16
Janeiro

Sem Expectativas

POSTADO POR ADMIN ÀS 13:43
Ao começar, nós provavelmente abordaremos a meditação com todo tipo de expectativas. Nos trará paz, ajudará a melhor nos concentrar, nos auxiliará em nossos relacionamentos pessoais. Mas, um dos principais aspectos que precisamos aprender na meditação é meditar sem expectativa. A estrada que estamos percorrendo é uma via de despossessão. Precisamos aprender a desapegar de nosso desejo de sabedoria, de conhecimento, de santidade, de qualquer coisa. Começamos a apreciar a pura maravilha da experiência da própria prece, a maravilha de entrar na qualidade do que é ilimitado, nos mares nunca dantes explorados da realidade divina, para descrever aquilo para o que não há palavras disponíveis. Começamos a aprender que frequentemente orar por coisas é ceder a nossos próprios desejos. Precisamos ser muito assertivos acerca disso. Precisamos ir além de todos os desejos.

Não meditamos de modo a conseguir algum tipo de discernimento. De fato, não meditamos para possuir absolutamente nada. Ora, é muito difícil nos conscientizarmos desse conceito porque todos nós fomos educados a ser materialistas, possuidores, controladores. Trata-se de um grande desafio sentar e voluntariamente nos tornarmos pobres, nos despossuirmos, à medida que entramos na presença de Deus. A muitos de nós, especialmente no começo, parecerá que o tempo que entregamos à meditação é a mais completa perda de tempo. Você dirá, 'ora, que proveito eu tirei disso?' Nenhum. 'Que aconteceu?' Nada. Mas, não importa o que acontece. Tudo que importa é que nos tornemos absortos em Deus, onde perdemos todo o senso de nós mesmos e nos encontramos unicamente em Deus.


Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração 'Maranatha'. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


Leitura de Domingo, 14 Janeiro 2018
John Main, OSB
extraído do livro de John Main OSB, THE HUNGER FOR DEPTH AND MEANING (Singapore: MedioMedia, 2007), pg. 112.



Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã


16/01/2018.
 
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15
Janeiro

Quem é Deus

POSTADO POR ADMIN ÀS 09:04
Pinçamos algum pensamento do 'Olhos do Coração' de Laurence Freeman.*


Só podemos conhecer a Deus se fizermos a experiência Dele. Para fazer essa experiência temos que criar condições necessárias, ou seja, aderir a Ele através da fé. Pessoas simples que vivem no campo mais facilmente chegam a ter experiência de Deus, até mais que teólogos, pois o conhecimento de Deus é pela oração.

Os Padres do Deserto procuravam a Deus no isolamento, mesmo assim o deserto era ?habitado? pelos demônios. Na verdade, os demônios deles e nossos são as nossas paixões: luxúria, ira, preguiça, que sempre nos acompanham e lutam contra o nosso monge interior que procura a Deus.

Os Padres do Deserto são famosos pelo ascetismo e disciplina, mas o valor mais importante deles é o amor, até porque Deus se define como Amor, e somente quem ama conhece a Deus e ao próximo.

Todos nós temos necessidade de um amor, que não nos traia. Este desejo inconsciente habita no mais profundo do nosso ser.

O amor de Deus não é substituto para o amor humano. Não se pode amar a Deus sem amar o próximo. Muitas pessoas religiosas que não praticam nenhuma caridade ou amor fazem de Deus um ídolo que é pura fantasia. A meditação é ótimo remédio contra a imaginação e os sonhos.

O amor restaura nossa plena capacidade de amar quando somos traídos. É por isso que a meditação é uma expansão da nossa capacidade de amar e perdoar, pois ela nos livra dos falsos ídolos produzidos pela imaginação.

Não podemos conhecer a Deus pelo pensamento, mas somente pelo amor. Temos que liberar nossa mente das projeções que fazemos de Deus ou do próximo. Podemos fazer de Deus um amuleto para nos apoiarmos Nele. Podemos idealizar o próximo e fazer dele um anjo ou um demônio. Tudo isso é contra o verdadeiro amor.

Toda vez que projetamos ideias ou imagens em Deus ou no próximo somos incapazes de amá-los. Deus não é um ídolo, um amuleto; e o próximo não é anjo ou demônio. Temos que amar a Deus e ao próximo como eles são e não com as projeções da nossa imaginação.

Os Padres do Deserto não falam muito a respeito de Deus, apenas descrevem a maneira de como entrar na sua experiência através da prática da oração pura (meditação) na qual todas as nossas ideias, palavras e imagens de Deus ou do próximo cessam.


