Proêmio
Introdução
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«Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele» (1 Jo 4, 16). Estas palavras da Primeira Carta de São João exprimem com singular clareza o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho. Além disso, neste mesmo versículo, São João oferece-nos por assim dizer uma fórmula sintética da existência cristã: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e acreditámos nele». Acreditámos no amor de Deus — assim o cristão pode exprimir a opção fundamental da sua vida. No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.
Pelo facto de que Deus nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um «mandamento», mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro. Num mundo onde ao nome de Deus por vezes se associa a vingança ou mesmo o dever do ódio e da violência, esta é uma mensagem de grande atualidade e de significado muito concreto. Por isso, na minha primeira Encíclica, desejo falar do amor com que Deus nos cumula e que por nós deve ser comunicado aos outros. Com isto ficam indicadas as duas grandes partes desta Carta, intimamente conexas entre si: o amor que Deus nos oferece e o amor que nós devemos ao próximo.
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