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3 apoftegmas

Abade Dióscoro

1

Narraram, a propósito do Abade Dióscoro de Naquiaste, que o seu pão era feito de centeio e lentilha. Todos os anos punha o início de uma virtude dizendo: “Não irei ao encontro de ninguém este ano” (1), ou “Não falarei”, ou “Não comerei alimento cozido” ou “Não comerei frutas ou legumes”. Era assim que ele procedia em toda a sua labuta; e, tendo consumado um empreendimento, punha mãos a outro. De ano em ano fazia assim.

2

Um irmão dirigiu-se ao Abade Poimém nestes termos: “Os meus pensamentos me perturbam, fazendo-me esquecer os meus pecados e prestar atenção aos defeitos de meu irmão”. O ancião, então, contou-lhe, a respeito do Abade Dióscoro, que este se achava na cela chorando sobre si mesmo, enquanto o seu discípulo estava sentado em outra cela. Quando este foi ter com o Abade, encontrou-o em prantos, e perguntou-lhe: “Pai, por que choras?” Respondeu o ancião: “Choro os meus pecados”. Disse-lhe o discípulo: “Não tens pecados, Pai”. Retrucou o Abade: “Em verdade, filho, se me fosse dado ver os meus pecados, não bastariam três ou quatro outros (monges) para pranteá-los”.

3

Disse o Abade Dióscoro: “Se trouxermos a nossa veste celeste, não seremos encontrados nus; se, porém, formos achados em aquela veste, que faremos, irmãos?” Teremos, também nós, que ouvir a sentença: ‘Atira-o nas trevas de fora; lá haverá choro e ranger de dentes’ (1). Agora, porém, digo-vos, irmãos: grande vergonha tocará a nós, se, depois de trazermos durante tanto tempo o hábito monástico, formos, na hora da necessidade, encontrados sem a veste nupcial. Ó arrependimento que nos apreenderá então! Ó trevas que cairão sobre nós, em presença de nossos Pais e irmãos, os quais nos verão castigados pelos anjos da punição!”