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Setembro

São Mateus - 21/09

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:27
São Mateus deixou tudo imediatamente, pondo de lado a vida ligada ao dinheiro e ao poder



A Igreja celebra hoje, de forma especial, a vida de São Mateus apóstolo e evangelista, cujo nome antes da conversão era Levi. Morava e trabalhava como coletor de impostos em Cafarnaum, na Palestina. Quando ouviu a Palavra de Jesus: "Segue-me" deixou tudo imediatamente, pondo de lado a vida ligada ao dinheiro e ao poder para um serviço de perfeita pobreza: a proclamação da mensagem cristã!

Mateus era um rico coletor de impostos e respondeu ao chamado do Mestre com entusiasmo. Encontramos no Evangelho de São Lucas a pessoa de Mateus que prepara e convida o Mestre para a grande festa de despedida em sua casa. Assim, uma numerosa multidão de publicanos e outros tantos condenados aos olhos do povo, sentaram-se à mesa com ele e com Àquele que veio, não para os sãos, mas sim para os doentes; não para os justos, mas para os pecadores. Chamando-os à conversão e à vida nova.

Por isso tocado pela misericórdia Daquele a quem olhou e amou, no silêncio e com discrição, livrou-se do dinheiro fazendo o bem.

É no Evangelho de Mateus que contemplamos mais amplamente trechos referentes ao uso do dinheiro, tais como: "Não ajunteis para vós, tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os destroem." E ainda: "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro."

Com Judas, porém, ficou o encargo de "caixa" da pequena comunidade apostólica que Jesus formava com os seus. Mateus deixa todo seu dinheiro para seguir a Jesus, e Judas, ao contrário, trai Jesus por trinta moedas!

Este apóstolo a quem festejamos hoje com toda a Igreja, cujo significado do nome é Dom de Deus, ficou conhecido no Cristianismo nem tanto pela sua obra missionária no Oriente, mas sim pelo Evangelho que guiado pelo carisma extraordinário da inspiração pôde escrever, entre 80-90 na Síria e Palestina, grande parte da vida e ensinamentos de Jesus. Celebramos também seu martírio que acabou fechando com a palma da vitória o testemunho deste apóstolo, santo e evangelista.

São Mateus, rogai por nós!

Das Homilias de São Beda Venerável, presbítero (Séc.VI)

Jesus viu-o, compadeceu-se dele e o chamou

Jesus viu um homem chamado Mateus, assentado à banca de impostos, e disse-lhe: Segue-me (Mt 9,9). Viu-o não tanto com os olhos corporais quanto com a vista da íntima compaixão. Viu o publicano, dele se compadeceu e o escolheu. Disse-lhe então: Segue-me. Segue, quis dizer, imita; segue, quis dizer, não tanto pelo andar dos pés, quanto pela realização dos atos. Pois quem diz que permanece em Cristo, deve andar como ele andou (1Jo 2,6).

E levantando-se, o seguiu (Mt 9,9). Não é de admirar que o publicano, ao primeiro chamado do Senhor, tenha abandonado os lucros terrenos de que cuidava e, desprezando a opulência, aderisse aos seguidores daquele que via não possuir riqueza alguma. Pois o próprio Senhor que o chamara exteriormente com a palavra, interiormente lhe ensinou por instinto invisível a segui-lo, infundindo em seu espírito a luz da graça espiritual. Com esta compreenderia que quem o afastava dos tesouros temporais podia dar-lhe nos céus os tesouros incorruptíveis.

E aconteceu que, estando ele em casa, muitos publicanos e pecadores vieram e puseram-se à mesa com Jesus e seus discípulos (Mt 9,10). A conversão de um publicano deu a muitos publicanos e pecadores o exemplo da penitência e do perdão. Belo e verdadeiro prenúncio! Aquele que seria apóstolo e doutor dos povos, logo no primeiro encontro arrasta após si para a salvação um grupo de pecadores. Assim inicia o ofício de evangelizar desde os primeiros começos de sua fé aquele que viria a realizar este ofício plenamente com o merecido progresso das virtudes. Contudo se quisermos indagar pelo sentido mais profundo deste acontecimento nós o entenderemos: a Mateus foi muito mais grato o banquete na casa do seu coração, preparado pela fé e pelo amor do que o banquete terreno que ele ofereceu ao Senhor. Atesta-o aquele mesmo que diz: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele e ele comigo (Ap 3,20).

