27
Novembro

Aspectos do Amor

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:48

Por Laurence Freeman*

Podemos aprender a enxergar a realidade. Apenas enxergá-la e viver com ela tem efeito de cura. Nos conduz a uma nova espécie de espontaneidade, como a de uma criança que aprecia o frescor da vida, o caráter direto da experiência. . Trata-se da espontaneidade dos verdadeiros princípios morais, de se fazer a coisa certa naturalmente, não vivendo a própria vida de acordo com livros de regras, mas vivendo-a por meio do único princípio moral, o princípio moral do amor. A experiência de amor ao ser nos confere uma capacidade renovada de viver a própria vida com menos esforço. Diminui a luta pela vida, que se torna menos competitiva, menos aquisitiva, na medida em que abre para nós aquilo que todos nós alguma vez vislumbramos de alguma maneira através do amor, de que nossa natureza essencial é repleta de alegria. Lá no fundo, somos seres alegres. Se pudermos aprender a saborear os dons da vida e a enxergar o que a vida realmente é, estaremos melhor equipados para aceitar as atribulações e o sofrimento dela. Isso é o que aprendemos suavemente, paulatinamente, no dia-a-dia, à medida que meditamos.
A meditação nos leva a entender a maravilha daquilo que é comum. Tornamo-nos menos dependentes da busca por tipos extraordinários de estímulo, de excitação, de divertimento ou de distração. Começamos a perceber, nas próprias coisas comuns da vida cotidiana, que essa radiação de fundo do amor, o onipresente poder de Deus, está em toda parte, a todo momento.
Todavia, esse pode ser um trabalho difícil. Há uma estória de um discípulo do Buddha, que era um discípulo meio lento, que se esforçava muito, mas jamais chegava a entender nada do que o Buddha procurava ensinar-lhe acerca da verdadeira natureza da realidade. O Buddha se exasperou tanto com esse discípulo, que um dia lhe ordenou uma tarefa. Deu-lhe um pesado saco de cevada e disse: "suba essa colina correndo com este saco de cevada." Tratava-se de uma colina muito íngreme. O discípulo, que era muito obediente e tinha um sincero desejo de se iluminar, levou o pesado saco às costas e subiu correndo o íngreme aclive, sem parar, da maneira como havia sido instruído a fazê-lo. Chegou ao topo completamente exausto. Então, deixou cair o saco de cevada e, naquele momento, iluminou-se; abriu-se a sua mente. Ele retornou e o Buddha pôde ver à distância, que ele se havia iluminado. Assim, é um difícil trabalho esse aprendizado de se manter imóvel, de depor os fardos do ego, esse aprendizado do autoconhecimento e do amar a si mesmo. Cada um de nós tem seu próprio saco de cevada. É trabalho difícil, mas é um trabalho que realizamos por obediência, e não por vontade própria. Trata-se da obediência a Jesus. Trata-se da obediência ao mais profundo chamado de nosso ser, que é o chamado a sermos nós mesmos.

*Dom Laurence Freeman OSB é monge beneditino da congregação olivetana de Monte Oliveto Maggiore. Ele nasceu em Londres em 1951 e estudou na Universidade de Oxford, onde ele alcançou o Grau de Mestrado em Literatura Inglesa. Trabalhou em jornalismo, adquirindo também experiência no Merchant Banking, antes de se tornar monge Beneditino na Abadia de Ealing em Londres.


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23
Outubro

Meditação em Movimento - "Mindfulness"

POSTADO POR ADMIN ÀS 08:37


Agradecemos aos colaboradores e participantes, evento ocorrido em 21/10/2018

No evento os participantes oraram para o Brasil e para os dois candidatos à presidência.

