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Antigo Testamento

Livro da Sabedoria

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1

Mais vale uma existência sem filhos, (mas) com a virtude: a sua memória é imortal, é conhecida diante de Deus e diante dos homens.

2

Quando ela está presente, imitam-na: quando ausente, desejam-na; na eternidade triunfa coroada, vencedora nos combates Imaculados.

3

A numerosa prole dos ímpios de nada servirá; proveniente de rebentos bastardos, não lançará profundas raízes, não assentará sobre uma base estável,

4

Ainda que, durante algum tempo, se cobrisse de ramos, como se não acha firme, será abalada pelo vento, e desarraigada pela impetuosidade dos furacões.

5

Pelo que serão quebrados os seus ramos, antes de terem completado o seu crescimento e os seus frutos serão inúteis, verdes demais para comer, não servindo para nada.

6

Porque os filhos, que nascem de uniões ilícitas, são testemunhas (que depõem) contra seus pais, na ocasião do seu julgamento.

7

Porém o justo, ainda que seja acometido pela morte prematura, estará em descanso,

8

porque uma velhice venerável não consiste numa longa vida, não se mede pelo número dos anos. A prudência do homem é (que se pode chamar) os seus cabelos brancos,

9

e uma vida imaculada é uma idade avançada.

10

Tendo-se (o justo) tornado agradável a Deus, foi por ele amado, e, como vivia no meio dos pecadores, foi transferido.

11

Foi arrebatado para que a malícia lhe não pervertesse a inteligência, e para que os enganos não iludissem a sua alma.

12

Porque a fascinação do vício escurece o bem, e a vertigem da paixão transtorna o espírito inocente.

13

Chegado em pouco tempo à perfeição, viveu uma larga vida.

14

A sua alma era agradável a Deus, e, por isso, ele se apressou a tirá-lo do meio das iniquidades. Os povos estão vendo isto, e não entendem nem reflectem, nos seus corações,

15

que a graça de Deus e a sua misericórdia estão sobre os seus eleitos, e que os seus olhares protectores estão sobre os seus santos.

16

Mas o justo morto condena os ímpios vivos, e a mocidade, chegada depressa à perfeição, (condena) a larga vida do injusto.

17

Eles verão o fim do sábio, mas não compreenderão o desígnio de Deus sobre ele, nem por que o Senhor o pôs a salvo.

18

Ve-lo-ão e desprezá-lo-ão, mas o Senhor zombará deles;

19

depois disto morrerão sem honra, e ficarão com opróbrio, para sempre, entre os mortos, porque (Deus) os despedaçará e, reduzidos ao silêncio, os precipitará; abalá-los-á até aos fundamentos, e serão mergulhados na última desolação; serão lançados no sofrimento; e a sua memória perecerá.

20

Comparecerão medrosos com a lembrança dos seus pecados, e as suas iniquidades se levantarão contra eles para os acusar.