Este é um livro que se pode
considerar como produto de um longo processo de vida e de manutenção
intelectual. Muito me honra ser testemunha deste processo, pois conheço e
acompanho o autor desde nosso tempo de ginásio no Colégio Diocesano do Crato e
sobretudo no Seminário São José, há mais de cinqüenta anos. Passamos juntos pelo
velho Seminário da Prainha e chegamos juntos à Universidade Gregoriana, em Roma.
Lá, ele deu prosseguimento à sua brilhante formação acadêmica no Instituto
Bíblico, em que desenvolveu sua visão antropológica do diálogo do homem com
Deus. Um doutorado em antropologia pela Universidade de Brasília veio dar a
culminância de um luminoso itinerário.
Salatiel tem alma de místico e
espírito de romeiro, que se revelam nas páginas desta obra. Não foi por acaso
que nós, seus colegas, o apelidamos carinhosamente de "meu padim". Nele se
concentrava sempre uma profunda atenção ao mistério do Joaseiro místico, em
respeito profundo à figura do romeiro.
Este livro supera a perspectiva
tradicional da preocupação com o certo e o errado num pretenso julgamento
histórico. Ele examina a busca de Deus pelo homem simples, pobre, desprotegido e
explorado comercial e politicamente, até mesmo nesta procura de um espaço de
expressão de sua fé que o purismo teológico pode não ter condições de perceber
senão como uma crença.
Esta é uma obra de reconciliação, que
ultrapassa as demarcações de antigas contradições históricas numa síntese
antropológica. Talvez se decepcione aquele que procurar neste livro a
confirmação da velha postura do "a favor ou contra" de antigas e novas produções
sobre a trilogia Joaseiro, Padre Cícero e seus romeiros. Mas há de ter o
espírito renovado aquele que souber ler esta obra como um testemunho
pessoal de uma investigação profunda sobre um fenômeno que permanece desafiando
a capacidade missionária e a competência pastoral, tal como nossa geração
vivenciou.
attar editorial
Vicente Madeira