Capítulo 2
A Obra Missionária
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A actividade missionária não é senão a manifestação ou epifania do desígnio de Deus e a sua realização no mundo e na história, na qual Deus, pela missão, conduz claramente à sua consumação a história da salvação. Pela palavra da pregação e pela celebração dos sacramentos, cujo centro e cume é a santíssima Eucaristia, torna presente Cristo, autor da salvação. Tudo o que de verdade e graça já se encontrava nos povos, como secreta presença de Deus, ela liberta-o dos contágios do mal e restitui-o ao seu Autor, Cristo, que destrói o domínio do diabo e afasta a multiforme malícia dos crimes. Por isso, todo o bem que se encontra semeado no coração e na mente dos homens ou nos ritos e culturas próprias dos povos, não só não perece mas é sanado, elevado e aperfeiçoado para a glória de Deus, confusão do demónio e felicidade do homem.
A actividade missionária tende para a plenitude escatológica. Por ela, com efeito, dilata-se, até ao tempo e medida fixados pelo Pai com o seu poder (cfr. Act 1, 7), o Povo de Deus, ao qual foi dito profeticamente: «Alarga o espaço da tua tenda e estende as peles dos teus tabernáculos sem parcimónia» (Is 54, 2). Por ela cresce o Corpo Místico até à medida da plenitude de Cristo (cfr. Ef 4, 13); e o templo espiritual onde Deus é adorado em espírito e verdade (cfr. Jo 4, 23) cresce e edifica-se sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas, sendo a pedra angular o próprio Cristo Jesus (cfr. Ef 2, 20). A missão é, pois, a actividade pela qual a Igreja, obedecendo ao mandato de Cristo e movida pela graça e caridade do Espírito Santo, se torna plenamente presente a todos os homens e a todos os povos.
O testemunho cristão e a caridade sobrenatural constituem o início da actividade missionária. Os cristãos que vivem entre os povos devem tratar com respeito e amor todos os homens, considerando-se parte integrante dos grupos humanos onde vivem; participem na vida cultural e social pelas diversas relações e actividades da vida humana; familiarizem-se com as suas tradições nacionais e religiosas; descubram com alegria e respeito as sementes do Verbo que nelas se ocultam. Atendam à profunda transformação que se opera entre os povos e trabalhem para que os homens do nosso tempo, demasiado absorvidos pela ciência e pela técnica do mundo moderno, não se afastem das coisas divinas, antes despertem para um desejo mais intenso da verdade e da caridade reveladas por Deus. Assim como o próprio Cristo perscrutou o coração dos homens e os levou à luz divina por um diálogo verdadeiramente humano, assim também os seus discípulos, profundamente imbuídos do Espírito de Cristo, devem conhecer os homens no meio dos quais vivem e estabelecer com eles um diálogo sincero e paciente.
A Igreja proíbe severamente que alguém seja forçado a abraçar a fé ou seja induzido ou atraído por meios indevidos, e por igual reivindica que ninguém seja por injustas perseguições afastado da fé. Segundo antiquíssimo costume da Igreja, investiguem-se os motivos da conversão e, se necessário, purifiquem-se. Aqueles que receberam de Deus, por intermédio da Igreja, a fé em Cristo, sejam admitidos ao catecumenato por meio de cerimónias litúrgicas. O catecumenato não é uma simples exposição de dogmas e de preceitos, mas uma formação e um tirocínio de toda a vida cristã devidamente prolongado, pelo qual os discípulos se unem a Cristo, seu Mestre. Sejam, pois, os catecúmenos convenientemente iniciados no mistério da salvação, na prática dos costumes evangélicos, nos sagrados ritos a celebrar em tempos sucessivos, e introduzidos na vida da fé, da liturgia e da caridade do Povo de Deus.
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