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6 apoftegmas

Abade Crônio

1

Um irmão pediu ao Abade Crônio: “Dize-me uma palavra”. Este respondeu:”Quando Eliseu foi ter com Sunamita, ela não tinha relações com alguém; concebeu, porém, e deu à luz, em consequência da visita de Eliseu” (1). O irmão perguntou: “Que significa essa palavra?” O ancião explicou: “Se a alma é vigilante, se se guarda das distrações e abandona a vontade própria, então o Espírito de Deus desce a ela, e ela pode para o futuro gerar, embora tenha sido estéril”.

2

Um irmão perguntou ao Abade Crônio: “Que hei de fazer contra o esquecimento, que detém cativa a minha mente e não me deixa tomar consciência, levando-me mesmo ao pecado?” Respondeu o ancião: “Quando os estrangeiros se apoderaram da arca por causa do mal cometido pelos filhos de Israel, carregaram-na e introduziram-na no templo de Dagão, seu Deus, o qual, então, caiu sobre a própria face”. O irmão perguntou: “Que significa isso?” O ancião explicou> “Se os demônios se chegam para tomar cativa a mente do homem por meio das ações do próprio homem, arrastam a mente até levá-la acima da paixão invisível. Neste lugar, se a mente se volta para Deus e o procura, se se recorda também do juízo eterno, logo a paixão cai e desaparece. Pois está escrito: “Todas as vezes que, voltando-te, gemeres, serás salvo e saberás onde estavas” (2).

3

Um irmão perguntou ao Abade Crônio: “De que maneira chega o homem à humildade?” Respondeu o ancião: “Pelo temor de Deus”. Continuou o irmão: “E por que meio chega o homem ao temor de Deus?” Respondeu o ancião: “Enquanto penso, aí chega retraindo-se de todo negócio(1), entregando-se à fadiga do corpo (2), e, na medida das suas forças, revolvendo em mente a sua partida deste corpo e o juízo de Deus”;

4

Disse o Abade Crônio: “Se Moisés não tivesse conduzido as ovelhas ao pé do monte Sinai, não teria visto o fogo na sarça”. Um irmão perguntou ao ancião: “Que significa a sarça?” Respondeu o Abade: “A sarça significa as ações do corpo; pois está escrito: ‘O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo’ (3). Disse o irmão: “Então sem fadiga corporal o homem não chega à glória?” Respondeu o ancião: “Em verdade, está escrito: ‘Considerando o Autor e Consumador da fé, Jesus, O qual, em lugar da alegria que lhe era proposta, suportou a cruz’ (4). Também Davi diz: ‘Se der sono aos meus olhos e repouso às minhas pálpebras” (5) e o que se segue’”.

5

Disse o Abade Crônio: “O Abade José de Pelúsio contou-nos o seguinte: “Quando eu residia no Sinai, havia lá um irmão bom, dado à ascese, mas também de belo aspecto físico; vinha à igreja para o Ofício, trazendo um velho manto, pequeno e muito remendado. Eu, vendo=o uma vez chegar assim para o Ofício, perguntei-lhe: “Irmão, não vês os irmãos, os quais estão como anjos para o Ofício na igreja? Como é que tu vens aqui sempre dessa forma?” Respondeu: “Perdoa-me, Abade, pois não tenho outras vestes”. Levei-o, então, para minha cela e dei-lhe um manto assim como tudo aquilo de que precisava; coisas que, para o futuro, ele passou a trajar, como os demais irmãos, de modo que se podia ver nele o aspecto de um anjo”.

6

Ora certa vez os Padres precisaram de mandar dez irmãos ter com o Imperador por um motivo de necessidade; e determinaram que tal irmão iria com os outros. Quando, porém, soube disto, atirou-se aos pés dos Padres, dizendo: “Em nome do Senhor, perdoai-me, pois sou servo de um dos magnatas da corte, o qual, se me reconhecer, me despojará da veste de monge e me levará de novo para seu serviço”. Os Padres se deixaram convencer e o despediram; mais tarde, porém, souberam, por alguém que o conhecia muito bem, que, quando esse irmão estava no mundo, era Chefe do Pretório (1); para que não fosse reconhecido e importunado pelos homens, alegara tal pretexto. Tão grande era o zelo dos Padres em fugir a glória e ao bem-estar deste mundo”.