Proêmio
Introdução
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«Laudato si', mi' Signore» — «Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste belo cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços. Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos pensando que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos.
O desafio urgente de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projecto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo dirigir-me a cada pessoa que habita este planeta, porque a crise ecológica é uma convocação urgente a reconhecer que os nossos estilos de vida estão a destruir o meio ambiente.
Agora, perante a deterioração global do ambiente, quero dirigir-me a cada pessoa que habita este planeta. Na minha Exortação Evangelii gaudium, escrevi aos membros da Igreja para mobilizar um processo de reforma missionária ainda pendente. Nesta Encíclica, pretendo especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum. São Francisco de Assis é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. Ele é o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos.
O meu predecessor Bento XVI renovou o convite a «eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente». Recordou que o mundo não pode ser analisado apenas isolando um dos seus aspectos, porque «o livro da natureza é uno e indivisível» e inclui, entre outras coisas, o ambiente, a vida, a sexualidade, a família, as relações sociais. Consequentemente, «a degradação da natureza está estreitamente ligada à cultura que molda a convivência humana». O Papa Bento convidou-nos a reconhecer que o ambiente natural está cheio de feridas provocadas pelo nosso comportamento irresponsável.
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