Ouvindo a sua voz, abrimos a porta para recebê-lo, ao aceitarmos de bom grado suas advertências secretas ou evidentes e nos pormos a realizar aquilo que compreendemos como o nosso dever. Ele entra para que ceemos, ele conosco e nós com ele, porque, pela graça de seu amor, habita nos corações dos eleitos para alimentá-los sempre com a luz de sua presença. Possam assim os eleitos cada vez mais progredir no desejo do alto, e ele mesmo se alimente com os desejos deles como com pratos deliciosos.

Fonte: Liturgia Diária e Liturgia das Horas
21/09/2018
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21
Setembro

Domingo, 23 de setembro de 2018: 25º Domingo do Tempo Comum - Ano B

POSTADO POR ADMIN ÀS 08:19

Todo sofrimento tem sua parte de mistério. Mas o sofrimento do justo que é perseguido e, mais ainda, o do Filho do homem, levantam uma multidão de questões. O justo da primeira leitura, aquele do salmo e o do evangelho tem toda a certeza de que Deus o livrará. De qualquer modo, a lógica de Deus não é a lógica dos homens: os primeiros serão os últimos. E quem acolhe os pequeninos, os mais carentes, é ao próprio Deus que acolhe.

Textos deste Domingo

1ª leitura: 'Vamos condená-lo à morte vergonhosa ... alguém virá em seu socorro' (Sabedoria 2,12.17-20)

Leitura do Livro da Sabedoria:

Os ímpios dizem: "Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. Se, de fato, o justo é 'filho de Deus', Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos.
Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro".


Comentário da I leitura: Sb 2, 12.17-20

Na primeira leitura, temos um fragmento do discurso dos ímpios (cf. Sb 2,1-20), no qual apresentam sua maneira de compreender a vida e elencam os argumentos que justificam seu modo de proceder. Como atribuem sua vida ao acaso e esperam que a morte seja um ponto final de sua existência (v. 2), decidem desfrutar as boas coisas do tempo presente (v. 6). No entanto, não agem conforme a justiça. Antes, levam uma vida de excessos, embriagam-se (v. 7), entregam-se a orgias (v. 9), oprimem o pobre, a viúva e o ancião, ainda que sejam justos (v. 10), fazem valer a sua força sobre os mais fracos (v. 11).
A esse modo cruel e desumano se opõe o justo, aquele que observa fielmente os mandamentos e preceitos do Senhor. Por isso, faz parte do programa de vida dos ímpios armar-lhes ciladas, já que a existência deles lhes causa incômodo, reprova suas atitudes, denuncia suas transgressões (v. 12). A perseguição ao justo tem como finalidade pôr à prova sua confiança em Deus. Ao mesmo tempo, essa perseguição é uma provocação ao Deus de quem ele espera a visita libertadora (v. 18), já que o ato de importunar e molestar o justo nem sequer é acompanhado da suspeita de que Deus virá em sua defesa e punirá o perseguidor, embora isso seja declarado ironicamente.
O ímpio não acredita em Deus, não aprova e até ridiculariza a conduta do justo, porém, em seu discurso, este é descrito como alguém que se sabe filho de Deus, como alguém que confia e espera nele, como alguém cuja vida, pautada pela fé, repreende o procedimento do ímpio. Ainda assim, sofre perseguição, é ofendido, torturado e condenado a morte vergonhosa. O autor do livro da Sabedoria dirá, posteriormente, que os ímpios estão enganados, que estão cegos pela própria maldade (v. 21). Os justos, no entanto, embora experimentem o fracasso aparente, têm a vida guardada nas mãos de Deus (cf. Sb 3,1).

2ª leitura: 'O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz' (Tiago 3,16- 4,3)

Leitura da Carta de São Tiago:

Caríssimos: Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más.
Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz para aqueles que promovem a paz. De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós?
Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres.

