22
Janeiro

Brasil precisa reduzir drasticamente consumo de carne, alerta estudo

POSTADO POR ADMIN ÀS 08:14

Para evitar crise alimentar e catástrofe climática, estudo recomenda redução de 40% da ingestão de carne entre os principais consumidores da proteína no mundo, sendo o Brasil o maior deles.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 05-12-2018.

Com um consumo de 140 calorias de carne por pessoa diariamente, o Brasil é o maior consumidor deste tipo de alimento do mundo e precisará reduzir a ingestão da proteína drasticamente para evitar uma crise alimentar e uma catástrofe climática, apontou um estudo divulgado nesta quarta-feira (05/12).

Segundo o relatório do Instituto de Recursos Mundiais (WRI), cerca de 2 bilhões de pessoas nos países do mundo que consumem grandes quantidades de carne ? que, além do Brasil, incluem Rússia e Estados Unidos ? precisam cortar seu consumo em 40% em relação ao ano de 2010.

O WRI analisou especificamente o consumo de carne de ruminantes, que além da bovina, inclui a de ovinos e caprinos. O estudo indica que o consumo ideal seria 1,5 vez por semana, em média, e destaca que metade da população mundial ingere mais proteína do que o necessário.

A redução recomendada é menor que a indicada em estudos anteriores, porém, considerada realista pelos autores do estudo, que preveem que o mundo precisará de 50% mais alimentos em 2050 para nutrir uma população mundial estipulada em 10 bilhões de habitantes, 3 bilhões a mais do que hoje. Ao mesmo tempo, para conter as mudanças climáticas, as emissões de gases do efeito estufa na agricultura precisarão diminuir em dois terços.

Diante desse cenário, o WRI aponta que o aumento na produção de alimentos não pode causar uma expansão das áreas agrícolas e nem a destruição de florestas. Atualmente, metade de todas as áreas não construídas no mundo já é usada pelo setor agrícola, que emite um terço de todos os gases que provocam o efeito estufa.

Para evitar uma crise alimentar e o aquecimento global, o relatório afirma que será necessário aumentar a produtividade por hectare, cortar o consumo de carne e acabar com o desperdício de alimentos, que atinge um terço de toda a produção.

"Precisamos mudar a forma como produzimos e consumimos alimentos, não somente por questões ambientais, mas porque isso é uma questão existencial para o ser humano", destacou Janet Ranganathan, vice-presidente do WRI.

O estudo também destaca a importância de aumentar a produtividade agrícola e, ao mesmo tempo, proteger florestas e ecossistemas e cita o Brasil como exemplo em política de concessão de crédito para a agricultura relacionada à proteção do meio ambiente.
Além do aumento da produtividade, o relatório recomenda o reflorestamento de regiões de baixo potencial agrícola, como o Brasil tem feito na Mata Atlântica.

O relatório do WRI, chamado Criando um Futuro Alimentar Sustentável, foi lançado na Conferência do Clima da ONU (COP-24) em Katowice, na Polônia.

Fonte: IHU
fechar

Recomende:






fechar

Comentário:






separa
21
Janeiro

Na igreja precisamos de testemunhas, não de mestres.'' Entrevista com Franz Jung, bispo de Würzburg, Alemanha

POSTADO POR ADMIN ÀS 14:15

O bispo alemão da diocese de Würzburg, Franz Jung, em uma entrevista para o jornal Tagespost, respondendo às perguntas de Oliver Maksan, Regina Einig e Kilian Martin, 09-01-2019, traçou um quadro de uma Igreja pastoralmente renovada e capaz de futuro. O ponto de partida é que uma era já acabou ? a de uma Igreja de povo, como era no passado ?, e não é mais possível continuar assim. São necessárias ideias, propostas e iniciativas novas. Quais?

A entrevista foi republicada por Settimana News, 16-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.
Dom Jung, você não é um político, mas, no ano passado, no início do seu mandato, assumiu um programa de governo que pretende pôr em prática?

Só seremos credíveis como Igreja se levarmos a sério a nossa missão para com os pobres. A pergunta é: quem são os pobres? São as famílias? Os solteiros? Aqueles que estão em busca? - Franz Jung

Tweet
Parece-me que três pontos são decisivos para o futuro da Igreja, para além de qualquer problema organizacional ou estrutural da paróquia, como as finanças da Igreja ou a reforma da paróquia: a oração contemplativa, o anúncio da fé e o serviço aos pobres. Só seremos credíveis como Igreja se levarmos a sério a nossa missão para com os pobres. A pergunta é: quem são os pobres? São as famílias? Os solteiros? Aqueles que estão em busca? Se quisermos que a Igreja seja sacramento de salvação para o mundo, devemos estar presentes para todos. Substancialmente, esse programa não inclui nada mais do que os três serviços fundamentais clássicos: liturgia, catequese e caritas.


