Capítulo 3
A Vida dos Presbíteros
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Os presbíteros poderão alcançar a santidade de modo próprio, exercendo as suas funções sincera e incansavelmente no Espírito de Cristo. Sendo ministros da Palavra de Deus, lêem e ouvem todos os dias a Palavra divina, que devem ensinar aos outros; se ao mesmo tempo se aplicam a recebê-la em si mesmos, tornar-se-ão discípulos cada vez mais perfeitos do Senhor, segundo a palavra do apóstolo Paulo a Timóteo: «Medita estas coisas, entrega-te a elas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Olha por ti e pela doutrina; persevera nestas coisas. Porque, fazendo isto, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvem» (1 Tim 4, 15-16). Ao procurarem os meios mais aptos para comunicar aos outros o fruto da sua contemplação, experimentarão mais profundamente «as insondáveis riquezas de Cristo» (Ef 3, 8) e a multiforme sabedoria de Deus.
Os presbíteros, como ministros sagrados que são, especialmente no Sacrifício da Missa, fazem as vezes de Cristo de modo especial, o qual Se ofereceu a Si mesmo como vítima para santificação dos homens. São, pois, convidados a imitar o que realizam, de modo que, celebrando o mistério da morte do Senhor, procurem mortificar os seus membros dos vícios e concupiscências. No mistério do Sacrifício eucarístico, em que os sacerdotes desempenham a sua função principal, é continuamente realizada a obra da nossa redenção, e por isso se recomenda encarecidamente a celebração diária, que é sempre acto de Cristo e da Igreja, mesmo quando não é possível a presença dos fiéis. Assim, unindo-se ao acto de Cristo Sacerdote, os presbíteros oferecem-se a si mesmos totalmente a Deus todos os dias, e, alimentados pelo Corpo de Cristo, participam do coração dAquele que Se deu como alimento aos fiéis.
Os presbíteros alcançarão de maneira própria a santidade se exercerem as suas funções sincera e incansavelmente no Espírito de Cristo. A prática diligente da oração é absolutamente indispensável para que os presbíteros nutram e fortaleçam a sua vida espiritual. Eles são, pois, convidados a recitar diariamente o Ofício Divino, com o qual dirigem a Deus a voz da Igreja, que reza em nome de toda a humanidade, juntamente com Cristo, que «vive sempre a interceder por nós» (Heb 7, 25). Devem reservar fielmente os tempos necessários para a oração mental, à qual se podem unir as diversas formas de oração, aprovadas pela tradição da Igreja, e que cada um pode escolher livremente. Tenham igualmente em grande estima a direcção espiritual e frequentem assiduamente o sacramento da Penitência, cultivando assim a pureza de consciência e a humildade necessárias para o fiel desempenho do ministério.
O celibato, abraçado pelo Reino dos Céus, e ao qual se obrigam os presbíteros do rito latino, é certamente e antes de mais uma graça, que deve ser humildemente pedida a Deus. O Senhor concede-a generosamente a quem a pede, como a história da Igreja comprova. Os presbíteros dedicam-se a Cristo com o coração indiviso e com mais liberdade podem entregar-se, nEle e por Ele, ao serviço de Deus e dos homens. Deste modo, ficam mais aptos para receber mais amplamente a paternidade em Cristo. Dão assim testemunho perante os homens de que querem consagrar-se sem reservas à missão que lhes foi confiada, a saber, desposar os fiéis com um só Esposo e apresentá-los a Cristo como virgem pura (cfr. 2 Cor 11, 2); evocam assim as místicas núpcias estabelecidas por Deus, que hão-de manifestar-se plenamente no futuro, pelas quais a Igreja tem por único Esposo Cristo. Constituem, além disso, um sinal vivo daquele mundo futuro, que já está presente pela fé e pela caridade, e no qual os filhos da ressurreição não se casam nem são dados em casamento (cfr. Lc 20, 35-36).
Os presbíteros, tendo presente o que os religiosos lhes ensinam com o seu generoso exemplo de pobreza evangélica, não deixem de procurar as coisas de cima, para mais facilmente encontrar a Cristo na pobreza. Embora não sejam chamados à pobreza como os religiosos por um voto formal, são, contudo, convidados a abraçar a simplicidade de vida e um espírito de desapego dos bens terrenos. São exortados a abraçar a pobreza voluntária, pela qual se conformam mais manifestamente a Cristo e se tornam mais aptos para o sagrado ministério. Cristo, sendo rico, fez-se pobre por nosso amor, para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos (cfr. 2 Cor 8, 9). Os Apóstolos, com o seu exemplo, testificaram que o dom gratuito de Deus se deve transmitir gratuitamente (cfr. Act 8, 18-25); souberam tanto ser abundantes como viver na penúria (cfr. Fil 4, 12). Uma certa comunhão de bens, à semelhança daquela que a história da Igreja primitiva nos refere (cfr. Act 2, 44-45), é um excelente caminho para a caridade pastoral; por este modo de vida, os presbíteros podem louvavelmente pôr em prática o espírito de pobreza recomendado por Cristo.
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