Comentário da II leitura: Tg 3,16-4,3

Na segunda leitura, o autor da carta de Tiago contrapõe duas situações: a primeira é uma realidade em que reina a desordem, a segunda é guiada pela sabedoria. As causas da desordem são a inveja e a rivalidade, presentes na comunidade cristã já entre os primeiros discípulos, que discutiam entre si sobre quem era o maior (cf. Mc 9,34). A ambição e a luta pelo poder entre os membros da comunidade anulam a possibilidade da harmonia entre os irmãos, comprovam que já não se deixam guiar pela sabedoria que vem do alto (cf. Tg 3,17) nem pelo ensinamento de Jesus (cf. Mc 9,35).
Os conflitos na comunidade têm raízes nas paixões desordenadas de seus membros, que servem apenas a si próprios, cobiçam, cultivam inveja, matam e fazem guerra. E, mesmo quando oram, sua prece não é atendida, por ser permeada pelo egoísmo e pela hipocrisia. Em contrapartida, o fruto da justiça é semeado para aqueles que promovem a paz (cf. Tg 3,18). A sabedoria é dom de Deus, que a concede generosamente a todos os que o pedirem (cf. Tg 1,5), e é reconhecida pelos frutos que produz: é pura, pacífica, indulgente, pacificadora, cheia de misericórdia (cf. Tg 3,17). Tais características aplicam-se também ao ser humano que a ela se ajusta.

Evangelho: 'Se alguém quiser ser o primeiro, que seja ... aquele que serve a todos' (Marcos 9,30-37)

Anúncio do Evangelho (Mc 9,30-37)

Naquele tempo, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: "O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará".
Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: "O que discutíeis pelo caminho?"
Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!"
Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: "Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou".


Comentário do Evangelho: Mc 9,30-37

Enquanto atravessavam a Galileia, Jesus ensinava seus discípulos. O conteúdo do ensinamento era o anúncio de sua paixão, morte e ressurreição. Jesus fala de si como o Filho do homem, que, entregue nas mãos dos homens e morto, ressuscitará ao terceiro dia. Contudo, se, após o anúncio no caminho de Cesareia de Filipe, em Mc 8,32, Pedro pôs-se a recriminá-lo, no evangelho deste dia os discípulos seguem sem nada compreender e ainda receosos em perguntar (cf. Mc 9,32).
O segundo anúncio da paixão (cf. Mc 9,30-32) é acompanhado pelas exigências e consequências do seguimento de Jesus (cf. Mc 9,33-37). Estando em casa, Jesus indaga dos discípulos sobre o que conversavam pelo caminho. Uma vez mais permanecem quietos.
Desta vez, o motivo já não é a incompreensão, mas o fato de estarem em conflito, discutindo sobre quem é o maior. Ao perguntarem quem é o maior, os discípulos deixam entrever suas rivalidades e ambições, bem como sua incompreensão do Reino. Em face disso, Jesus prossegue o seu ensinamento. Senta-se, chama-os, e as palavras que lhes dirige esclarecem que não devem se preocupar com o primeiro lugar, mas com o último. Pois é ali, a serviço de todos, que deve estar aquele que pretende ser o primeiro. Grande, no Reino, é aquele que serve (v. 35). Num gesto simbólico, Jesus pega uma criança, coloca-a no centro do grupo e a abraça, enquanto continua seu ensinamento.
A criança, tanto para a cultura judaica quanto para a greco-romana, era símbolo de impotência e insignificância, não tinha poder de decisão nem influência; também evoca o ato de voltar-se para Deus e contar com seu cuidado e socorro. Além disso, sinaliza a abertura à formação, é metáfora para o discípulo, que deve ser capaz de aprender com o Mestre, de se deixar moldar. A criança é proposta como parâmetro e como objeto de acolhida. É apresentada aos discípulos como alguém que nada lhes pode oferecer.
Desse modo, Jesus fala aos discípulos sobre o serviço gratuito e desinteressado. Enquanto a atitude deles era de reserva e fechamento, guardando para si suas incompreensões e inquietações, a criança deixa-se tocar, conduzir e abraçar por Jesus. Da mesma maneira, os discípulos devem deixar-se tocar pelo Senhor, aprender com ele. E, como é próprio daqueles que se deixam tocar pelo Senhor, pôr-se a serviço (v. 31).

