Capítulo 2
O Ministério dos Presbíteros
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Os presbíteros exercem o ofício de Cristo Cabeça e Pastor, segundo a parte de autoridade que lhes compete, e reúnem a família de Deus como fraternidade animada para a unidade, e conduzem-na a Deus Pai por Cristo no Espírito Santo. Para exercerem este ministério, como para as restantes funções do presbítero, é conferido um poder espiritual, que é dado precisamente para a edificação da comunidade. Na edificação da Igreja, os presbíteros devem tratar todos com singular humanidade, a exemplo do Senhor. Devem agir para com os homens não segundo o que pode agradar aos homens, mas segundo as exigências da doutrina e da vida cristã, instruindo-os e mesmo admoestando-os como filhos caríssimos, segundo as palavras do Apóstolo: «Insiste oportuna e importunamente, repreende, suplica, exorta com toda a paciência e doutrina» (2 Tim 4, 2).
Todos os presbíteros, juntamente com os Bispos, participam de tal modo do único sacerdócio e ministério de Cristo que a própria unidade de consagração e de missão exige a sua comunhão hierárquica com a ordem dos Bispos. Esta comunhão manifestam-na de modo excelente, por vezes, na concelebração litúrgica, quando, unidos aos Bispos, professam celebrar a comunhão eucarística. Os presbíteros, pois, são incorporados na Ordem do presbiterado pela sagrada ordenação e associados, pela íntima fraternidade sacramental, aos presbíteros que formam o presbitério de cada diocese. Com efeito, cada presbítero está ligado aos demais membros deste presbitério por especiais vínculos de caridade apostólica, de ministério e de fraternidade, o que desde os tempos mais antigos se expressa na liturgia, quando se convida os presbíteros presentes a impor, juntamente com o Bispo ordenante, as mãos sobre o novo eleito, e quando, com unanimidade de corações, concelebram a sagrada Eucaristia.
Constituídos pela Ordenação na Ordem do Presbiterado, todos os presbíteros estão entre si ligados por uma íntima fraternidade sacramental; mas especialmente na diocese a cujo serviço estão adstritos sob o próprio Bispo, formam um único presbitério. Embora se dediquem a ofícios diferentes, exercem contudo, em favor dos homens, um só ministério sacerdotal. Todos os presbíteros são enviados para cooperar na mesma obra; quer exerçam o ministério paroquial ou supraparoquial, quer se entreguem à investigação científica ou ao ensino, quer trabalhem manualmente, partilhando a condição dos operários — onde isso, com aprovação da autoridade competente, parecer conveniente — quer exerçam qualquer outra obra apostólica ou ordenada para o apostolado, todos concorrem para o mesmo fim: a edificação do Corpo de Cristo, que, sobretudo nos nossos dias, requer múltiplas funções e novas adaptações.
Os presbíteros do Novo Testamento, embora em virtude do sacramento da Ordem exerçam o ofício de pai e mestre excelentíssimo no Povo de Deus e em seu favor, são todavia, juntamente com todos os fiéis, discípulos do Senhor, feitos participantes do seu Reino pela graça de Deus que os chamou. Os presbíteros, com efeito, entre todos os que foram regenerados na água do Baptismo, são irmãos entre irmãos, como membros do mesmo Corpo de Cristo, cuja edificação é confiada a todos. Os presbíteros devem, pois, de tal modo presidir que, não buscando os seus interesses mas os de Jesus Cristo (cfr. Fil 2, 21), unam o seu trabalho ao dos fiéis leigos e se comportem entre eles a exemplo do Mestre, que entre os homens «não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos» (Mt 20, 28). Reconheçam e promovam sinceramente a dignidade dos leigos e a parte própria que lhes compete na missão da Igreja.
O dom espiritual que os presbíteros receberam na Ordenação não os prepara para uma missão limitada e restrita, mas para a vastíssima e universal missão de salvação «até aos confins da terra» (Act 1, 8), uma vez que todo o ministério sacerdotal participa da dimensão universal da missão confiada por Cristo aos Apóstolos. O sacerdócio de Cristo, de que os presbíteros foram feitos verdadeiramente participantes, dirige-se necessariamente a todos os povos e a todos os tempos, sem nenhuma limitação de raça, nação ou época, como já prefigurado misteriosamente na pessoa de Melquisedec. Lembrem-se, pois, os presbíteros de que lhes deve estar no coração a solicitude por todas as Igrejas. Pelo que, os presbíteros das dioceses mais ricas em vocações devem mostrar-se dispostos a exercer o ministério, com a licença ou por exortação do próprio Ordinário, em regiões, missões ou obras que sofram de penúria de clero.
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