3 apoftegmas
Abade Apolo
Havia nas Célias um ancião chamado Apolo. Quando alguém o procurava, solicitando-o para um trabalho qualquer, seguia com alegria, dizendo: “Com Cristo tenho hoje que trabalhar em prol da minha alma; pois esta é a recompensa da alma”
De um certo Abade Apolo da Cétia, diziam que fora um pastor nos campos. Certa vez no campo viu uma mulher grávida, e, movido pelo demônio, disse: “Quero ver como o embrião está colocado no ventre desta mulher”. E, tendo-o aberto, viu o embrião. Logo, porém, repreendeu-o o seu coração; compungido, foi para a Cétia, onde confessou aos Pais o que fizera. Ouviu-os então a salmodiar: “Os dias de nossos anos ordinariamente perfazem setenta anos; nos poderosos, porém, oitenta: e o que os ultrapassa é trabalho e fadiga” (1). Disse, pois: “Tenho quarenta anos de idade, e ainda não fiz uma oração; se, porém, viver outros quarenta anos, não cessarei de orar a Deus para que me perdoe os meus pecados”. Nem trabalho manual fazia ele, mas rezava sempre nestes termos: “Pequei como homem que sou, sê tu propício como Deus”. Esta prece se lhe tornou um exercício constante, de dia e de noite. Um irmão, que morava com ele, ouviu-o dizer: “Atormentei-te, ó Senhor, perdoa-me para que descanse um pouco”. Por fim conseguiu a plena segurança de que Deus perdoara todos os seus pecados, mesmo o pecado cometido com a dita mulher; quanto à criança, porém, não obteve certeza nenhuma. Disse-lhe, então, um dos anciãos: “Deus te perdoou também o pecado cometido com a criança; Ele, porém, deixa-te na tribulação, porque convém à tua alma”.
O mesmo disse a propósito da recepção dos irmãos: “É preciso adorar os irmãos que vêm; pois não é a eles, mas a Deus que adoramos. Com efeito, diz-se: ‘Viste teu irmão, viste o Senhor teu Deus’. ‘Isto’, acrescentava, ‘aprendemo-lo de Abraão’ (1). Também se diz: ‘Ao receberdes os irmãos, coagi-os a que descansem’; isto, nós o aprendemos de Lot, o qual coagiu os anjos” (2).