Resumo da

Segunda Conferencia de Dom John Main

Confere: Main, John - Meditação Cristã - Paulus

 

A experiência  das verdades da nossa religião através da meditação.

 

Sabemos que Deus é nosso Criador e Pai, e Jesus nosso irmão, o Espírito Santo habita em cada um de nós.

Nós somos literalmente templo de santidade.

Na meditação nós nos abrimos à grandeza e à maravilha de Deus.

Nesse processo, conscientizamo-nos da nossa grandeza e libertamos nossa capacidade de nos maravilharmos e descobrimos  nosso verdadeiro valor que é de sermos habitados e amados por Deus.

Na meditação nós nos libertamos de todo que é imediato e efêmero.

Temos que libertar as verdades da fé do cofre fechado do nocional, do proposicional, do discurso racional e teológico.

“ O resultado do contexto de nossas resposta a Deus tem sido incompleto, muito estritamente racional, um mero compendio  de credos e fórmulas.

Na oração meditativa, nós nos preparamos  para a experiência plena da presença pessoal de Jesus em nós, sendo este pleroma (  síntese,  plenitude) a presença pessoal do Pai , do Filho e do Espírito Santo - a vida total da Santíssima Trindade vivida em toda a sua forma em nós”

A proposta da meditação cristã é libertar de sua forma meramente teológica e retórica as verdade da nossa fé, de maneira que possa viver, enriquecer  e transformar  nossa vida naquilo que é o centro mais recôndito do nosso ser.

Conhecemos a verdade fundamental da nossa fé: somos cada um de nós criados por Deus e, portanto, cada um de nós tem  origem divina.

 Esta é uma proposição rudimentar da nossa fé e que a maioria de nós aprendeu de cor, dai temos a consciência de nunca estar bastante conscientes é, na prática, mera abstração e proposta envelhecida.

Este foi, mais ou menos a idéia  do autor da carta aos Hebreus, quando diz: “Deixemos de discutir os rudimentos da doutrina cristã. Não nos cabe lançar de novo os fundamentos a fé  em Deus... mas prossigamos até a maturidade, e de fato a faremos se Deus o permitir”(Hb 6,1-3)

A meditação permite de deixar a abstração, o proposicional e ir direto à realidade.

 A meditação é o processo  de aprender  a prestar atenção ao que fundamental a nossa vida: a presença pessoal de Jesus em nós!

Aprendemos a permanecer em paz  e a saborear  em plenitude  a maravilha da nossa criação. Aprendemos  a cantar com o salmista, com o coração transbordante: “Dou graças ao Senhor pela maravilha do meu ser”

(Sl 138,14). Se nossa vida fosse impregnada desta verdade que somos habitados  e amados por Deus, isso bastaria para nos sustentar  em pasmo e adoração  para o resto da vida.

A “maturidade” citada pela carta aos Hebreus alude à libertação das limitações e distorções daquilo que é meramente teórico:

continua a Carta:

         “De fato, os que uma vez foram iluminados e saborearam o dom celeste receberam  Espírito Santo, experimentaram  a beleza  da palavra e   as forças do mundo que há de vir...”(Hb 6,4-6)

Conhecemos demasiadamente estas verdades a nível da teoria teológica.

Na oração, ou meditação, procuramos conviver ou viver estas verdades na prática.

A oração é o processo pelo qual descobrimos não só quem somos, mas porque somos. Essencialmente a meditação, é o processo pelo qual prestamos atenção, com total concentração  à nossa natureza  humana, de maneira que, estando atentos  ao nosso estado de criaturas, tornamo-nos atentos ao nosso Criador.

Santo Agostino diz: “ Primeiro o homem deve ser restituído a si mesmo, a fim e que, partindo dele próprio  como se fosse uma série de degraus , possa elevar-se  e ser conduzido a Deus”

 Assim a meditação não é apenas um modo de “fazer” alguma coisa, mas é o modo de “tornar-se” alguém -  tornando-nos nós mesmos: criados por Deus, remidos por Jesus  e templos do Espírito Santo.

