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2 apoftegmas

Abade Milésio

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Certa vez, quando o Abade Milésio passava por determinado lugar, viu um monge detido por alguém como se tivesse cometido um homicídio. O ancião aproximou-se e interrogou o irmão. Tendo averiguado que este era caluniado, disse aos que o detinham: “Onde está o assassinado?” Mostraram-lhe; ele se aproximou e mandou a todos que orassem. A seguir, estendeu as mãos para Deus, e o morto ressuscitou. Então, em presença de todos, falou a este: “Dize-nos quem foi que te matou”. Ele respondeu: “Entrando na Igreja, entreguei dinheiro ao presbítero, o qual se levantou e me sufocou, levando-me, a seguir, para o mosteiro do Abade, onde me atirou por terra. Rogo-vos, porém, que retomeis o dinheiro e o entregueis aos meus filhos”. O ancião concluiu: “Vai-te, e dorme, até que venha o Senhor e te desperte”.

2

De outra feita, quando o Abade Milésio morava com dois discípulos nos territórios da Pérsia, saíram para a caçado habitual dois filhos do rei, irmãos conforme a carne. Atiraram as redes sobre uma grande superfície, de quarenta milheiros ao menos, de modo que pudessem caçar e matar com as lanças o que se encontrasse dentro das redes. Ora aí encontraram o ancião com os dois discípulos. Vendo-o com a sua cabeleira e seu aspecto rude, foram tomados de espanto e perguntaram-lhe: “Dize-me se és homem ou espírito”. Respondeu: Sou homem pecador; saí para chorar meus pecados, e adoro Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo”. Aqueles replicaram: “Não há outros Deus senão o Sol, o fogo e a água” (elementos que cultuavam). “Vem, pois, e sacrifica a estes”. O ancião respondeu: “Essas coisas são criaturas; vós errais. Rogo-vos que vos convertais e reconheçais o Deus verdadeiro, o Criador de todos esses elementos”. Perguntaram eles: “Aquele que foi condenado e crucificado dizes ser o Deus verdadeiro?” O ancião retrucou: “Aquele que crucificou o pecado e matou a morte, tal digo ser o Deus verdadeiro. Eles então se puseram a maltratá-lo com os irmãos, querendo obrigá-los a sacrificar. Depois de impor muitos tormentos aos irmãos, decapitaram-nos; ao ancião, porém, ainda torturaram durante muitos dias; por último aplicando a sua arte de caçadores, colocaram-no no meio da cela e atiravam-lhe flechas, um pela frente, o outro por trás. O ancião, entretanto, disse: “Pois que de comum acordo derramais o sangue inocente, eis que num momento amanhã a esta hora, sua mãe será privada de vós, seus filhos; será destituída do amor que lhe tendes, e vós derramareis o sangue um do outro com vossos próprios dardos”. Eles, porém, desprezaram as palavras do ancião, e, no dia seguinte, saíram de novo para caçar. Ora, passou por eles um veado; montaram então nos seus cavalos, e foram-lhe ao encalço para o tomarem. Todavia, quando lhe atiravam flechas, aconteceu que vasaram o coração um do outro, conforme a palavra que o ancião lhes tinha dito ao proferir-lhes a maldição. Assim morreram.