Capítulo 5
Educação e Espiritualidade Ecológica
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Muitas coisas devem reorientar o seu rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência de uma origem comum, de uma recíproca pertença e de um futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e formas de vida. Assim se sente um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração. A educação ambiental tem alargado os seus objetivos, procurando incluir uma crítica dos «mitos» da modernidade baseados na razão instrumental e alertar para a necessidade de recuperar os distintos níveis de equilíbrio ecológico.
A espiritualidade cristã propõe um modo alternativo de entender a qualidade de vida, encorajando um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a apreciar as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos pelo que não temos. A sobriedade, vivida com liberdade e consciência, é libertadora. Não é menos vida, não é baixa intensidade de existência, mas exatamente o contrário: é a descoberta de que podemos viver com muito menos e ser mais felizes.
O universo desenvolve-se em Deus, que o preenche todo. Portanto, há um mistério a contemplar numa folha, num caminho, no orvalho, no rosto de um pobre. A contemplação da criação permite-nos descobrir, através de cada coisa, algum ensinamento que Deus nos quer comunicar, porque «para o crente, contemplar a criação é também ouvir uma mensagem, escutar uma voz paradoxal e silenciosa». Os sacramentos são um modo privilegiado de como a natureza é assumida por Deus e transformada em mediação da vida sobrenatural. Na Eucaristia, a plenitude já está realizada e é o centro vital do universo, o foco transbordante de amor e de vida inesgotável.
No fim, encontrar-nos-emos face a face com a infinita beleza de Deus (cf. 1 Cor 13, 12) e poderemos ler, com feliz admiração, o mistério do universo, que participará connosco da plenitude sem fim. Sim, estamos a viajar para o sábado da eternidade, para a nova Jerusalém, para a casa comum do céu. Jesus diz-nos: «Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21, 5). A vida eterna será um assombro partilhado, onde cada criatura, luminosamente transformada, ocupará o seu lugar e terá algo para dar aos pobres definitivamente libertados. Entretanto, unimo-nos para tomar conta desta casa que nos foi confiada, sabendo que tudo o que é bom que existe nela será assumido na festa celeste.
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