Capítulo 2
O Homem Redimido
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O homem, na plenitude da sua verdade, não pode ser compreendido sem Cristo. Cada homem que vem a este mundo é objecto do amor eterno de Deus, um amor que se manifestou plenamente na Redenção. A Igreja, continuadora da missão de Cristo, não pode deixar de se interessar por tudo aquilo que diz respeito ao homem: a sua dignidade, os seus direitos, as suas aspirações mais profundas. O homem é o caminho da Igreja, porque Cristo, ao encarnar-se, uniu-se de certo modo a cada homem (cfr. Gaudium et Spes, 22). Por isso, a solicitude da Igreja pelo homem não é uma intromissão política ou social, mas a expressão mais autêntica da sua fidelidade a Cristo.
O homem contemporâneo vive mergulhado em profundas contradições. Por um lado, dispõe de um poder tecnológico sem precedentes, que lhe permite transformar o mundo e melhorar as condições de vida. Por outro lado, experimenta ameaças gravíssimas à sua sobrevivência e à sua dignidade: a corrida armamentista, a destruição do ambiente, a exploração económica, a violação dos direitos humanos mais elementares. Este desequilíbrio entre o progresso material e o desenvolvimento moral é a raiz de muitos males do nosso tempo. Só a referência a Deus e à dignidade transcendente do homem pode oferecer um fundamento sólido para uma civilização verdadeiramente humana.
A redenção de Cristo atinge o homem na totalidade do seu ser: corpo e alma, inteligência e vontade, relações pessoais e vida social. Não existe nenhuma dimensão da existência humana que fique fora do alcance da graça redentora. A salvação cristã não é apenas a salvação da alma, mas a renovação integral do homem e, através dele, de toda a criação. Esta visão integral da salvação impede qualquer espiritualismo desencarnado que ignore as necessidades materiais dos homens, assim como qualquer materialismo que reduza o homem às suas necessidades económicas. O Evangelho dirige-se ao homem todo inteiro e reclama uma resposta que envolva toda a existência.
A liberdade religiosa é uma exigência fundamental da dignidade do homem redimido. A fé, por sua própria natureza, é um acto livre que não pode ser imposto por nenhum poder humano. Cristo nunca coagiu ninguém a segui-Lo; convidou, propôs, exortou, mas respeitou sempre a liberdade de cada um. A Igreja, fiel ao exemplo do seu Mestre, defende o direito de toda a pessoa a buscar a verdade religiosa e a abraçar a fé segundo os ditames da sua consciência, sem coacção externa. Esta defesa da liberdade religiosa não é um compromisso com o relativismo, mas a expressão da convicção de que a verdade se impõe pela sua própria força e não pela violência.
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