"A cada passo beijamos com os nossos pés a madre terra e lhe agradecemos por ela tudo nos doar.
Somos parte dela. Muitas vezes maltratamos a terra! Pensamos que somos donos dela, e de termos poder absoluto sobre ela. A cada passo da nossa caminhada meditativa tomamos consciência do amor e respeito que devemos prestar à terra, como a mãe carinhosa.
A cada passo tomamos consciência dos nossos pés, sentimos as nossas pernas, joelhos, coxas, prestamos atenção a todo nosso corpo, dádiva divina e da madre terra que o alimenta.
Nossa atenção plena e exclusiva vai para o nosso caminhar, para cada nosso passo.
Fixamos nosso olhar para a terra olhando para um metro e pouco mais na nossa frente.
Assim estaremos peregrinando para o nosso interior,
para nosso eu mais profundo, aquele sonhado por Deus desde toda eternidade para cada um de nós.
Abraçando e beijando a madre terra com nossos calcanhares, abraçamos também todo o nosso corpo e cada membro dele, não como nossa propriedade,
mas como sublime dadiva divina, que nos chega através da natureza que nos envolve e dá vida.
Ai no centro mais profundo do nosso ser, encontramos a nós mesmos, na sua plenitude, e na pureza imaculada do primeiro palpitar do nosso coração.

Nosso mantra é
M A-R A-N A-T A

A MEDITAÇÃO ATRAVÉS DA REPETIÇÃO DO MANTRA, PURIFICA O CORAÇÃO E NOS LIVRAS DAS TEMPESTADES DE PENSAMENTOS, PREOCUPAÇÕES E ANGUSTIAS QUE ASSALTAM CONSTANTEMENTE O NOSSO SER E NOS COBREM DE ESTRES E DE TREVAS.

COM A MEDITAÇÃO O DEUS QUE NOS HABITA BRILHA E ROMPE AS TREVAS E ASSIM CHEGAMOS A PUREZA DE CORAÇÃO QUE NOS PERMITE VER A DEUS.
COMO DISSE JESUS:

"BEM AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO POIS ELES VERÃO A DEUS"
Nosso mantra é 
MARANATA
M A-R A-N A-T A

Segue fotos do evento:




23/10/2018
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16
Outubro

Meditação e Espiritualidade – Como emerge a espiritualidade a partir da meditação?

POSTADO POR ADMIN ÀS 07:48

Qual a diferença entre espiritualidade e religiosidade? Será possível comparar a prática da meditação entre o Oriente e o Ocidente? Como emerge a espiritualidade a partir da meditação?

Importa, desde já, desfazer um equívoco muito frequente: a identificação de religiosidade com espiritualidade.

Enquanto as religiões fazem depender de um conjunto de regras dogmáticas a ligação do homem a Deus, ligação que não se estabelece sem a intermediação dos "representantes de Deus na Terra", a espiritualidade convida a pessoa a ouvir a sua voz interior (seja qual for a designação que lhe atribua - Intuição, Eu Interior ou outra), a questionar, a refletir, a optar, a decidir por si.

Todos os seres humanos são potencialmente espirituais mas nem todos são religiosos.

Por outro lado, há crentes que não desenvolveram a espiritualidade que, supostamente, a sua religião preconiza. Mas porque, ao longo da história dos homens, a espiritualidade, a religião e a meditação se têm cruzado e, muitas vezes, entrelaçado, diluindo-se as fronteiras entre elas, interessa fazer uma brevíssima incursão neste domínio.

Ao longo dos tempos, muitas religiões adotaram práticas meditativas como instrumento de ligação a Deus.

A grande diferença entre o Oriente e o Ocidente reside no fato de que nas religiões orientais a prática foi sempre aberta e recomendada a todos os crentes tendo-se, desse modo, mantido viva e atuante ao longo dos séculos; já no ocidente ficou confinada aos mosteiros e conventos ou a grupos esotéricos seculares fechados e, não raro, clandestinos (o caso dos Cátaros).