Então, você não pretende idealizar algo novo?

Não. Esses pontos não são originais, mas centrais para nós como Igreja. Devemos novamente pôr a contemplação no centro. Eu noto nos padres e nos empregados de turno integral uma grande disponibilidade para assumir os compromissos. Mas talvez o encontro com o Senhor, às vezes, não tem a devida atenção. A missão começa a partir da missão para consigo mesmo. Devo me pôr em oração diante da realidade da minha vida e me perguntar: sou realmente aquilo que anuncio ou sou apenas um funcionário?

Tempos atrás, uma pesquisa sobre a vida espiritual dos padres provocou uma certa admiração. Nem todos celebram diariamente, e a confissão também é parcialmente negligenciada. Isso lhe preocupa?

Em tempos de escândalos financeiros e de abusos, não damos uma boa imagem. Se alguém abusa das crianças, todo anúncio da fé acaba - Franz Jung

Tweet
Eu sempre digo aos meus padres: se vocês mesmos não se confessam, como podem pretender que as pessoas confessem? As pessoas percebem que algo não está certo. Isso também vale para a celebração. Chegar na sacristia poucos momentos antes do início da celebração não está certo. É preciso um tempo de recolhimento, e isso só é possível se estivermos presentes por um tempo antes da Santa Missa. Em última análise, podemos dizer: eu só posso anunciar aquilo que vivo. É preciso falar a partir da própria experiência. Só então poderemos nos dirigir frutuosamente aos outros. Isso significa encontrar novas formas de catequese e de aprofundamento da fé.

Em que você pensa?

O problema é que nós, para a fase decisiva da vida dos jovens adultos e dos adolescentes, não temos nenhuma proposta de catequese: ensinamos catecismo por longos anos no tempo que precede a Primeira Comunhão e a Crisma. E, depois, isso se interrompe. Na Igreja antiga, o aprofundamento da catequese, propriamente dito, começava depois de receber os sacramentos. Pense-se nas famosas catequeses mistagógicas que Ambrósio nos transmitiu. Em vez disso, nós fazemos o contrário. Isso funcionou nos tempos de uma Igreja de povo. Supunha-se que o verdadeiro aprofundamento continuava na família ou na comunidade paroquial com a participação regular na vida paroquial e com a vida de fé na família. Hoje não é mais assim.

O que deve mudar?

A minha esperança é de que a oração, um anúncio renovado da fé e o serviço aos pobres constituam a riqueza de uma Igreja institucionalmente mais pobre - Franz Jung

Tweet
Primeiro, precisamos criar cristãos que tenham uma certa formação. O que não temos. Pensamos muito ainda de acordo com a lógica de uma Igreja de povo, em que todos nós crescemos. Seria significativo, por exemplo, fortalecer o catecumenato e também a celebração litúrgica da fase de crescimento na fé.


Atualmente, ensinamos catecismo durante anos. Por que produzimos apenas analfabetos em questões religiosas?

É uma pergunta importante. Eu também tive a experiência disso como professor de religião: todos os anos, começamos do zero. Isso depende do fato de que aquilo que se aprendeu não tem conexão alguma com a vida concreta. Esquece-se aquilo que aprendeu, porque parece irrelevante. O ensino da fé e a vida concreta constituem uma coisa só. Tive experiências maravilhosas na equipe formativa em um hospital. Nesse ambiente, a transmissão da fé da Igreja, a doutrina sobre a morte e sobre o que nos espera após a morte encontram logo um terreno adequado.

Você deseja novas propostas de catequese para adultos. Mas é plenamente valorizado o potencial de anúncio oferecido à pastoral comum da paróquia e em circunstâncias privilegiadas como batismos e funerais?

Hoje, as funerárias oferecem um pacote completo e abrangente, incluindo um orador fúnebre gratuito. Muitas pessoas o reservam quando o pároco não pode - Franz Jung

Tweet
Os párocos às vezes reclamam dos inúmeros funerais, esquecendo-se de que são oportunidades missionárias por excelência. São momentos em que vamos ao encontro de pessoas que, caso contrário, nunca são vistas. A concorrência, aliás, não dorme no ponto. Hoje, as funerárias oferecem um pacote completo e abrangente, incluindo um orador fúnebre gratuito. Muitas pessoas o reservam quando o pároco não pode.


