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9 apoftegmas

Abade Isidoro

1

Diziam do Abade Isidoro, o presbítero da Cétia, que, se alguém tinha um irmão imperfeito, pusilânime ou injurioso, e o queria expulsar, dizia: “Traze-o aqui a mim”. Recebia-o, então, e por sua paciência salvava-o”.

2

Um irmão perguntou-lhe: “Por que é que os demônios tanto te temem?” Respondeu o ancião: “Porque, desde que me tornei monge, luto para não deixar que a ira me chegue à garganta”.

3

Dizia também que havia quarenta anos que sentia a tentação de pecar pela mente, mas nunca consentira nem em concupiscência nem em ira”.

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Disse ainda: “Eu, quando era jovem e residia em minha cela, não tinha medida para as preces; a noite e o dia eram para mim oração”.

5

O Abade Poimém referiu, a respeito do Abade Isidoro, que este tecia um feixe de ramos por noite. Os irmãos, porém, exortavam-no dizendo: “Repousa-te um pouco, pois já és idoso”. Respondia: “Ainda que queimem Isidoro e espalhem as suas cinzas ao vento, nem então merecerei alguma graça, pois o Filho de Deus veio à terra por causa de nós”.

6

O mesmo contou, a propósito do Abade Isidoro, o seguinte: “Os seus pensamentos diziam-lhe: ‘Tu és um grande homem’. Ele retrucava: ‘Acaso sou como o Abade Antão? Oxalá fosse de todo como o Abade Pambo ou como os demais Padres que agradaram a Deus!’ Ao protestar dessa forma, encontrava paz. Quando o inimigo o queria desencorajar, como se, depois de todas essas fadigas, tivesse que sofrer penas, respondia: ‘Ainda que eu seja atirado às penas, encontrar-vos-ei lá em baixo’”.

7

Disse o Abade Isidoro: “Fui certa vez ao mercado a fim de vender pequenos artefatos. Percebendo, porém, que a ira se aproximava de mim, deixei os objetos e fugi”.

8

Em dada ocasião, o Abade Isidoro foi ter com o Abade Teófilo, o Arcebispo de Alexandria. Quando regressou à Cétia, interrogaram-no os irmãos: “Como é a cidade?” Ele respondeu: “Em verdade, irmãos, não vi face de homem a não ser a do Arcebispo”. Aqueles, ao ouvir isto, inquietaram-se e disseram: “Acaso terão sido os homens devorados pelo caos, ó Abade?” Respondeu: “Não; mas o pensamento de olhar para alguém não me conseguiu vencer”. Com estas palavras, admiraram-se e foram confirmados no propósito de guardar de devaneios os seus olhos.

9

Disse o Abade Isidoro: “É esta a ciência dos santos: reconhecer a vontade de Deus. O homem, obedecendo à verdade, se torna senhor de todas as coisas, pois ele é imagem e semelhança de Deus. O mais terrível de todos os espíritos é o de seguir o próprio coração, isto é, o próprio juízo, e não a lei de Deus (1). Por fim, isto se torna para o homem motivo de pranto, por não ter reconhecido o mistério nem ter encontrado a via dos santos a fim de nela se esforçar. Agora estamos no tempo de fazer algo para o Senhor, pois a salvação é dada no tempo da adversidade, como está escrito: ‘Em vossa paciência haveis de possuir as vossas almas’” (2).