclamada, anunciada, meditada. Desse modo, o autor chama a atenção para a necessidade de escutá-la, para vivê-la e anunciá-la (cf. Dt 8,3; Ez 2,8-3,11; Sl 119,131). A Palavra, contudo, não está somente na exterioridade do ser humano; está também em seu coração, em sua interioridade, na sede das suas decisões, de seus anseios, de seus afetos, de seu modo de pensar e agir. Portanto, o povo é chamado a escutar a Palavra, amá-la e pô-la em prática, pois somente ela pode lhe garantir a plenitude da vida.

Segunda Leitura (Cl 1,15-20)

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses:
Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois, por causa dele, foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência.
Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cr
uz.

II leitura: Cl 1,15-20

Não há consenso entre os biblistas sobre Colossenses ser ou não uma carta autêntica de Paulo. Contudo, pela problemática abordada, pelo estilo, pelo vocabulário, pela linguagem cósmica e pela sua afinidade com Efésios, podemos considerá-la uma carta deuteropaulina, ou seja, não escrita por Paulo. O hino proposto como a segunda leitura deste dia é uma resposta à concepção presente na comunidade de Colossas de que Jesus seria inferior aos anjos, porque estes seres celestes permaneceram na presença de Deus, enquanto Jesus teria se rebaixado por causa de sua encarnação, por assumir a realidade humana.
O contexto literário de Cl 1,15-20 é Cl 1,9-14 ? ou seja, essa perícope está inserida numa exortação. O autor pede que o destinatário cresça no conhecimento da vontade de Deus (cf. vv. 9-14) e receba, por meio de Cristo, o perdão dos pecados. O hino ajuda o cristão a se direcionar para o Reino do Filho, do qual Deus o fez participante, porém seu tema principal é o primado de Cristo. Inicia-se atribuindo dois títulos a Jesus, que definem o seu papel em relação a Deus e ao mundo (cf. v. 15). O primeiro título,"imagem do Deus invisível", tem a finalidade de afirmar que - Jesus é a revelação única e definitiva de Deus. O segundo título,"primogênito da criação", define sua função em relação ao mundo criado -
Diferentemente das cartas protopaulinas (cf. 1Cor 12,12), Colossenses apresenta Cristo como a cabeça da Igreja; portanto, como autoridade máxima. A imagem do corpo serve para reforçar essa união indissolúvel entre Cristo e a Igreja - isto é, a Igreja recebe sua vida, seu crescimento e seu dinamismo de Cristo.
Cristo tem a primazia, porque todos foram criados por ele, nele e para ele (cf. v. 16). Toda criatura deve-lhe sua existência, porque ele é a origem, a fonte, o fundamento e a meta da criação (cf. v. 17). A Igreja também é completamente dependente de Cristo, do Filho de Deus. Cristo é a potência de tudo: das coisas visíveis (cosmo) e das invisíveis (potências angélicas). Todo o mundo criado é orientado para ele.
Nos vv. 15-17, a criação e a vida eclesial são relidas à luz de Cristo. Essa releitura desemboca nos vv. 18-20, que apresentam o primado de Jesus na redenção. O Filho de Deus é denominado "primogênito dentre os morto" (v. 18). Não porque ressuscitou primeiro, mas porque é o fundamento de nossa ressurreição e redenção. Por meio de sua fidelidade ao projeto do Pai, realiza-se a reconciliação de toda a humanidade. Desse modo, temos a ênfase no evento histórico salvífico como forma de confirmar o primado universal de Cristo. De fato, Cristo é o princípio unificador da realidade cósmica, humana e divina; é a reconciliação e a salvação; é o mediador da criação. Por isso é superior: por existir antes de tudo, toda a criação encontrar nele a origem, a existência e a consistência e, por meio dele, realizar-se a história da salvação (plenitude divina).

Anúncio do Evangelho (Lc 10,25-37)

Naquele tempo, um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou:"Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna"
Jesus lhe disse:"O que está escrito na Lei? Como lês?  Ele então respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!"
Jesus lhe disse: "Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás".
Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: "E quem é o meu próximo?- Jesus respondeu: "Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora, deixando-o quase morto.
Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado.
Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: "Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais?".
E Jesus perguntou: "Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus lhe disse: "Vai e faze a mesma coisa".


