Capítulo 3
A Esperança Cristã e a Oração
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Um primeiro lugar essencial de aprendizagem da esperança é a oração. Se já ninguém me escuta, Deus ainda me escuta. Se já não posso falar com ninguém, já não posso invocar ninguém, sempre posso falar com Deus. Se já não há ninguém que me possa ajudar — onde se trata de uma necessidade ou de uma expetativa que supera a capacidade humana de esperar —, Ele pode ajudar-me. Se sou relegado na extrema solidão, o orante sabe que Deus o escuta. A oração é o lugar onde a esperança se renova constantemente, porque é o lugar do encontro pessoal com o Deus da esperança. Na oração, o cristão experimenta que não está sozinho, mas acompanhado por um Pai que o ama e cuida dele.
Um segundo lugar de aprendizagem da esperança é o agir e o sofrer. Todo o agir sério e reto do homem é esperança em ato. É-o, antes de mais, no sentido de que assim procuramos levar avante as nossas esperanças menores ou maiores: resolver esta ou aquela tarefa que é importante para o ulterior caminho da nossa vida; contribuir com o nosso empenho para que o mundo se torne um pouco mais luminoso e humano. Mas o esforço quotidiano pela continuação da nossa vida e para o futuro da coletividade cansa-nos ou transforma-se em fanatismo, se não nos iluminar a luz daquela grande esperança que não pode ser destruída nem pelas pequenas frustrações nem pelos fracassos históricos.
O sofrimento faz parte da existência humana. Tentar eliminá-lo completamente do mundo é uma ilusão. Podemos procurar limitar o sofrimento, lutar contra ele, mas não o podemos eliminar. Precisamente onde os homens, na tentativa de evitar todo o sofrimento, procuram esquivar-se de tudo o que poderia significar padecimento, onde querem poupar-se ao esforço da verdade, do amor, do bem, caem numa vida vazia, na qual talvez já não haja dor, mas há a sensação obscura de falta de sentido e de solidão. Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar sentido através da união com Cristo, que sofreu com amor infinito.
A medida da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com o sofredor. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os seus membros sofredores e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para que o sofrimento seja compartilhado e suportado também interiormente, é uma sociedade cruel e desumana. A compaixão — o sofrer com o outro — é a forma mais autêntica de solidariedade humana. Cristo ensinou-nos que o amor verdadeiro não foge do sofrimento, mas abraça-o, transformando-o em caminho de redenção e de esperança para todos.
Maria é a estrela da esperança. Com o seu «sim» generoso, abriu ao próprio Deus a porta do nosso mundo; tornou-se a Arca viva da Aliança, na qual Deus Se fez carne, tornou-Se um de nós, plantou a Sua tenda no meio de nós (cf. Jo 1, 14). Dirijo-me a ela: Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensina-nos a crer, esperar e amar contigo. Indica-nos o caminho para o Seu reino. Estrela do mar, brilha sobre nós e guia-nos no nosso caminho. A Virgem Maria mostra-nos que a esperança cristã não é passividade, mas confiança ativa no Deus que age na história e que conduz todas as coisas para o seu cumprimento em Cristo.
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