3 apoftegmas
Abade Efrém
O Abade Efrém ainda era menino, quando teve o seguinte sonho ou visão: nasceu uma videira sobre a língua dele a qual cresceu e encheu toda a terra que está sob o céu, dando fruto bom e muito abundante; as aves do céu vinham e comiam do fruto da árvore; e, na medida em que comiam, se multiplicava o fruto da videira.
Outra vez um dos Santos em visão contemplou como a ordem dos Anjos descia dos céus mandada por Deus, tendo nas mãos um livrinho, ou seja, um tomo escrito por dentro e por fora. E perguntavam uns aos outros: “A quem deve ser entregue este livrinho?” Alguns diziam: “A este tal”; outros: “A tal outro”. Finalmente responderam: “Em verdade existem santos e justos; todavia ninguém o pode receber senão Efrém”. E o ancião viu-os entregar o livrinho a Efrém. A seguir, levantando-se de manhã, ouviu Efrém a dissertar como se uma fonte abundante jorrasse da sua boca e ficou sabendo que inspiradas pelo Espírito Santos são as palavras que procedem dos lábios de Efrém.
De outra feita, estando Efrém a caminhar, chegou-se a ele, por embuste de alguém, uma mulher de má vida, a fim de o seduzir para um comércio torpe, ou, ao menos, movê-lo a irritar-se, já que jamais alguém o vira irado. Respondeu-lhe: “É neste lugar mesmo. Vem, conforme o teu intento”. Aquela, vendo a multidão de gente, perguntou-lhe: “Como podemos fazer isto em presença de tanta gente sem nos envergonharmos?” Então Efrém concluiu: “Se nos envergonhamos diante dos homens, muito mais nos devemos envergonhar diante de Deus, o qual argui mesmo o que está oculto nas trevas”. A estas palavras, a cortesã, tomada de pudor, se foi, sem ter realizado o intento.