O justo e o mundo

Lembremos que Hitler, interrogado sobre o motivo de seu ódio dos judeus, teria respondido: "Eles introduziram a moral no mundo." Mal sabia que, com estas palavras, resumia a nossa 1ª leitura (com um pequeno esforço, podemos abrir a nossa Bíblia e ler a passagem toda da qual foi extraída esta leitura, a partir do versículo 10). O "justo" em questão, este que "introduz a moral no mundo", se põe em contradição com os modos de pensar e de agir de um grande número de pessoas. E, portanto, suscita o ódio ou, quando menos, o desprezo; torna-se "sinal de contradição". Mas de que moral se trata? Desta, que é oposta à ideia de que a força é que cria o direito, e de que o fraco deva ser suprimido, porque inútil (versículo 11). Trata-se da moral que nos faz todos iguais, porque somos todos irmãos e temos o mesmo Pai, como diz Mateus 23,8-11. Até mesmo o pervertido, de algum modo, é filho de Deus e, por isso, não estamos habilitados a condená-lo. Nossas sociedades, no entanto, não estão construídas conforme esta lógica e nem funcionam de acordo com esta perspectiva da fé. Os "justos" serão assim eliminados, ou marginalizados nos confins de uma moral qualificada como individual, para que fique bem entendido que ela não dá nenhum valor ao coletivo. De tal forma que a alternativa à visão do "justo" é um mundo de predadores, um mundo glacial e impiedoso, mesmo que os justos laboriosamente se esfalfem, buscando reparar os danos provocados pelo funcionamento de um sistema batizado como "ordem".

A inveja-ciúme

A 2ª leitura permite-nos penetrar ainda mais no espírito desta "moral". Tiago fala de inveja e rivalidade. Vê aí a raiz de todo o mal que envenena as relações entre as pessoas. Isto combina muito bem com as análises de René Girard sobre o "mimetismo de apropriação": o simples fato de vermos alguém possuir um objeto faz nascer em nós o desejo de igualmente dispormos dele. E se os objetos assim desejados são únicos ou raros, então temos a guerra. Exatamente o que diz Tiago, nos versículos 1 e 2 do capítulo 4. Paul Beauchamp, por seu lado, falando da análise de Gênesis 3, vê na inveja-ciúme a primeira manifestação do pecado. A inveja-ciúme, diz ele, consiste em entristecermo-nos por causa do bem (qualquer que seja a natureza deste bem) que vemos com o outro; "tristeza" que pode chegar até ao homicídio (a história de Caim e Abel em Gênesis 4). O contrário da inveja é o louvor, que consiste em nos alegrarmos com o bem que encontramos no outro. Mas, a bem da verdade, há ainda uma raiz escondida por debaixo da inveja e da cobiça: a desconfiança. E aqui estamos deixando o domínio da moral, por mais alto que ele seja, para entrarmos no da fé. Não acreditando -ou não o bastante- no amor que nos faz existir, vamos atrás de garantias; temos medo de não termos o bastante, de não valermos o bastante, de não sermos o bastante. Então, precipitadamente, nos colocamos em busca de provar nosso valor; e, portanto, a nossa superioridade. "Somos os mais fortes e somos os melhores", dizia um chefe de Estado...

A criança desprovida...

Passemos ao evangelho. Vemos aí os discípulos atormentados pelo demônio da ambição: quem é o maior? Quem o melhor? O "primeiro"? Um contraste impressionante! Jesus mal acabara de anunciar-lhes, por duas vezes, que seria entregue nas mãos dos homens, que iria fazer-se o "último e o servidor de todos"... Marcos tem razão ao notar que eles não haviam compreendido estas palavras. Mas não vamos lhes jogar pedras, nós que cremos entendê-las. Não é nada fácil compreender que a verdade fundamental do homem, aquilo que o faz humano, não é tomar, mas dar; o dar-se. Ou, em uma palavra, compreender que Deus é amor e que, por consequência, é "servidor". Servidor da nossa vida, do que nos faz viver, e não das ambições e cobiças que nos fazem morrer (ver a má oração de que nos fala a 2ª leitura). Uma vez que as palavras permaneceram incompreensíveis aos discípulos, Jesus recorreu então a uma mise-en-cène: o episódio da criança. Resistimos à invasão sentimental que o personagem da criança, e uma criança abraçada, pode nos provocar. A criança, aqui, é de fato a figura do ser humano que é privado do poder e da força, que tem necessidade dos outros para sobreviver, e que, portanto, está longe de ser "o maior". Pois ei-la aí, no meio dos discípulos, no centro mesmo da cena. Ela, que não contava para nada, torna-se a mais importante. Quem, em nome de Cristo, acolhe o que é o último, o mais fraco, aquele que não provoca nem inveja nem ciúme, é ao próprio Deus que acolhe, este Deus que se entregou aos homens, fazendo-se o último e o servidor de todos.

