Capítulo 7
Conclusão
Deixai, meus queridos irmãos e irmãs, que eu entregue ao vosso enlevo e admiração, com íntimo transporte e a fé que já há mais de meio século sustenta o meu ministério, este testemunho de fé na santíssima Eucaristia. «Ave verum corpus natum de Maria Virgine, vere passum, immolatum, in cruce pro homine!» Eis aqui o tesouro da Igreja, o coração do mundo, o penhor do fim que cada homem, mesmo inconscientemente, anseia. Mistério grande, que certamente nos supera e põe à prova a capacidade da nossa mente de ir mais além das aparências. Aqui falham os nossos sentidos — «visus, tactus, gustus in te fallitur» — como se canta no hino Adoro te devote; mas basta-nos a fé, radicada na palavra de Cristo transmitida pelos Apóstolos. Permiti que, como Pedro no final do discurso eucarístico no evangelho de João, diga a Cristo em nome de toda a Igreja, em nome de cada um de vós: «Senhor, a quem iremos nós? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).
Nesta alvorada do terceiro milénio, nós todos, filhos e filhas da Igreja, somos convidados a caminhar com renovado impulso na vida cristã. Como escrevi na carta apostólica Novo millennio ineunte, «não se trata de inventar um "novo programa". O programa já existe: o de sempre, recolhido pelo Evangelho e pela Tradição viva. Centra-se, em última análise, no próprio Cristo, que deve ser conhecido, amado e imitado, para n'Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste». A realização deste programa de um renovado impulso na vida cristã passa pela Eucaristia.
Toda a promessa de bem-aventurança que conhecemos no caminho da salvação tem na santíssima Eucaristia a sua antecipação, e dela recebe o «penhor» da sua futura realização: quando fizermos parte do cortejo das virgens prudentes, de lâmpada acesa, poderemos finalmente participar no banquete das bodas do Cordeiro (cf. Ap 19, 7-9).
O mistério eucarístico — sacrifício, presença, banquete — não consente reduções nem instrumentalizações; deve ser vivido na sua integridade, quer no evento celebrativo, quer no colóquio íntimo com Jesus acabado de receber na comunhão, quer no momento orante da adoração eucarística fora da Missa. Assim se constrói a Igreja e se exprime verdadeiramente a sua unidade; assim se realiza aquilo que nos foi dado nos sinais: comunhão com a vida divina e unidade do povo de Deus. Com esta encíclica sobre a Eucaristia, desejo que a Igreja inteira promova esta devoção eucarística, que é a fonte e o ápice de toda a vida cristã. Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 17 de Abril — Quinta-feira Santa — do ano 2003, vigésimo quinto do meu Pontificado, Ano do Rosário. João Paulo II