Capítulo 4
A Dimensão Social da Evangelização
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Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo. Se a dimensão social da evangelização não for devidamente explicitada, corre-se sempre o risco de desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora. O querigma possui um conteúdo ineludidamente social: no próprio coração do Evangelho, está a vida comunitária e o compromisso com os outros. A proposta do Evangelho não é somente de uma relação pessoal com Deus. A nossa resposta de amor também não deveria entender-se como uma mera soma de pequenos gestos pessoais dirigidos a algum indivíduo necessitado. A fé cristã tem uma dimensão necessariamente social e comunitária.
A palavra de Deus ensina que, no irmão, está o prolongamento permanente da Encarnação para cada um de nós: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Aquilo que fizermos ou deixarmos de fazer aos outros tem uma dimensão transcendental. Esta é a razão última pela qual o serviço ao próximo faz parte integrante da evangelização. Não podemos proclamar o amor de Deus e ao mesmo tempo ignorar o sofrimento dos nossos irmãos. A fé sem obras é morta (cf. Tg 2, 17), e a evangelização que não gera compromisso social é palavra vazia, incapaz de tocar o coração dos homens.
A inclusão social dos pobres, com a sua cultura, os seus projetos e as suas próprias potencialidades, é a opção preferencial que a Igreja deve assumir. A opção pelos pobres é uma categoria teológica antes de ser cultural, sociológica, política ou filosófica. Deus concede-lhes «a sua primeira misericórdia». Esta preferência divina tem consequências na vida de fé de todos os cristãos, chamados a ter «os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus» (Fl 2, 5). Inspirada por ela, a Igreja fez uma opção pelos pobres, entendida como uma «forma especial de primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a Tradição da Igreja».
Para a Igreja, a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que sociológica. Por isso quero uma Igreja pobre e para os pobres. Eles têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas dificuldades conhecem o Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles, a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles.
O diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para os cristãos e também para as outras comunidades religiosas. O diálogo não significa relativismo ou sincretismo, mas capacidade de escuta e de respeito mútuo, mantendo a identidade própria. Neste diálogo, os cristãos são chamados a dar testemunho da sua fé com alegria e convicção, sem proselitismo agressivo, mas com a força atrativa do amor vivido. A evangelização e o diálogo inter-religioso não se opõem, antes se complementam. A Igreja, fiel ao mandato de Cristo, anuncia o Evangelho a todos os povos, mas fá-lo com respeito pela liberdade religiosa e pela dignidade de cada pessoa.
Maria é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem ela, não compreendemos plenamente o espírito da nova evangelização. Na cruz, foi-nos dada como Mãe no momento em que o discípulo amado a acolheu junto de si (cf. Jo 19, 27). Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque, cada vez que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes. Estrela da nova evangelização, ajuda-nos a resplandecer no testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres.
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