Capítulo 1
«Mestre, Que Devo Fazer de Bom?»
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«Aproximou-se de Jesus um jovem e disse-Lhe: 'Mestre, que devo fazer de bom para alcançar a vida eterna?'» (Mt 19, 16). A pergunta do jovem rico a Jesus de Nazaré é uma pergunta religiosa e moral ao mesmo tempo. É religiosa porque procede de uma aspiração profunda do coração humano que busca o seu fundamento último em Deus. É moral porque interroga sobre o bem que se deve fazer para alcançar a vida plena. Esta pergunta surge no íntimo de cada pessoa e constitui a expressão mais elevada da dignidade humana: o homem, diversamente de todos os outros seres da criação, é capaz de se interrogar sobre o bem e o mal e, com a sua liberdade, de se orientar para um ou para outro.
A resposta de Jesus ao jovem é clara e exigente: «Se queres entrar na vida, observa os mandamentos» (Mt 19, 17). O Mestre indica os mandamentos de Deus, e em particular os mandamentos relativos ao próximo, como o caminho indispensável para a vida eterna. O amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis: quem ama verdadeiramente a Deus não pode deixar de amar o próximo, e o amor ao próximo, quando é autêntico, encontra o seu fundamento no amor a Deus. Os mandamentos são a expressão primeira e indispensável do amor: constituem o seu limite inferior, abaixo do qual não se pode descer sem destruir a própria relação de amor.
A pergunta moral, que o jovem rico dirige a Jesus, não pode ser reduzida a uma simples questão de normas e preceitos. É uma pergunta sobre o sentido da vida. «Que devo fazer de bom?» é, em última análise, a pergunta sobre a felicidade, sobre a vida plena, sobre a realização do desejo mais profundo do coração humano. A moral cristã não é, primariamente, um código de comportamentos, mas uma resposta ao convite do amor. Deus não impõe mandamentos como um senhor arbitrário, mas como um Pai amoroso que indica ao filho o caminho da verdadeira felicidade. Por isso, a obediência à lei moral não é uma servidão, mas a expressão mais alta da liberdade humana.
Jesus, porém, não se limita a indicar os mandamentos. Ao jovem que afirma tê-los observado desde a juventude, Ele acrescenta: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-Me» (Mt 19, 21). Este convite ao seguimento revela a dimensão mais profunda da moral cristã: não basta cumprir preceitos, é preciso entregar-se totalmente a Cristo. A perfeição moral não é simplesmente a ausência de pecado, mas a plenitude do amor. O seguimento de Cristo é o caminho da perfeição, que se traduz na imitação da Sua entrega total ao Pai e aos irmãos. O jovem rico, ao afastar-se triste, mostra a dificuldade desta entrega, mas também revela que o coração humano é feito para esta plenitude.
O diálogo entre Jesus e o jovem rico ilumina o nexo profundo entre o agir moral e a vida de fé. A moral cristã não é um sistema autónomo de normas, independente da pessoa de Cristo e da vida de graça. É, antes de tudo, uma resposta ao encontro com Cristo, que transforma o coração e orienta toda a existência para Deus. O mandamento do amor, que resume toda a lei e os profetas (cfr. Mt 22, 37-40), não pode ser vivido apenas com as forças humanas: exige a graça do Espírito Santo, que renova o coração e torna o homem capaz de amar como Cristo amou. Por isso, a vida moral é inseparável da vida sacramental e da oração, fontes inesgotáveis de graça.
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