Proêmio
Princípios Gerais da Renovação
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O sagrado Concílio já mostrou, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, que a busca da caridade perfeita pelos conselhos evangélicos tem a sua origem na doutrina e no exemplo do divino Mestre e se manifesta como sinal esplêndido do Reino dos Céus. Deseja agora tratar da vida e da disciplina dos institutos cujos membros professam castidade, pobreza e obediência, e prover às suas necessidades segundo as exigências do nosso tempo. Desde os primórdios da Igreja, houve homens e mulheres que, pela prática dos conselhos evangélicos, quiseram seguir a Cristo com maior liberdade e imitá-Lo mais de perto, levando, cada qual a seu modo, uma vida consagrada a Deus. Muitos deles, por inspiração do Espírito Santo, viveram na solidão ou fundaram famílias religiosas que a Igreja de bom grado acolheu e aprovou com a sua autoridade.
A renovação adequada da vida religiosa compreende, ao mesmo tempo, o retorno contínuo às fontes de toda a vida cristã e à inspiração primitiva dos institutos, e a adaptação dos mesmos às novas condições dos tempos. Esta renovação deve realizar-se sob o impulso do Espírito Santo e a orientação da Igreja, segundo os seguintes princípios: a norma última da vida religiosa é o seguimento de Cristo proposto no Evangelho, que há-de ser tido por todos os institutos como regra suprema; convém ao bem da Igreja que os institutos tenham a sua índole e função próprias, pelo que se devem conhecer e observar fielmente o espírito e os propósitos dos fundadores, bem como as sãs tradições, tudo isto constituindo o património de cada instituto.
Todos os institutos devem participar na vida da Igreja e, segundo a natureza própria de cada um, tomar como suas e favorecer, na medida das suas forças, as iniciativas e os propósitos da Igreja em matéria bíblica, litúrgica, dogmática, pastoral, ecuménica, missionária e social. Os institutos devem promover entre os seus membros um conhecimento adequado da condição humana do seu tempo e das necessidades da Igreja, de modo que, julgando com sabedoria à luz da fé as circunstâncias do mundo actual e ardendo de zelo apostólico, possam auxiliar mais eficazmente os homens. A vida religiosa não existe para si mesma, mas para o serviço de Deus e da Igreja no mundo.
A renovação eficaz e a justa adaptação não se podem conseguir senão com a cooperação de todos os membros do instituto. Compete, porém, só às autoridades competentes, e sobretudo aos Capítulos Gerais, estabelecer as normas da adaptação e da renovação, fazer experiências e promulgar leis, ouvindo devidamente os membros. No que toca à renovação espiritual, esta deve ocupar o primeiro lugar, mesmo na promoção das obras exteriores. A renovação da vida religiosa não é, em primeiro lugar, uma questão de estruturas, mas de espírito: sem uma profunda renovação interior, as mudanças externas permanecem estéreis. Os membros dos institutos devem cultivar, antes de tudo, a vida de oração, a leitura da Sagrada Escritura e a participação na liturgia como fontes primárias de renovação.
Os membros de cada instituto lembrem-se, antes de tudo, de que, pela profissão dos conselhos evangélicos, responderam a uma vocação divina, de modo que vivam e pensem não só para Cristo (cfr. Rm 14, 7-8), mas para o Seu Corpo que é a Igreja (cfr. Col 1, 24). Porque todo este género de vida está ao serviço da Igreja, é necessário que os membros dos institutos, segundo a vocação própria de cada um, se consagrem de modo especial à oração, à penitência e ao exemplo de uma vida edificante. A profissão religiosa é uma consagração total da pessoa a Deus, amado acima de todas as coisas, que implica uma entrega permanente ao serviço da Sua glória, à edificação da Igreja e à salvação do mundo.
Aqueles que professam os conselhos evangélicos busquem e amem, antes de tudo, a Deus, que nos amou primeiro (cfr. 1 Jo 4, 10), e esforcem-se em todas as circunstâncias por alimentar a vida escondida com Cristo em Deus (cfr. Col 3, 3), donde brota e se incrementa o amor do próximo para a salvação do mundo e para a edificação da Igreja. Esta caridade anima e orienta também a prática dos conselhos evangélicos. Por esta razão, os membros dos institutos cultivem com zelo o espírito de oração e a própria oração, bebendo nas fontes genuínas da espiritualidade cristã. Em primeiro lugar, tenham quotidianamente entre as mãos a Sagrada Escritura, para que, pela leitura e meditação dos livros sagrados, aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fl 3, 8).
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