*Dom Laurence Freeman nasceu em Londres, em 1951. Educado pelos beneditinos, obteve o mestrado em literatura inglesa pela Universidade de Oxford. Após trabalhar junto às Nações Unidas como jornalista, tornou-se monge beneditino da congregação olivetana e hoje está ligado ao mosteiro Christ the King, em Cockfosters, Londres. Seu orientador e guia espiritual foi Dom John Main a quem ajudou a constituir o primeiro Centro de Meditação Cristã em Londres, em 1975. Dom Laurence acompanhou Dom John Main ao Canadá, em 1977, que recebeu um convite do Arcebispo de Montreal, para estabelecer uma pequena comunidade beneditina aberta a leigos e religiosos, dedicada ao ensinamento e à prática da meditação. Após a morte de Dom John Main, Dom Laurence deu prosseguimento ao trabalho de divulgação dessa tradição espiritual e hoje a World Community for Christian Meditatiom WCCM (Comunidade Mundial de Meditação Cristã) está presente em 50 países, por meio de uma rede internacional de 27 centros de meditação e de milhares de pessoas que se reúnem semanalmente para meditar em pequenos grupos. Realizando palestras sobre Meditação Cristã em vários países, Dom Laurence Freeman promove o diálogo ecumênico inter-religioso. Liderou, juntamente com o Dalai Lama, u programa de três anos chamado O Caminho da Paz (The Way of Peace), numa série de encontros realizados na Índia, Itália e Irlanda do Norte. É autor de vários livros e entre eles os seguintes títulos foram publicados no Brasil: A prática diária da meditação cristã; A luz que vem de dentro, pela editora Paulus e, Jesus, o mestre interior, pela Martins Fontes.


Fonte: Livro 'Os olhos do coração, a meditação na tradição cristã' de Laurence Freeman. Ed. Palas Athena.


15/01/2018.
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12
Janeiro

DOMINGO, 14 DE JANEIRO DE 2018: 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM. ANO B

POSTADO POR ADMIN ÀS 09:23
OUVIR O CHAMADO. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, inúmeros são os relatos das convocações feitas pelo Senhor. Mas como podemos discernir o chamado de Deus e os meios que Ele usa para reunir todos e todas, a quem Ele quer confiar uma missão?

TEXTOS DESTE DOMINGO

1ª leitura: 'Senhor, fala, que teu servo escuta!' (1 Samuel 3, 3-10.19)

Leitura do Primeiro Livro de Samuel:

Naqueles dias, Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.

Então o Senhor chamou: 'Samuel, Samuel!' Ele respondeu: 'Estou aqui'.

E correu para junto de Eli e disse: 'Tu me chamaste, aqui estou'. Eli respondeu: 'Eu não te chamei. Volta a dormir!' E ele foi deitar-se.

O Senhor chamou de novo: 'Samuel, Samuel!' E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: 'Tu me chamaste, aqui estou'. Ele respondeu: 'Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!'

Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado.

O Senhor chamou pela terceira vez: 'Samuel, Samuel!' Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: 'Tu me chamaste, aqui estou'. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. Então disse a Samuel: 'Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ?Senhor, fala, que teu servo escuta!? E Samuel voltou ao seu lugar para dormir.

O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: 'Samuel! Samuel!' E ele respondeu: 'Fala, que teu servo escuta'.

Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras.


2ª leitura: 'Vossos corpos são membros de Cristo' (1 Coríntios 6,13-15.17-20)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder. Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo?

Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito.

Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra o seu próprio corpo. Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos?

De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.


Evangelho: 'Foram ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele' (João 1,35-42).´

Naquele tempo, João estava de novo com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: 'Eis o Cordeiro de Deus!' Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.

Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: ?O que estais procurando?? Eles disseram: 'Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?'

Jesus respondeu: 'Vinde ver'. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde.

André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: 'Encontramos o Messias' (que quer dizer: Cristo).

Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: 'Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas' (que quer dizer: Pedra).


'ONDE MORAS?'

A morada de Deus é um tema que está presente em toda a Bíblia. É como se Deus buscasse tomar pé no meio dos homens. Afinal, é em Jerusalém, no Templo, que Deus encontra o seu 'repouso'. No Templo, no 'Santo dos Santos', abrigo da Arca da Aliança; ali onde estão guardadas as tábuas da Lei, é ali que se vem adorar a Deus e oferecer-Lhe sacrifícios. Notemos que, fazendo-Se presente por sua Lei, Deus é considerado presente por sua Palavra. Logo após Salomão, Israel será dividido e um segundo lugar de culto, instalado na Samaria.

Mais tarde, o povo será deportado e o templo destruído. Desde então se compreenderá melhor o que já se sabia confusamente, que Deus está em toda parte. Deus está aí onde me encontro se, de alguma forma, eu O acolher. Como acolhê-Lo? Acolhendo os outros: 'Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles', diz Jesus em Mateus 18,20. Esta 'reunião' fraternal não é necessariamente física: o amor pode ser vivido até mesmo na ausência.

Nesta passagem do evangelho, os dois discípulos de João interrogam Jesus sobre a velha questão da moradia. À sua pergunta: 'O que procurais?', respondem: 'Onde moras?' Este primeiro diálogo do primeiro encontro (em João) relança simbolicamente a antiga questão. Passa-se da Antiga Aliança (os discípulos do Batista que ainda estão aí) à Nova. 'Vinde ver', diz-lhes Jesus. Notemos quantas vezes se usa o verbo 'ver' neste relato: ao se passar da audição à visão, entra-se na morada de Deus. Em breve será preciso sair e, mais tarde, ir para o mundo, anunciar um Cristo que se fez invisível. O novo templo nos escapa do olhar e não pode mais ser localizado. Funda-se agora sobre uma 'Pedra' viva (final do nosso evangelho).