Foi só nos anos 60 do século XX que o monge inglês beneditino John Main, entusiasmado com a experiência contemplativa que teve numa viagem ao Oriente, decidiu procurar um fundamento que justificasse a prática da meditação na Igreja Católica atual e encontrou-o na rotina dos padres do deserto, ascetas do século IV, que usavam a repetição de fórmulas curtas para se concentrarem em Deus.

Fundou, então, a Comunidade Mundial para a Meditação Cristã tendo afirmado que "A Igreja precisava de um método contemplativo que pudesse ser praticado por todos. Durante muito tempo, foi dito aos cristãos que a meditação estava reservada à vida monástica, mas hoje todos sentem necessidade de meditar."

A presença de uma Igreja fortemente controladora durante a Idade Média e do seu braço punitivo - a Inquisição - desencorajou a prática da meditação no Ocidente.

No século XVII, o ressurgimento do Racionalismo desferia o golpe de morte nas ideias e práticas que contrariassem os fundamentos da filosofia dominante - a certeza, a demonstração, o raciocínio sem falha, a causa inteligível. Não me admira, pois, que a meditação tenha desaparecido do Ocidente durante tantos séculos.

No século XIX, os Teosofistas adotaram o termo Meditação para designar as diversas práticas espirituais inspiradas nas religiões orientais.
Foi também no Oriente, concretamente na meditação budista, que o Ocidente não religioso se inspirou em meados do século XX tendo-a "importado" para ficar. De fato, a meditação expandiu-se de tal modo que os grupos de meditação, os cursos e as aulas de meditação se multiplicam por todo o mundo ocidental.

Quer seja para aquietar a mente e assim diminuir o stress, os níveis de ansiedade, para melhorar a concentração ou para coadjuvar a Medicina em vertentes tão diversas como a Psicoterapia, a Cardiologia ou a Oncologia, quer se procure o desenvolvimento espiritual, a meditação está em enorme expansão integrando o cotidiano de um número crescente de pessoas.

Considerando a acepção da espiritualidade como o conjunto das virtudes do espírito - amor, compaixão, solidariedade, generosidade, perdão e justiça, entre outros valores, conclui-se que todos podemos desenvolvê-la, porquanto dotados de espírito.

Espírito não significa divindade, mas antes autoconsciência, capacidade de reflexão sobre si mesmo.

O ser humano é, assim, um ser intrinsecamente espiritual, pois demonstra capacidade para refletir e para se transcender. Contudo, nem sempre a espiritualidade se expressa ou, quando se manifesta, pode fazê-lo de modo multiforme.

Enquanto meditamos, induzimos um estado de apaziguamento interior, de equilíbrio e de serenidade e conseguimos reunir os aspetos fragmentados do nosso ser. Rompemos com as estruturas habituais de pensamento, e acedemos à simplicidade original.

A prática diária da meditação resulta numa intensa abertura de consciência, no desabrochar da compaixão, de uma maior aceitação de nós mesmos e dos outros, numa aproximação à plenitude do nosso ser.

As palavras de grandes mestres de meditação e os testemunhos de quem medita regularmente dizem-nos que a meditação conduz ao despertar para o autoconhecimento e para a transformação interior que, por sua vez, levam à manifestação dos grandes valores humanos e espirituais e, por inerência, à conquista da realização espiritual.

Ao meditar, crescemos e adquirimos sabedoria.

Para concluir, transcrevemos as palavras cheias de significado de José Maria Alves:

"Meditar é, antes do mais, consciente abertura do espírito a si mesmo, ao mundo da natureza, aos outros e ao Universo. É uma presença atenta de cada momento, que não se identifica nem com um exame interior nem com a reflexão, em que com o tempo, a zona de silêncio do nosso cérebro - os 80 a 90% não utilizáveis - passa a cooperar no milagre da descoberta do nosso interior e do que nos envolve."


Fonte: Arcturianos

REGINA FARIA
PROFESSORA DE MEDITAÇÃO
reginamoreirafaria@gmail.com
Revista Progredir

16/10/2018
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