Proêmio
Introdução
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«Fratelli tutti»: com estas palavras, São Francisco de Assis dirigia-se a todos os irmãos e irmãs, propondo-lhes uma forma de vida com sabor de Evangelho. Dos seus conselhos, quero destacar aquele em que convida a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço. Declara feliz aquele que ama o outro, «tanto quando está longe dele, como quando está junto dele». Com estas poucas e simples palavras, explicou o essencial de uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar cada pessoa, independentemente da proximidade física, do ponto do planeta onde nasceu ou onde vive.
O Santo de Assis não fez guerra dialética, impondo doutrinas, mas comunicou o amor de Deus. Compreendeu que «Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus» (1 Jo 4, 16). Deste modo, foi pai fecundo que despertou o sonho de uma sociedade fraterna, porque «só o homem que aceita aproximar-se de outros seres no seu movimento próprio, não para retê-los em si, mas para os ajudar a ser mais eles mesmos, se faz realmente pai». Francisco não queria impor-se, mas caminhar ao lado de todos, irradiando a alegria do encontro com Cristo e a ternura de quem se sabe amado incondicionalmente pelo Pai.
As questões ligadas à fraternidade e à amizade social sempre estiveram entre as minhas preocupações. Nos últimos anos, referi-me a elas várias vezes e em diversos lugares. Quis reunir nesta encíclica muitas dessas reflexões, colocando-as no contexto mais amplo de uma proposta de fraternidade universal. Durante a preparação da Laudato Si', tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o Patriarca Ortodoxo. Desta vez, senti-me especialmente estimulado pelo Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei em Abu Dhabi para recordar que Deus «criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade».
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