10
Abril

Deliciosa Carta de Vinícius de Moraes para Tom Jobim.

POSTADO POR ADMIN ÀS 10:15
Mas que serve para todos nós!

"Caro Tonzinho, estou em Paris, num hotel com sacada sobre uma praça, que dá para toda solidão do mundo e diz:
Procura-se um amigo. Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimento, ter coração. Precisa saber falar e saber calar no momento certo. Sobretudo, saber ouvir.
Deve gostar de poesia, da madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto dos ventos e do murmúrio das brisas. Deve sentir amor, um grande amor por alguém, ou sentir falta de não tê-lo. Deve amar o próximo e respeitar a dor alheia. Deve guardar segredo sem sacrifício.
Não precisa ser puro, nem totalmente impuro, porém, não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e sentir medo de perdê-lo. Se não for assim, deve perceber o grande vazio que isso deixa. Precisa ter qualidades humanas. Sua principal meta deve ser a de ser amigo. Deve sentir piedade pelas pessoas tristes e compreender a solidão.
Que ele goste de crianças e lastime as que não puderam nascer e as que não puderam viver. Que goste dos mesmos gostos. Que se emocione quando chamado de amigo. Que saiba conversar sobre coisas simples e de recordações da infância.
Precisa-se de um amigo para se contar o que se viu de belo e triste durante o dia; das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças d?água, de beira de estrada, do cheiro da chuva e de se deitar no capim orvalhado. Precisa-se de um amigo que diga que a vida vale a pena, não porque é bela, mas porque já se tem um amigo. Deve ter um ideal e medo de
perdê-lo. Deve ser Don Quixote sem contudo desprezar Sancho. Precisa-se de um amigo para se ter consciência de que ainda se vive."
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separa
11
Janeiro

Os sinais do batismo do Senhor

POSTADO POR ADMIN ÀS 12:11

De São Máximo de Turim*, bispo

O evangelho nos conta que o Senhor foi ao Jordão para ser batizado e quis ser consagrado neste rio por sinais do céu.

Não é sem razão que celebramos esta festa pouco depois do dia do Natal do Senhor, já que os dois acontecimentos se verificaram na mesma época, embora com diferença de anos; julgo que também ela deve chamar-se festa do Natal.

No dia do Natal, Cristo nasceu entre os homens; hoje renasce pelos sinais sagrados; naquele dia, nasceu da Virgem; hoje é gerado pelos sinais do céu. No Natal, ao nascer o Senhor segundo a natureza humana, Maria, sua mãe, o acaricia em seu colo; agora, ao ser gerado entre os sinais celestes, Deus, seu Pai, o envolve com sua voz, dizendo: Este é o meu filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o (Mt 17,5). Sua mãe o traz nos braços com ternura, seu Pai lhe presta o testemunho de amor. A Mãe apresenta-o aos magos para que o adorem, o Pai apresenta-o às nações para que o reverenciem.

O Senhor Jesus foi, portanto, receber o batismo e quis que seu santo corpo fosse lavado nas águas.

Talvez alguém diga: ?Se ele era santo, por que quis ser batizado?? Escuta: Cristo foi batizado, não para ser santificado pelas águas, mas para santificá-las e para purificar as torrentes com o contato de seu corpo. A consagração de Cristo é sobretudo a consagração da água.

Assim, quando o Salvador é lavado, todas as águas ficam puras para o nosso batismo; a fonte é purificada para que a graça batismal seja concedida aos povos que virão depois. Cristo nos precede no batismo para que os povos cristãos sigam confiantemente o seu exemplo. Vejo aqui um significado misterioso: também a coluna de fogo ia na frente através do mar Vermelho, para que os filhos de Israel a seguissem corajosamente no caminho; foi a primeira a atravessar as águas, a fim de abrir caminho aos que vinham atrás. Este acontecimento, como diz o Apóstolo, era uma figura do batismo. Foi certamente uma espécie de batismo, no qual os homens eram cobertos pela nuvem e passavam através das ondas.

Tudo isso foi realizado pelo mesmo Cristo nosso Senhor, que agora, na coluna do seu corpo, precede no batismo os povos cristãos, como outrora, na coluna de fogo, precedeu através do mar os filhos de Israel. Sim, é a mesma coluna que outrora iluminou os olhos dos caminhantes que hoje enche de luz os corações dos que creem. Outrora abriu um caminho seguro entre as ondas, hoje firma no batismo os passos da nossa fé.


Seu nome consta do martirológio romano no dia 25 de junho e a cidade de Turim o considera seu santo padroeiro.

Do seu grande empenho apostólico dão testemunho os numerosos sermões e homilias, escritos com estilo claro e persuasivo. Num deles ele exorta com firmeza seus fiéis, amedrontados pela aproximação do exército dos bárbaros a empunhar as armas do ?jejum, da oração e da misericórdia? e aos medrosos que se apressavam a fugir da cidade diz: ?É injusto e ímpio o filho que abandona a mãe no perigo. A Pátria é sempre uma doce mãe"[2].

*Uma hagiografia sua, pouco confiável, foi escrita depois do século XI. Ela afirma que um clérigo um dia seguiu São Máximo com más intenções até uma capela afastada onde ele gostava de se retirar para rezar. O clérigo subitamente ficou com tanta sede que pediu ajuda a Máximo. Uma corça apareceu e o santo a fez parar para que o clérigo pudesse tomar de seu leite. Esta lenda explica o fato de o santo, por vezes, ser representado na arte apontando para uma corça. 

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separa
07
Janeiro

Caríssimos Amigos

POSTADO POR ADMIN ÀS 15:27

Leitura de Domingo, 06 Janeiro 2019
Laurence Freeman, OSB
Dezembro de 2000 WCCM International Newsletter


A atenção é a essência da contemplação. Estamos todos cientes, ou deveríamos estar, de quão fraca e infiel pode ser, a duração de nossa atenção. Por isso, precisamos de uma prática diária de meditação que esteja inserida na rotina de nossa vida privada. Não será pensando a respeito, ou mesmo desejando-a, que faremos crescer nossa capacidade de atenção, mas sim, pela prática. [...] A atenção purifica nossos corações e muda o mundo. Compreendemos isso, a partir do abençoado alívio que sentimos em nossas afições pessoais, quando alguém nos concede sua genuína atenção, ao dela mais precisarmos. A compaixão é o primeiro fruto da atenção. É a vida que flui a partir da morte do egoísmo. [...]

Ouvir o mantra, com atenção, reduz gradualmente a freqüência e a intensidade dos pensamentos e impulsos que nos distraem. Isso dá nova forma, ao que o ego deforma. Passamos a repetir o mantra, para reverberá-lo e ouví-lo com atenção cada vez mais refinada, mais sutil e, mais dedicada. Isso nos alinha à freqüência do Espírito Santo que atravessa todo instante de tempo e toda célula de vida. Em seu silêncio e imobilidade, está a nossa força.

Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã 
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