As situações para o anúncio da fé, portanto, não faltam. Mas as pessoas estão abertas para acolher a mensagem? De acordo com Marx, Darwin e Freud, o caminho para a fé geralmente nasce de uma cultura elementar.

Antes de crer na mensagem, a pergunta que se faz é: eu acredito no mensageiro? Em tempos de escândalos financeiros e de abusos, não damos uma boa imagem. Se alguém abusa das crianças, todo anúncio da fé acaba.

É claro, mas a fé cristã exige muito do ponto de vista cognitivo. Encarnação de Deus, morte expiatória de Jesus, ressurreição etc. O homem de hoje está fechado a essa abordagem?

Se a resposta à pergunta sobre Deus muda algo na sua vida, então você pode continuar a fazê-la, mas, se não muda nada na sua vida, então tudo acabou - Franz Jung

Tweet
O grande problema do anúncio é ? como reconheceu o cardeal Kasper justamente ? a pergunta sobre Deus: Deus existe e tem um papel na minha vida? Como afirma Bert Brecht: se a resposta à pergunta sobre Deus muda algo na sua vida, então você pode continuar a fazê-la, mas, se não muda nada na sua vida, então tudo acabou. Eu a considero, acima de tudo, como uma pergunta dirigida a nós: a fé muda alguma coisa na minha vida? Sem Deus, falta alguma coisa ou podemos viver sem Ele? Por isso, precisamos não só de mestres, mas acima de tudo de testemunhas.


Falamos da mudança na catequese devida ao fim da Igreja de povo. A falta de padres requer o uso de leigos na liderança da comunidade? Na Arquidiocese de Munique-Freising, segue-se esse caminho. Você pretende propô-lo também em Würzburg?

A liderança de uma paróquia é tarefa do pároco. A pergunta é se, in loco, há interlocutores que atuem como moderadores daquilo que o pároco com a sua equipe decidiu depois de ouvir os grupos. Nós nos confiamos aos voluntários porque o número de pessoal leigo em tempo integral continua diminuindo.

Em que sentido?

Nos próximos anos, em todas as dioceses alemãs, um grande número de referências pastorais e comunitárias se aposentará. E não temos novas levas que possam ocupar os lugares que ficarão vagos. O número de estudantes diminui, não só entre os candidatos ao sacerdócio.

Palavra-chave: ?vocações ao sacerdócio?. Recentemente, você disse em uma entrevista que a homossexualidade não constitui um obstáculo no caminho para o sacerdócio. Mas como uma orientação homossexual pode entrar em acordo com a ideia do celibato para o Reino dos Céus?

Vários estudos dizem que a porcentagem de homens com orientação homossexual no presbitério católico é superior à média social. Como bispo, tenho que lidar com isso - Franz Jung

Tweet
Vários estudos dizem que a porcentagem de homens com orientação homossexual no presbitério católico é superior à média social. Como bispo, tenho que lidar com isso. Para mim, é muito importante que os sacerdotes homossexuais vivam como prometeram na sua ordenação e, assim como espero de qualquer outro, que sejam fiéis ao celibato.


Você agora pensa nos padres. O que diria aos homossexuais que querem se tornar padres?

O celibato é o dom da vida para o Reino dos Céus. ?Ele foi, vendeu tudo o que tinha e comprou a pérola.? Isso para mim é o essencial. Isso vale para os candidatos heterossexuais e homossexuais.

O aspecto da renúncia consciente de um casamento heterossexual não tem papel algum?

O celibato é o dom da vida para o Reino dos Céus. Isso para mim é o essencial. Isso vale para os candidatos heterossexuais e homossexuais - Franz Jung

Tweet
O homossexual também renuncia à união com outro.


Mas isso significaria colocar a união homossexual e o casamento no mesmo nível.

Não, não disse isso. Eu considero a disponibilidade de seguir a Cristo e o dom de si pelo Reino dos Céus como elementos cruciais para a seriedade de uma vocação.

Você ainda está no início do seu mandato. Se tentar ir com esse pensamento até o fim, o que entrevê? Uma nova imagem de Igreja ou as ruínas fumegantes da Igreja de povo?

