Antigo Testamento
Livro de Judit
Ver todosDepois que eles se retiraram, entrou Judit no seu oratório, pôs o seu cilício, lançou cinza sobre a sua cabeça e, prostrando-se diante do Senhor, fez esta oração:
Senhor Deus de meu pai Simeão, que lhe deste a espada para se vingar dos estrangeiros que, arrastados pela paixão, violaram e ultrajaram com afronta o pudor de uma virgem,
que abandonaste as mulheres deles à presa, as filhas ao cativeiro, e todos os seus despojos em partilha aos teus servos, que se abrasaram em teu zelo, socorre, te peço, ó Senhor meu Deus, esta viúva.
Tu operaste as maravilhas dos tempos antigos, determinaste que umas sucedessem a outras, e fez-se (sempre) o que quiseste.
Todos os teus caminhos estão preparados, e fundaste os teus juízos na tua providência.
Lança agora os olhos sobre o acampamento dos Assírios, como noutro tempo te dignaste lançá-lo sobre o acampamento dos Egípcios, quando, armados, corriam atrás dos teus servos, fiando-se nos seus carros, na sua cavalaria e na multidão dos soldados.
Bastou um olhar teu sobre o seu acampamento, e as trevas lhes tiraram as forças.
O abismo reteve os seus passos, e as águas os cobriram.
Assim pereçam também, Senhor, estes que confiam na sua multidão, que se gloriam dos seus carros, dardos, escudos, frechas e lanças,
e que não sabem que tu és o nosso Deus, que desde os tempos antigos desbaratas os exércitos, e que o teu nome é o Senhor.
Levanta o teu braço, como outrora fizeste, e, com a tua força, quebra a sua fortaleza; diante da tua ira caia a força destes que prometeram a si próprios violar o teu Santuário, profanar o tabernáculo do teu nome e derrubar com a espada a majestade do teu altar.
Faz, Senhor, que a soberba deste homem seja cortada com a sua própria espada;
seja ele preso ao laço dos seus olhos, fixos sobre mim; fere-o com as doces palavras dos meus lábios.
Dá firmeza ao meu coração para eu o desprezar, e fortaleza para o perder.
Ganhará o teu nome uma glória memorável, se a mão de uma mulher o derrubar.
O teu poder, Senhor, não está na multidão, nem tu te comprazes na força dos cavalos; nunca te agradaram os soberbos, mas sempre te agradou a súplica dos humildes e dos mansos.
Deus dos céus, Criador das águas e Senhor de todas as criaturas, ouve esta miserável, que te suplica e que espera tudo da tua misericórdia.
Lembra-te, Senhor, da tua aliança, põe tu as palavras na minha boca, fortifica a resolução do meu coração, para que a tua casa permaneça sempre santificada
e para que todas as nações conheçam que tu és Deus e que não há outro senão tu.