Na meditação passamos além do pensamento, do raciocínio.

A meditação não tem tanto a ver com o pensar como  com o ser. Na oração contemplativa, procuramos nos tornar  a pessoa  que somos chamados a ser; não por pensar em Deus , mas por estar com Ele. Estar simplesmente em sua presença é deixar-se tornar a pessoa que Ele nos chama a ser.

 Isso é procurar em primeiro lugar  o reino e tudo mais, então tudo nos será dado em acréscimo.

Nosso Objetivo, na meditação,  é permitir à presença misteriosa e silenciosa  de Deus em nós se torne, cada vez mais, não somente uma realidade, mas a realidade  que da sentido, forma e motivação a tudo que fazemos, a tudo que somos.

Na oração procuramos o caminho da simplicidade, sem muitas palavras, entramos em contato com Deus, cuja Palavra está acima de qualquer outra palavra. A mantra é o caminho que nos leva a esta simplicidade.

João Cassiano nos ensina:

“ Esta é a formula a que a mente deve agarrar-se                        incessantemente, até que fortalecida pelo seu uso constante e                      pela contínua meditação, lance fora e rejeite  a rica e                                   abundante matéria de qualquer tipo de pensamento e limite-se                       à pobreza de um único versículo”

Existe um grave perigo para nós, homens religiosos: viver nossa vida para proposições, flutuar na estratosfera das teorias, sem descer à prática!

Isso nos torna facilmente presunçosos e satisfeitos com nós mesmos,  autocomplacentes ao repetirmos fórmulas e credos.(fariseismo-clericalismo)

O caminho para evitar estes males é a pobreza : É o morrer a si mesmo para viver. Todos os cristãos são chamados a viver este espírito de pobreza. Isto significa  sermos todos chamados àquele grau  de esquecimento  de si que nos torna capazes  de ser, total  profundamente, sensíveis à realidade do Outro - Deus, nosso próximo.  Isto é o objetivo da pobreza religiosa: uma afirmação vivida da maravilha de Deus  de toda sua gloria e, ao mesmo tempo, o reconhecimento  que todo nosso ser  é um participar  do Ser de Deus e um reflexo desse seu Ser.

A verdadeira pobreza é o empobrecimento do egoísmo que isola.

 Na meditação, na oração contemplativa , procuramos praticar a pobreza fundamental, como disse Cassiano: “restringindo a atividade de nossa mente à pobreza de um único versículo”- 0 mantra - Por este meio, descobrimos as infinitas riquezas de Deus.

Mais do que renuncia a pobreza é a descoberta da pérola preciosa que somos nós: o nosso verdadeiro eu - nosso Self - Expresso em modo sucinto por Santa Catarina de Gênova: “Meu eu é meu Deus.”

Na oração, despimo-nos da ilusão do ego que nos isola,  o fazemos por um ato de fé constante, concentrando-nos  no  self criado por Deus, redimido por Jesus e templo do Espírito Santo... Assim distanciarmos-nos da idéia de nós mesmos, construída pelo ego.

A meditação é a oração  de fé porque deixamos para trás a nós mesmos antes  que o Outro apareça  e sem nenhuma garantia  pré-fabricada de que Ele vai aparecer.   A essência de toda a pobreza consiste nesse risco de aniquilamento. Este é  momento delicado e dolorido no processo da oração , pois quando percebemos a totalidade exigida da profunda entrega de nós mesmos à oração, há a tentação de abandonar a medição, desistir da ascese  da mantra  retornar à oração onde o centro somos nos e não Deus.

A tentação é de retornar à oração da piedade anestesiada, - flutuante que Cassiano chama de paz perniciosa (paz funesta, sopor letalis)

Renunciando a tudo que temos, tudo pelo qual existimos, estamos diante do Senhor em total simplicidade. A pobreza da única palavra  - ou versículo -

que Cassiano recomenda  é o meio, na meditação, de perder nossa vida a fim de podermos encontrá-la. É o meio de nos tornamos nada para nos tornarmos o Tudo.