8 de março de 2026 · Equipe Ora et Labora
O capítulo 7 da Regra de São Bento é o coração de todo o texto. São setenta e três capítulos, mas é no sétimo que São Bento revela o caminho: a humildade. E o faz com uma imagem surpreendente — a escada de Jacó.
Mas há algo paradoxal nessa escada: ela se sobe descendo. "Subimos pela humildade e descemos pela exaltação" (RB 7,7). Cada degrau é um aprofundamento, não uma conquista. Os doze graus da humildade não são troféus a colecionar, mas camadas de si mesmo a atravessar.
O evangelho deste domingo (Jo 4,5-42) nos mostra Jesus junto ao poço de Jacó — outra imagem de descida. Ele desce até a Samaria, terra desprezada. Senta-se, cansado, ao meio-dia. Pede água a uma mulher que nenhum rabino respeitável abordaria. Jesus não sobe um palco para pregar — Ele desce até a situação concreta de uma pessoa concreta.
A humildade cristã não é autodepreciação. É realismo. É saber que não somos o centro e que essa descoberta, longe de nos diminuir, nos liberta. O orgulhoso carrega o peso de manter uma imagem; o humilde caminha leve.
Nesta Quaresma, onde está o seu poço de Jacó? Qual é a situação a que você resiste descer — uma conversa difícil, um pedido de perdão, um serviço que considera abaixo de você? Talvez ali, justamente ali, esteja a água viva.