Pistas para reflexão

O anúncio da paixão comporta um resumo da fé dos primeiros cristãos: o Filho do homem foi entregue nas mãos dos homens, eles o mataram e, após três dias, ressuscitou. Essa construção, posta pelo evangelista, como prolepse, na boca de Jesus, evoca a compreensão que o Mestre tinha de seu destino. Ele, justo, entregue nas mãos dos ímpios, sofre perseguição e morte, pois desejam calar-lhe a voz, pondo fim à sua vida, a qual denuncia seus crimes e transgressões (cf. Sb 2,12).
Jesus é o justo obediente que cumpre inteiramente a vontade de Deus (cf. Mt 3,15) e que é perseguido, como foram, antes dele, os profetas, por causa de sua fidelidade a Deus. Ele é o servo de Deus que entregou a vida em favor de muitos (cf. Mc 10,45). É o enviado de Deus, ungido por ele, que convida cada discípulo a renunciar a si mesmo e, tomando sua cruz, segui-lo (cf. Mc 8,34); que ensina que, como ele, cada discípulo deve se pôr a serviço de todos (cf. Mc 9,35).
Os judeus esperavam um messias político; Jesus, no entanto, ensina, com sua vida, a confiar no Pai, a assumir a vontade de Deus e ajustar-se a ela, ainda que isso suscite o ódio dos maus e desperte perseguições, ainda que isso signifique ser ridicularizado, ofendido, torturado e morto. O justo tem o seu olhar voltado para a eternidade, a qual não começa após a morte, mas diz respeito a uma vida cheia de plenitude e significado que começa aqui e agora. O justo sabe que é perseguido por sua fidelidade a Deus e à sua justiça. Torna-se conhecido por suas obras (cf. Lc 6,44).
A vida de Jesus, posta a serviço, é escola para os seus discípulos, que devem sair de seu fechamento, abandonar suas atitudes egoístas, suas invejas e rivalidades, e tornar-se exemplo de uma vida conforme com a vontade de Deus.

Fonte: Liturgia Diária, Vida Pastoral e
CENTRO ALCEU AMOROSO LIMA PARA A LIBERDADE/CAALL
Rua Mosela, 289 - Mosela - Petrópolis - RJ - Brasil CEP 25675-481 Tel./Fax: 55 (24) 2242-6433
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21/09/2018
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17
Setembro

MEDITAÇÃO EM MOVIMENTO - MINDFULNESS

POSTADO POR ADMIN ÀS 11:17

Sábado, 15 de setembro de 2018, no Parque Dr. Luiz Carlos Raya de Ribeirão Preto, realizamos caminhada meditativa.
Tudo bem preparado pelo entusiasmo da Marina, nossa professora de Yoga.
Marina, Pedro, Giuliana e Mario explicaram o significado da prática.
Giuliana conduziu a caminhada. Depois meditamos na imobilidade de lótus ou sentados na relva, sob a orientação da Marina.
No final, Dario, teólogo presbiteriano, frisou a importância da meditação como pratica saudável e proveitosa em as ações humanas, desde as mais corriqueiras como lavar os pratos ou também das mais importantes.
Finalizou-se com a reza do Pai Nosso de mãos dadas e um caloroso abraço.
O grupo viveu momento de intensa espiritualidade, prescindindo das diversas religiões dos participantes.

