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4 apoftegmas

Abade João Persa

1

Certa vez apresentou-se um menino para ser curado de um demônio; ao mesmo tempo chegaram irmãos de um cenóbio do Egito. Ora o ancião, saindo, viu um irmão a pecar com o menino mas não o repreendeu; disse, ao contrário: “Se Deus, que criou a ambos, vendo isso, não os consome pelo fogo, quem sou para repreendê-los?”

2

A respeito do Abade João Persa um dos Padres contou que, por efeito da abundante graça que recebia, chegara a profundíssima simplicidade. Morava na Arábia do Egito. Certa vez recebeu emprestada de um irmão uma moeda de ouro, e com ela comprou fios de linho para trabalhar. Chegou-se, porém, outro irmão rogando=o nestes termos: “Dá-me, Abade, alguns poucos fios para que me faça uma túnica”. Ele os deu com alegria. Da mesma forma, apresentou-se mais um irmão pedindo: “Dá-me uns poucos fios para que me confeccione um avental”. E também a este deu. Outros ainda pediram, aos quais ele deu com simplicidade e prazer. Por último apareceu o proprietário do dinheiro para cobrá-lo. Disse-lhe o ancião: “Vou buscá-lo”. Não tendo, porém, como restituí-lo, saiu em demando do Abade Tiago, que era incumbido da administração, a fim de lhe pedir o dinheiro para o devolver ao irmão. Ora, quando caminhava, encontrou uma moeda por terra, mas não a tocou; fez, sim, oração e voltou para a cela. De novo, então, chegou-se o irmão, atormentando-o por causa do dinheiro. Respondeu-lhe o ancião: “Estou em grande solicitude por isso”. E, saindo de novo, encontrou o dinheiro no chão, onde estava antes. Fez mais uma vez oração, e voltou para a cela. E eis que, da mesma forma, apareceu, apareceu o irmão que o assediava. O ancião disse-lhe então: “Desta vez eu o trarei sem falta”. E, levantando-se, saiu de novo; passando pelo dito lugar, ainda encontrou o dinheiro, e, após fazer oração, recolheu-o. Finalmente, chegou à cela do Abade Tiago, a quem disse: “Abade, vindo ter contigo, encontrei esta moeda na estrada; faze-me, pois, a caridade de anunciá-lo na região; talvez alguém a tenha perdido; e, se se encontrar o dono, entrega-lha”. O Abade, assim rogado, saiu e durante três dias, apregoou a notícia, mas não se depreendeu quem tivesse perdido a moeda. Disse então o Abade João ao Abade Tiago: “Se, portanto, ninguém a perdeu, dá-a a tal irmão; pois tenho dívido para com ele, e, quando vinha buscar esmola para pagar, encontrei tal dinheiro”. O ancião admirou-se de que o Abade João, estando em dívida, ao encontrar o dinheiro, não o tivesse logo recolhido e entregue ao credor. – Em verdade, isto era nele admirável: quando alguém o procurava para lhe pedir qualquer coisa emprestada, não a entregava diretamente, mas dizia ao irmão: “Vai, tira aquilo de que precisas”; e, quando o irmão a restituía, o Abade dizia: “Coloca-o de novo em seu lugar”. Caso, porém, o irmão não a trouxesse de volta, também nada lhe dizia.

3

Do Abade João diziam que, certa vez, tendo-o assaltado alguns malfeitores, foi buscar uma bacia, e se dignou de lavar-lhes os pés. Então os mesmos, tomados de vergonha, puseram-se a pedir-lhe perdão.

4

Alguém disse ao Abade João Persa: “Nós nos demos tanto trabalho por causa do reino dos céus será que o receberemos em herança?” Respondeu o ancião: “Creio herdar a Jerusalém superna, que está recenseada nos céus. Pois fiel é Aquele que prometeu. Por que haveria de descrer? Tornei-me hospitaleiro como Abraão, manso como Moisés, santo como Aarão, paciente como Jó, humilde como Davi, solitário como João, dado ao pranto como Jeremias, mestre como Paulo, cheio de fé como Pedro, sábio como Salomão. E como o ladrão creio que Aquele que me deu estas coisas por Sua bondade peculiar, me concederá também o reino”.