Capítulo 1
As Sombras de um Mundo Fechado
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Sem pretender fazer uma análise exaustiva nem considerar todos os aspetos da realidade que vivemos, proponho-me apenas prestar atenção a algumas tendências do mundo atual que dificultam o desenvolvimento da fraternidade universal. Os sonhos de integração europeia e latino-americana envelheceram, sendo substituídos por uma fragmentação que se multiplica. Em várias partes do mundo surgem muros e barreiras entre países; os espaços de diálogo e de encontro vão-se reduzindo. A pandemia de Covid-19 revelou e agravou vulnerabilidades já existentes, pondo a nu as nossas falsas seguranças e mostrando a incapacidade de agir em conjunto.
A abertura ao mundo é uma dimensão essencial, constitutiva da pessoa humana. No entanto, à medida que o mundo se abre mais, em muitas partes multiplicam-se atitudes de fechamento. Já não é apenas a lógica habitual da exploração e opressão, mas agora adquire dimensões novas. A cultura do encontro, que promove o diálogo, a amizade social e a busca do bem comum, é substituída pela cultura do conflito, da desconfiança e da indiferença. Desenvolvem-se formas sofisticadas de manipulação, que utilizam os meios de comunicação e as redes sociais para distorcer a realidade e alimentar o ressentimento.
A sociedade mundial tem sérias deficiências estruturais que não se resolvem com remendos ou soluções rápidas puramente ocasionais. Há coisas que devem ser mudadas por meio de reformulações de base e transformações importantes. Só uma profunda mudança de mentalidade pode alterar as estruturas que perpetuam a desigualdade e a exclusão. A globalização económica, por exemplo, favoreceu a riqueza de alguns, mas empobreceu muitos outros. A dignidade humana é frequentemente sacrificada no altar dos interesses financeiros e dos jogos de poder, enquanto milhões de pessoas continuam a viver em condições indignas.
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