O QUE ESTAIS PROCURANDO?

Os discípulos, que ouviram João Batista indicar-lhes Jesus, não se fizeram de surdos. Temos aí o encontro de dois desejos, de duas buscas. André e seu companheiro tinham vindo para ouvir João, porque estavam angustiados; não só com a situação de Israel, ocupada pelos romanos, mas, sobretudo, com dar sentido às próprias vidas. Foi o que os colocou na estrada. Mas não eram os únicos a procurar. Sua busca é tão somente um eco de outra busca: a do próprio Deus em busca do homem. O 'Adão, onde estás' de Gênesis 3,9 ressoa por toda a história e em nossas próprias vidas. Falamos incessantemente de 'buscar a Deus'. Não esqueçamos, contudo, que Deus é quem primeiro busca por nós. Ora, justamente os dois discípulos não sabiam muito bem onde estavam nem de onde eram, mas eis que João indica-lhes um homem que vai e vem no meio dos outros. À primeira vista, não havia nele nada de particular, mas era este o homem que os procurava; ele era a quem eles buscavam. E as primeiras palavras que ouvem dele são precisamente: 'O que procurais?' O que querem de fato? O que esperam da vida? O evangelista põe assim na boca dos discípulos uma questão primordial, que se faz presente em toda a Bíblia: 'Onde moras?' Onde Deus habita? Onde podemos encontrá-Lo? Jesus responde: 'Vinde ver'. Não basta ouvir o testemunho de João, dos enviados de Deus, é preciso fazer esta experiência por si mesmo.

'ABRISTES, SENHOR, MEUS OUVIDOS' (SALMO)

Paulo dirá que a fé nos vem pela audição, mas não basta ouvir; será preciso ainda abrir-se à palavra de outro. A resposta de Samuel (1ª leitura) exprime bem este acolhimento: 'Fala, que teu servo escuta.' Escutar é mais do que ouvir. Uma criança pode muito bem ouvir a ordem que sua mãe lhe dá, mas não 'escutar', ou seja, não obedecer. A fé, no entanto, não pode ficar só no ouvir e no escutar. Por isso o Salmo 40, depois de: 'Abristes, Senhor, meus ouvidos', acrescenta: 'Então eu vos disse: Eis que venho!' Vir, mover-se: 'Vinde ver', diz Jesus aos seus discípulos. 'Vem ver', dirá Filipe a Natanael, que havia lhe perguntado se 'algo de bom' podia sair de Nazaré (versículo 46, em seguida ao evangelho de hoje). Este primeiro deslocamento abre uma lista enorme de outros; até o dia em que 'Vereis o céu aberto (estivera, portanto, fechado até então) e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem' (versículo 51; lembrar a escada de Jacó, em Gênesis 28,10-17). O que, para o futuro, é também uma alusão à Ressurreição. A escuta da palavra leva, pois, à visão e à menção da visão, que aparece 10 vezes nesta passagem. É preciso acrescentar que vivemos atualmente sob o regime da audição, de escutar a Palavra. A visão é para o dia em que nossa condição de filhos de Deus se manifestar plenamente. Então, veremos o Cristo tal como ele é e nos tornaremos semelhantes a ele (1 João 3,1-2).

'TU ÉS PEDRO'

A mudança de nome, nas Escrituras, equivale a uma mudança de destino e até mesmo, quase, de natureza. Dali em diante, não será mais a herança do 'filho de João' que falará em e por Simão, mas será outra herança: a de filho de Deus. Pedra ou rocha é de fato um título do Messias, conforme vemos em Daniel 2,31-35, por exemplo. Esta mudança de Simão não é uma simples mudança de ofício ou de função. Somos levados aqui à questão da residência de Deus, abordada no primeiro parágrafo. A morada de Deus entre os homens em primeiro lugar está no Templo, que a Bíblia chama muitas vezes de 'pedra, rocha'. Numa imprecisão voluntária, a rocha fundamental sobre a qual se constrói o edifício acaba se tornando o próprio edifício. Simão será, portanto, o novo Templo. Mas o Templo é só um símbolo. O Cristo (Messias em hebreu) é aquele que recebeu a unção, a comunicação do Espírito: Deus habita nele. Simão, de qualquer forma, torna-se outro Messias, 'semelhante a ele'. No entanto, a imagem do templo conserva o seu valor, porque a construção faz a unidade dos diversos materiais. Lemos em 1 Pedro, 2,5: 'Também vós, como pedras vivas, prestai-vos à construção de um edifício espiritual'. O que está dito sobre Simão diz respeito a todos nós. Assim Paulo pode escrever (2ª leitura) que 'O vosso corpo é o santuário do Espírito Santo.' Enfim, o Templo novo somos todos nós, constituídos em Igreja.


Marcel Domergue, jesuíta

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A PARTILHA DAS REFLEXÕES BÍBLICAS É UMA PARCERIA ENTRE
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12/01/2018.
 
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