Antigo Testamento
Livro dos Provérbios
Ver todosQuando te assentares a comer com um grande, considera com atenção o que está diante de ti,
e põe uma faca na tua garganta, se sentes muito apetite.
Não desejes comer dos seus manjares, porque são manjares enganosos.
Não te afadigues por ser rico, evita pôr nisso o teu pensamento. Não ponhas os teus olhos em riquezas que não podes ter, porque elas tomarão asas como de águia, e voarão para o céu.
Não comas com o homem invejoso, e não desejes os seus manjares,
porque ele se mostra tal qual calculou em si mesmo. Come e bebe, te dirá ele; mas o seu coração não está contigo.
Vomitarás os manjares que tiveres comido, e desperdiçarás as tuas belas palavras.
Não fales aos ouvidos dos insensatos, porque eles desprezarão a sabedoria das tuas palavras.
Não toques nos limites antigos, e não entres no campo dos órfãos;
porque o seu curador é (Todo — ) poderoso, e ele mesmo se fará contra ti o defensor da sua causa.
Aplica o teu coração à instrução e os teus ouvidos às palavras da ciência.
Não poupes a correcção ao menino, porque, se lhe bateres com a vara, não morrerá.
Tu lhe baterás com a vara, e livrarás a sua alma da morada dos mortos.
Meu filho, se o teu espírito for sábio, alegrar-se-á contigo o meu coração;
e as minhas entranhas exultarão de prazer, quando os teus lábios proferirem palavras rectas.
O teu coração não tenha inveja aos pecadores, mas conserva-te sempre firme no temor do Senhor,
porque certamente terás um futuro (feliz) e não será frustrada a tua expectação.
Ouve, meu filho, e sê sábio; dirige a tua alma pelo caminho direito.
Não te queiras achar nos banquetes dos ébrios ou dos devoradores de carnes,
porque o ébrio e o glutão se empobrecem, e a sonolência andará vestida de andrajos.
Ouve o teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando for velha.
Adquire (a todo o custo) a verdade, e não a vendas, adquire sabedoria, instrução, inteligência.
O pai justo salta de prazer; o que gerou um filho sábio terá nele a sua alegria.
Tenham esta alegria o teu pai e a tua mãe, exulte a que te deu à luz.
Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos guardem os meus caminhos,
porque a mulher prostituta é uma cova funda, e a alheia é um poço estreito.
Ela está de emboscada no caminho como um salteador, e multiplica, entre os homens, os prevaricadores.
Para quem os ah!? Para quem os ais? Para quem as contendas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem motivo? Para quem o vermelho dos olhos?
Para quem, senão para aqueles que passam o tempo a beber vinho, que vão saborear o vinho aromatizado?
Não estejas a reparar como o vinho é vermelho, como brilha no copo, como corre suavemente.
No fim morde como uma serpente, e espalha o seu veneno como um basilisco.
Os teus olhos verão coisas estranhas, e o teu coração dirá palavras desacertadas.
E tu serás como um homem adormecido no meio do mar. e como um marinheiro na tempestade.
E dirás: Espancaram-me, mas não me doeu; bateram-me mas não senti. Quando despertarei eu? Quero buscar mais vinho para beber.