Evangelho: Lc 10,25-37

A passagem do evangelho escolhida para esta liturgia também está inserida no relato da viagem de Jesus rumo a Jerusalém (cf. Lc 9,51-19,27). O texto apresenta um mestre da Lei que faz uma pergunta a outro mestre - uma cena comum no contexto judaico, quando os grandes mestres e os discípulos debatiam sobre temas fundamentais do judaísmo e, particularmente, sobre as diferentes interpretações da Lei. Por conseguinte, a pergunta do mestre da Lei não tem caráter hostil, como é apresentado em vários comentários, mas seria uma forma de ouvir o ensinamento de um grande mestre, como era Jesus, ou de possibilitar um debate sobre as questões divergentes entre os mestres da época.
A pergunta é sobre o que fazer para herdar a vida eterna. Jesus responde com outra pergunta, na qual pede que seu interlocutor aprofunde ("como lês?", v. 26) aquilo que está escrito (interpretação literal), dando, portanto, a sua interpretação. O legista sintetiza a Lei em dois mandamentos, unificando duas citações bíblicas: o amar a Deus (cf. Dt 6,5) e o próximo (cf. Lv 19,18). O amor para com Deus deve abarcar a totalidade do ser humano, ou seja, sua vida (alma), a sede de suas decisões e de suas capacidades intelectuais e emocionais (inteligência e coração), mas também seus bens materiais (sua força). O amor para com o próximo é referência tirada de Lv 19,18, cujo contexto é a não vingança contra o próximo. Ou seja, no contexto literário original, o próximo seria o inimigo; com o decorrer do tempo, porém, foi mais estritamente identificado com as pessoas do clã, da família.
Diante da resposta sábia do seu interlocutor, Jesus responde com outro texto bíblico, extraído de Lv 18,5: "Faze isso e viverás" (v. 28) - ou seja, esse é o caminho que te levará para a vida em plenitude. O mestre da Lei, não satisfeito, faz outra pergunta, para continuar a reflexão: "E quem é o meu próximo?" (v. 29). A resposta de Jesus, desta vez, dá-se por meio da parábola do bom samaritano, que muda o foco da questão: não aponta quem é o próximo, mas como se fazer próximo das pessoas, sugerindo que isso consiste em ser misericordioso e ter compaixão do irmão mais necessitado.
A parábola inicia-se apresentando um homem que desce de Jerusalém para Jericó. Não há nenhuma identificação de quem seja esse homem: é um anônimo, não temos nenhuma referência sobre sua condição social, religiosa, geográfica. Provavelmente deva ser um judeu, pelos elementos apresentados e por ser depois ajudado por um samaritano.
Esse homem é assaltado, e o foco não está no assalto em si, mas na condição deplorável em que se encontra a vítima. Aparecem dois personagens, o levita e o sacerdote, ambos da classe sacerdotal, que passam, mas não sentem misericórdia por essa pessoa. Seus interesses pessoais e suas funções são mais importantes do que socorrer o ferido. Provavelmente, ambos têm medo de se contaminar com as feridas dessa pessoa, dado que estão relacionados ao culto e ao sacrifício, que exigem pureza ritual. Aparece então um samaritano, o único que tem um motivo definido para passar naquela estrada: está em viagem, provavelmente a trabalho, mas vê a vítima, tem compaixão dela e sai de si para tocar-lhe as feridas e dar-lhe assistência.
Por razões históricas, havia uma inimizade entre judeus e samaritanos. Desde o período da divisão do Reino do Norte e do Sul, a Samaria e o Reino do Norte eram sinônimos de idolatria e de abandono da tradição, pois não adoravam a Deus no Templo de Jerusalém nem eram governados pelos descendentes de Davi, afastando-se das promessas dadas por Deus ao povo. No período da dominação assíria sobre essa região, houve a migração dos samaritanos para outras cidades e a inserção de outros povos na Samaria, que traziam seus cultos religiosos e seus deuses (cf. 2Rs 17,24-41), aumentando o preconceito dos judeus contra os samaritanos. Outro fator que alimentou a inimizade entre esses povos foi a resistência dos samaritanos à reconstrução do Templo de Jerusalém, no pós-exílio. Tal conflito piorou com a destruição do templo dos samaritanos, no monte Garizim, pelos judeus, sob o mandato de João Hircano I ou Simeão, um dos Macabeus, que governou a Judeia. Por isso, provavelmente a vítima na parábola era um judeu, que teve assistência por causa da misericórdia de um samaritano.
Nessa parábola, o samaritano não ama somente a Deus com toda a alma, com o coração e com suas forças, mas também o irmão necessitado. Como diz a I leitura, cumprir a Palavra de Deus não é algo longe, distante, pois ela está próxima e se faz próxima no irmão necessitado. Amar a Deus e amar o irmão são atitudes inseparáveis. Assim, como o mestre da Lei, também nós recebemos o convite de Jesus: "Vai e faze a mesma coisa" (v. 37).

III. Pistas para reflexão

As leituras desta celebração nos indicam que o amor para com Deus é inseparável do amor para com o próximo. Outro elemento importante, nesta liturgia, são os vários significados da palavra "misericórdia". Em primeiro lugar, a misericórdia de Deus que acolhe o povo, apesar de sua infidelidade em cumprir a aliança, embora seja necessária a transformação do coração (I leitura). A misericórdia expressa na entrega salvífica de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado (II leitura) que não é inferior aos seres celestes, mas é a plena revelação de Deus e de sua presença na história. Por fim, a misericórdia como expressão de uma vida coerente com os dois mandamentos: amor a Deus e ao próximo.
Diante da parábola do bom samaritano, também nós podemos procurar justificativas para nossa falta de iniciativa: os tempos são outros; hoje há muita violência - Nós nos reservamos por medo de magoar, ofender, sermos intrusos, sermos mal interpretados, por indiferença e por omissão. Podemos também não nos sentir corresponsáveis por aquilo que acontece com as pessoas na sociedade. O papa Francisco, no Ano da Misericórdia, alertava-nos sobre as situações de precariedade e os sofrimentos do mundo atual:
Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. A Igreja é chamada ainda mais a cuidar dessas feridas, a aliviá-las com o óleo da consolação, a enfeixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas [...]. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los
a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo (Misericordiae Vultus, §15).
Durante esta semana, que possamos ter presentes no coração estas perguntas: Como nos fazer próximos dos irmãos e irmãs, sobretudo daqueles que necessitam da nossa misericórdia? O nosso agir cristão é perpassado pela nossa experiência de sermos amado/as e redimido/as por Jesus Cristo, o Senhor da nossa vida? 

FONTE: Introdução e Comentários:  Vida Pastoral 
                       Leitura e Evangelho :Liturgia Diária 
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