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Padres sugerem o fim do celibato
Brasileiros levarão ao
papa documento sobre alternativas para a vida
religiosa e tolerância com segundo casamento
José Maria Mayrink,
INDAIATUBA
O documento final do 12º Encontro Nacional de
Presbíteros, encerrado ontem no Mosteiro de
Itaici, município de Indaiatuba (SP), propõe ao
Vaticano a busca de alternativas para o celibato
sacerdotal - o que significaria a ordenação de
homens casados e a readmissão de padres que
deixaram suas funções para se casar.
Aprovado por 430 delegados que representavam os
18.685 padres das 269 dioceses brasileiras, onde
trabalham em 9.222 paróquias, o pedido será
enviado à Sagrada Congregação para o Clero, em
Roma, atualmente presidida pelo cardeal d.
Cláudio Hummes, ex-arcebispo de São Paulo.
Os padres pedirão também à Santa Sé "orientações
mais seguras e definidas sobre o acompanhamento
pastoral de casais de segunda união", os
católicos que se divorciaram e tornaram a se
casar. Unidos pelo casamento civil, esses fiéis
podem participar da vida da Igreja, mas não
podem se confessar nem comungar.
As duas reivindicações contrariam normas em
vigor na Igreja que, conforme d. Cláudio afirmou
no plenário do Encontro de Itaici, a Igreja não
tem a intenção de alterar. Os padres não sugerem
a abolição total do celibato, que continuaria
sendo uma opção, por exemplo, nas ordens e
congregações religiosas, mas que haja outras
"formas de ministério ordenado".
A Igreja restabeleceu o diaconato permanente,
que é exercido por homens casados. Os diáconos
podem pregar nos templos e administrar
sacramentos, embora não todos. Batizam, dão a
unção dos enfermos e fazem casamentos, mas não
celebram a missa nem ouvem confissões,
privilégios exclusivos dos sacerdotes.
Outra reivindicação ousada do documento aprovado
pelo Encontro de Presbíteros refere-se à
nomeação de bispos. Proposta a ser encaminhada à
Congregação para os Bispos pedirá uma revisão
das nomeações "dentro de um espírito mais
transparente, democrático e participativo junto
dos presbitérios, dioceses e regionais da CNBB"
(Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
A escolha dos bispos, que são nomeados pelo
papa, é feita sob sigilo pelo núncio apostólico,
representante diplomático da Santa Sé. Ele envia
a Roma uma lista tríplice, depois de consultar
os titulares de dioceses da região em que o
escolhido vai servir. Os padres querem ser
ouvidos nesse processo.
Dentro do espírito da 5ª Conferência do
Episcopado da América Latina e do Caribe, que se
reuniu no ano passado em Aparecida para discutir
o tema Discípulos e Missionários de Jesus
Cristo, os padres chegaram à conclusão, em
Itaici, de que precisam sair das paróquias para
ir ao encontro dos fiéis, a começar pelos
católicos que abandonaram a prática religiosa.
As paróquias, dizem os padres, devem renovar sua
estrutura para ser menos burocráticas.
SANTOS BRASILEIROS
O documento reivindica ainda que a Congregação
para a Causa dos Santos encaminhe "os processos
de beatificação e de canonização de padres e
bispos brasileiros que seriam de grande estímulo
para a vida e o ministério presbiteral". Entre
outros candidatos a santo, o texto cita Padre
Cícero Romão Batista, d. Hélder Câmara e d.
Luciano Mendes de Almeida.
O novo presidente da Comissão Nacional dos
Presbíteros, padre Francisco (Chico) dos Santos,
eleito em Itaci para um mandato de quatro anos,
sugere uma redistribuição de padres entre as
dioceses para atender as comunidades onde eles
estão faltando. Ordenado há 32 anos, padre Chico
é pároco em Muzambinho, no sul de Minas.
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