Em todo o caso, uma nova forma de Igreja tem início. Agora, devemos preparar o terreno. Neste momento, estamos como que paralisados, um pouco como o coelho na frente da cobra, e preferimos deixar que tudo continue assim. Mas isso está errado. É claro que grande parte das coisas em que confiávamos mais estão destinadas a desaparecer. Também por falta de dinheiro. Teremos menos colaboradores em tempo integral. Não poderemos mais manter todos os edifícios que possuímos agora. A pergunta, portanto, é: o que resta? A minha esperança é de que a oração, um anúncio renovado da fé e o serviço aos pobres constituam a riqueza de uma Igreja institucionalmente mais pobre.

Neste momento, estamos como que paralisados, um pouco como o coelho na frente da cobra, e preferimos deixar que tudo continue assim. Mas isso está errado - Franz Jung

Tweet
Então, uma mudança radical espera por nós?


Sim. As nossas instituições eclesiásticas têm um valor. Mas, em outros países, a Igreja não as possui e, mesmo assim, continua a sua missão. O que importa é que aquilo que temos e realizamos nas nossas instituições seja aperfeiçoado por um conteúdo de fé. Ainda confiamos em muitas estruturas de apoio que, no fim, não servem. Tome a lei da Igreja sobre o trabalho. Ela é esvaziada passo a passo pelos tribunais. Mas, mais do que privilégios sociais, precisamos de pessoas que estejam convencidas da Igreja e da sua fé, e que façam as suas obras com base nela. Só isso nos ajudará a seguir em frente. Como lema para 2019, eu escolhi um versículo da Segunda Carta a Timóteo (2Tm 1, 7): ?Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de força, de caridade e de prudência?. Diante dos desafios existentes, é importante não perder o ânimo, mas sim trabalhar com a força do Espírito Santo e tentar moldar a Igreja do futuro de maneira séria e fazer isso com amor. 

Fonte: IHU
fechar

Recomende:






fechar

Comentário:






separa
18
Janeiro

Domingo, 20 de Janeiro de 2019: 2º Domingo do Tempo Comum

POSTADO POR ADMIN ÀS 08:23

Hoje é um dia de alegria para o esposo e para a sua esposa. Isaías desenvolve a simbologia nupcial para falar das relações entre Deus e o seu povo. João faz das bodas de Caná o primeiro sinal realizado por Jesus, o esposo por excelência. O bom vinho que oferece, a sua palavra, será bebido com fartura pelo novo povo de Deus. De diversos modos, da Anunciação à Epifania, passando pelo anúncio feito aos pastores de Belém, Jesus nos foi apresentado. Hoje, ele mesmo é quem se manifesta. E, a sua glória se manifesta nas bodas de Cana, é para manifestar a sua divindade. Ele veio fazer novas todas as coisas.

Textos deste Domingo

1ª leitura: ?Assim como a noiva é a alegria do noivo, tu também és a alegria de teu Deus? (Isaías 62,1-5).
Leitura do Livro do Profeta Isaías:

Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação.

As nações verão a tua justiça, todos os reis verão a tua glória; serás chamada com um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real nas mãos de teu Deus. Não mais te chamarão Abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será a Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada.

Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus.


2ª leitura:"Um só e o mesmo Espírito distribui os seus dons a cada um conforme quer"(1 Coríntios 12,4-11).
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.

Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor.

Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.

A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum.

A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria. A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito. A outro, a fé no mesmo Espírito. A outro, o dom de curas no mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos. A outro, falar línguas estranhas. A outro, interpretação de línguas.

Todas estas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer.


Evangelho: "Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia" (João 2,1-11).

Anúncio do Evangelho (Jo 2,1-11)

Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho". Jesus respondeu-lhe: "Mulher, por que dizes isto a mim" Minha hora ainda não chegou".

Sua mãe disse aos que estavam servindo: "Fazei o que ele vos disser".

Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.

Jesus disse aos que estavam servindo: "Enchei as talhas de água". Encheram-nas até a boca. Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala". E eles levaram.

O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.

O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!"

Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.



