15 de março de 2026 · Equipe Ora et Labora
Vivemos num mundo que tem medo do silêncio. Ligamos a televisão ao chegar em casa, colocamos música no carro, rolamos o celular na fila do banco — tudo para não ficar a sós com os nossos pensamentos. A Quaresma nos convida ao caminho oposto.
São Bento dedica o capítulo 6 da sua Regra inteiramente ao silêncio. Não como privação, mas como conquista. "Façamos o que diz o Profeta: eu disse, guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua" (RB 6,1). O silêncio beneditino não é ausência de som — é presença de atenção.
No evangelho deste domingo (Jo 9,1-41), Jesus cura o cego de nascença. Um milagre que começa em silêncio: Jesus vê o homem, faz lodo, unge seus olhos. Não há discurso, não há explicação prévia. O gesto fala por si. E o homem curado, quando interrogado repetidas vezes, responde com uma simplicidade desconcertante: "Eu era cego e agora vejo."
Quantas vezes tentamos explicar demais, justificar demais, convencer demais — quando o testemunho silencioso seria mais eloquente? A Quaresma é o tempo de redescobrir que Deus fala no silêncio. Não no silêncio forçado de quem não tem o que dizer, mas no silêncio escolhido de quem aprendeu a ouvir.
Nesta semana, experimente: antes de abrir a Bíblia, fique um minuto em silêncio. Antes de rezar, respire. Antes de falar, escute. O silêncio não é o vazio — é o solo onde a Palavra de Deus pode germinar.