Oitavo Dia da Criação
Luís Guerreiro
O oitavo dia da criação é o dia do homem, do seu caminhar pela História, da sua evolução, da busca da sua plena humanidade. Nesse avançar de milênios, instiga-o, desde as origens, a ânsia pelo conhecimento. Usando símbolos de lendas antigas, o Gênese descreve, em linguagem mítica, como os humanos tentaram, já do início, desvendar mistérios a eles vedados, só pertencentes a Deus. É que o conhecimento os tornaria “como deuses”. Foi esta busca tenaz do conhecimento que fez surgir as civilizações. Mas elas despertaram, ao mesmo tempo, no ser humano a consciência do seu poder. E esta consciência gerou nele o orgulho e a arrogância. Um dos melhores símbolos disso é a Torre de Babel. Era ordenado que fosse construída de tal modo que o seu cume “ rivalizasse com o céu”. O que significava: “Deus mora nas alturas do céu. Nós Também lá queremos morar. Quando a nossa torre estiver pronta, seremos como Deus e dominaremos sobre toda a terra.” Deus os castigou, não por quererem, unidos, realizar um portentoso projeto, mas pela ambição de, com isso, se igualarem a Deus.
O autor:
Luís Guerreiro nasceu em 1929 em Gondarém, Vila Nova de Cerveira, Portugal. Estudos humanísticos em Portugal, Espanha, Itália e Brasil. Atividade pedagógica em Portugal. Atividade religiosa e social em Angola. Tradutor e escritor. Mora em Brasília, Brasil. Autor dos romances “Caminhos de Liberdade e Solidão”, “ Impossível Regresso” e “Entardecer”.
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