As bodas
A união entre o homem e a mulher é altamente significativa. Revela inicialmente a incompletude de cada um e de cada uma de nós. Manifesta, além disso, que a nossa verdade se encontra no outro ou, falando de outro modo, que existir significa relacionar-se. A relação nupcial está no cume das relações, é a aliança por excelência. Por isso a Bíblia diz: «Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher ele os criou» (Gn 27). Assim, quando falamos da Trindade, queremos significar que Deus em Si mesmo é Aliança. É necessária a união do homem e da mulher para que o humano seja imagem de Deus. E, no entanto, esta união é somente uma figura e uma etapa. O humano irá de fato superar o seu estado de imagem, para participar da natureza divina. Estas bodas entre Deus e o homem irão encontrar sua expressão nas bodas do Cristo com seu povo. João começa o seu evangelho com as bodas de Caná e termina, quase, o seu Apocalipse com as Núpcias do Cordeiro (Ap 19,6-9). No quadro das bodas humanas é que Jesus vai realizar o sinal que antecipa as núpcias da humanidade com Deus. A água primordial (cf. Gn 1,2) torna-se o vinho do final, figura do sangue da Aliança. Assim o relato de Caná em 11 versículos recapitula em Cristo e por Cristo tudo o que acontece com a humanidade.

Maria
Seu nome sequer é citado no relato de Caná. Maria é simplesmente chamada de «mãe de Jesus» e de «mulher», termo usado correntemente nos evangelhos quando referido a um personagem feminino (por exemplo, em João 8,10). Não podemos, no entanto, deixar de ver nela a figura da mulher por excelência. Não é por acaso que, em João, somente vamos encontrá-la no início (Caná) e no final, ao pé da Cruz, quando recebe uma nova maternidade, a maternidade do novo corpo de Cristo: o povo que João representa (Jo 19,25-27). Também na cruz não é citada nenhuma palavra de Maria. Em Caná, é ela quem sinaliza a falta do vinho: assim como em toda figura bíblica, as bodas humanas devem ser superadas pela realização daquilo que prometem; elas estão em estado de falta. Os esposos, mesmo sem saber, já chegaram ao fim das suas reservas. Jesus responde à sua mãe que sua hora, a hora do vinho, a hora do sangue, ainda não havia chegado. A Cruz será o verdadeiro leito nupcial de Deus com a humanidade, pois é aí que, em Cristo, Deus irá chegar ao limite extremo da condição humana. Ele, então, terá esposado tudo de nós. Mas para isso foi preciso que o ser humano tivesse pronunciado o sim nupcial, tivesse manifestado o seu acordo. Podemos colocar em paralelo o sim de Maria na Anunciação, «faça-se em mim segundo a tua palavra!» (Lc 1,37), e a recomendação que ela faz aos servidores em Caná: «Fazei tudo o que ele vos disser».

"Fazei tudo o que ele vos disser"
Esta fórmula é herdada de Gênesis 41,55: o Faraó utiliza-se dela para prescrever aos Egípcios que se dirijam a José. Não foi por acaso que João a tenha retomado: em Gênesis, tratava-se da falta do pão; em Caná, da falta do vinho. Como não pensar na última Ceia, abertura da Paixão pela qual Jesus será glorificado? Aí sim, a sua hora havia chegado. E de fato, em seu «discurso após a Ceia» (Jo 13,31), Jesus diz aos seus discípulos: «Agora o Filho do homem foi glorificado e Deus foi glorificado nele». O que vai glorificar a Jesus e a Deus é a manifestação ao mundo do seu amor absoluto; amor mais forte do que a morte. No final do Cântico dos Cânticos, poema revelador de Deus a partir do amor nupcial, está escrito que «o amor é forte como a morte» (8,6); com Cristo, ficamos sabendo que a morte não pode nada contra o amor, o que a Ressurreição vai tornar explícito. Pois o Cântico já o pressentia: «As águas da torrente jamais poderão apagar o amor, nem os rios afogá-lo» (8,7). Portanto, é superando todo o medo que podemos comprometer-nos a fazer «tudo o que ele vos disser». Encontramos na primeira leitura uma fórmula impressionante: «Como o jovem desposa a donzela (pensemos nos esposos de Caná), assim teus filhos te desposam». Incesto? É, antes, a certeza de que somos destinados a nos fazermos um só com a fonte da nossa vida, com a fonte de toda a vida. 

A PARTILHA DAS REFLEXÕES BÍBLICAS É UMA PARCERIA ENTRE
XICO LARA E O CENTRO ALCEU AMOROSO LIMA PARA A LIBERDADE/CAALL
NOTA: A partir de todas as terças feiras, as "Reflexões Bíblicas" semanais podem ser acessadas também no facebook "CentroAlceu Amoroso Lima

fechar

Recomende:






fechar

Comentário:






separa