Capítulo 3
A Missão da Igreja e a Sorte do Homem
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A missão da Igreja no mundo contemporâneo é, antes de tudo, uma missão de anúncio: anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, como o Salvador do mundo. Este anúncio não é uma ideologia entre outras, mas a proclamação de um acontecimento que mudou radicalmente a história da humanidade. A Igreja não anuncia a si mesma, mas a Cristo; não propõe um programa político ou social, mas o Evangelho da salvação. No entanto, este Evangelho tem consequências profundas para a vida social e política, porque revela o verdadeiro fundamento da dignidade humana e da fraternidade universal. Uma sociedade que ignora Cristo priva-se da luz mais poderosa para construir um futuro de justiça e de paz.
A Eucaristia é o centro da vida da Igreja e a fonte inesgotável da sua missão. Na Eucaristia, o sacrifício redentor de Cristo torna-se presente de modo sacramental, alimentando a fé dos crentes e fortalecendo-os para o testemunho no mundo. A Igreja vive da Eucaristia e para a Eucaristia. Sem a celebração eucarística, a Igreja perderia a sua identidade mais profunda e a sua razão de ser. Por isso, o cuidado pela liturgia, pela sua dignidade e pela sua beleza, é uma das tarefas prioritárias da comunidade cristã. Na Eucaristia, a Igreja antecipa, de modo sacramental, a comunhão plena com Deus que é o destino último de toda a humanidade redimida.
A Igreja não pode cumprir a sua missão sem uma profunda conversão interior. A renovação da Igreja começa sempre pela conversão dos corações, pela oração, pela penitência e pelo regresso às fontes evangélicas. As reformas estruturais, por mais necessárias que sejam, permanecem estéreis se não forem acompanhadas por uma autêntica renovação espiritual. A história da Igreja mostra que os grandes movimentos de reforma começaram sempre com homens e mulheres de oração, que se deixaram transformar pela graça de Deus. Também no nosso tempo, a Igreja tem necessidade de santos que, com o seu testemunho de vida, mostrem ao mundo a beleza do Evangelho e a força transformadora da graça.
Ao concluir estas reflexões, dirijo o meu olhar para Maria, Mãe do Redentor e Mãe da Igreja. Maria é o modelo perfeito da acolhida do dom de Deus: no seu «sim» à anunciação do anjo, ela abriu as portas do mundo ao Redentor. A sua fé, a sua esperança, a sua caridade são o espelho no qual a Igreja contempla a sua própria vocação. Maria acompanha a Igreja no seu caminho pela história, intercedendo pelos seus filhos junto do Filho. Que a sua presença materna nos dê a coragem de abrir as portas a Cristo, de acolher o Seu amor redentor e de o levar a todos os homens, para que o mundo conheça a alegria da salvação e a esperança da vida eterna.
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