8 apoftegmas
Abade Elias
Disse o Abade Elias: “Temo três coisas: o momento em que minha alma sairá do corpo; o momento em que comparecerá diante de Deus; o momento que a sentença será proferida contra mim”.
Os anciãos diziam ao Abade Elias no Egito a respeito do Abade Agatão: “É um bom Abade”. O ancião observou: “Considerado na geração dele, é bom”. Perguntaram-lhe então: “E comparado aos antigos, que é?” Respondeu: “Disse-vos que considerado na geração dele, é bom; em comparação com os antigos, afirmo-vos que vi um homem na Cétia o qual podia fazer parar o sol no céu, como Josué, filho de Navé”. Ao ouvir isto, ficaram estupefatos e deram glória a Deus.
Disse o Abade Elias, o qual era incumbido de servir aos irmãos: “Que pode o pecado onde há arrependimento e penitência? E que adianta a caridade onde há soberba?”
Disse o Abade Elias: “Tive a visão de um irmão que estava a roubar uma cabaça de vinho e a ocultava debaixo do braço. Então, para confundir os demônios, pois se tratava de mera imaginação (1), disse ao referido irmão: ‘Faze-me esta caridade: tira de mim tal coisa’. Ele então levantou o seu manto, e tornou-se manifesto que nada tinha escondido. Isto, eu o digo, para que, mesmo que vejais algo com vossos olhos, ou ouçais, não deis fé. Muito mais ainda deveis vigiar sobre s vossos raciocínios, conceitos e pensamentos, consciente de que os demônios os excitam, para que manchem a alma, fazendo-a considerar coisas que não convêm, e para que distraiam a mente da recordação dos seus pecados e de Deus”.
Disse também: “Os homens têm a mente voltada ou para seus pecados, ou para Jesus ou para os homens”.
Disse de novo: “Se a mente não salmodia com o corpo, vã é a fadiga. Se alguém ama a tribulação, ela se lhe tornará motivo de alegria e paz”.
Também contou o seguinte: “Um dos anciãos se deixou ficar no oratório; chegaram-se-lhe então os demônios e disseram: ‘Saí do nosso lugar’. Retrucou o ancião: ‘Vós não tendes lugar próprio’. Em resposta puseram-se, todos de uma vez, a espalhar os ramos dele. O ancião, porém, permanecia e os ia recolhendo. Por fim, o demônio, agarrando=lhe a mão, arrastou-o para fora. Quando chegou à porta, o ancião com a outra mão segurou a porta e gritou: ‘Jesus, socorre-me’. Logo fugiu o demônio. O ancião, porém, caiu em pranto. Perguntou-lhe então o Senhor: ‘Por que horas?’ O ancião: ‘Porque ousam agarrar o homem, e proceder deste modo’. Respondeu o Senhor: ‘Esqueceste alguma coisa: com efeito, quando me procuraste, viste como me deixei encontrar. Digo-te que é preciso lugar muito, e, se não há luta, não pode alguém possuir o seu Deus. Pois Ele foi crucificado por causa de nós’”.
Um irmão foi ter com o Abade Elias, que levava vida tranquila no cenóbio da gruta do Abade Sabas; e pediu-lhe: “Abade, dize-me uma palavra”. O ancião respondeu ao irmão: “Nos dias de nossos Pais eram estimadas estas três virtudes: a pobreza, a mansidão, a abstinência; agora, porém, os monges são dominados pela ambição de possuir, a gula e a arrogância. Escolhe o que quiseres”.