Segue fotos:



A seguir palavras do Mario Palumbo:

Costumamos meditar nas igrejas, capelas, em nossas casas. Meditamos sentados, em posição de lótus em plena imobilidade.
Realizamos assim através do mantra uma caminhada ao nosso centro, onde ficamos morando conosco mesmo.
Através da quietude exterior e interior, silenciamos a mente, chegamos ao íntimo do nosso ser onde encontramos a paz.
Para os que acreditam em Deus, esta paz é o próprio Deus.
Para nós cristãos é o mestre interior - Jesus Cristo - que nos habita e que nos leve ao Pai através do Espírito Santo.
Estamos aqui neste bonito parque que leva o nome do saudoso e benemérito Dr. Raya. Este parque agora mais ainda é templo de Deus, na exuberante natureza que canta seus louvores.
Aqui, agora meditaremos não mais na imobilidade, mas caminhando devagar experimentando o nosso caminhar, o nosso ser.
A cada passo beijamos com os nossos pés a madre terra e lhe agradecemos por ela tudo nos doar, somos parte dela.
Muitas vezes a maltratamos, pensamos que somos donos dela, e de termos poderes absolutos sobre ela.
A cada passo tomamos consciência do amor e respeito que lhe devemos prestar como a mãe carinhosa.

A cada passo tomamos consciência dos nossos pés, sentimos as nossas pernas, joelhos, coxas, prestamos atenção a todo o nosso corpo, dádiva divina e da madre terra que o alimenta.
Nossa atenção plena e exclusiva vai para o nosso caminhar, para cada nosso passo.
Fixamos nosso olhar para a terra olhando para um metro ou pouco mais na nossa frente.
Assim estaremos peregrinando para o nosso interior, para nosso eu mais profundo, aquele sonhado por Deus desde toda a eternidade para cada um de nós. Abraçando e beijando a madre terra com nossos calcanhares, abraçamos também todo o nosso corpo e cada membro dele, não como nossa propriedade, mas como sublime dádiva divina, que nos chega através da natureza que nos envolve e dá vida.
Aí no centro mais profundo do nosso ser, encontramos a nós mesmos, na sua plenitude, e na pureza imaculada do primeiro palpitar do nosso coração.

Pensamentos, preocupações e distrações vão assaltar nosso caminhar contemplativo, gentilmente deixaremos passar estes pensamentos e voltaremos ao nosso centro, à nossa atenção plena, à nossa caminhada, passo lento após passo.
Na nossa caminhada para o coração do nosso ser, estamos mergulhados no ar, no oxigênio como peixes dentro do oceano.
O ar que nos dá vida é oxigênio, o ar, o vento que nos acaricia.
E a vida de Deus, é o oceano do amor dEle que nos acaricia e no qual "vivemos, respiramos, existimos e somos".
Ele, Deus, passeia conosco nesta caminhada rumo à plenitude do ser, como no jardim do Éden, como amigo, irmão e pai.
Em volta de nós temos árvores, flores, passarinhos, borboletas e insetos, todas criaturas que Ele nos apresenta para delas cuidarmos e lhes conferir um nome como bichos de estimação.
Como caminhantes em direção à unidade nossa e universal, em nosso redor temos nossos irmãos, ossos dos nossos ossos e carne da nossa carne, todos imergidos no turbilhão do amor e da paz.
Todos nos pertencem e nós pertencemos a cada um deles com a missão de cuidar de cada qual como irmãos. Assim formarmos um só corpo e um só espírito.
Tudo isso aqui e agora e ao longo de todos os nossos dias.
Caminhamos silenciosamente porque no silêncio dissemos a palavra mais amorosa e nela nos sentimos mais irmãos.
Aliás é a única PALAVRA DO PAI, O VERBO DE DEUS, FEITO HOMEM, QUE SURGE NO MAIS PROFUNDO SILÊNCIO QUE SUPERA QUALQUER IMAGINAÇÃO, SENTIMENTO, OU INTENDIMENTO, PORQUE SEU AMOR É PARA SEMPRE!

"Enquanto todas as coisas estavam mergulhadas em profundo silêncio e a noite no seu curso ia a meio do cominho, a vossa Palavra onipotente, Senhor, baixou dos Céus, do seu trono real." (Sb XVIII,14-15)

17/09/2018
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